Uma análise do Copom

Não é difícil. É só ter vontade. Parabéns ao pessoal do Terraço Econômico pelo texto. Fico feliz de ver o pessoal fazendo análises interessantes, caprichadas (notem os gráficos levemente trabalhados, amigáveis, coisa de gente que se preocupa com o que escreve) do texto.

Ah, o podcast deles com a Mônica de Bolle ficou bom também.

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O povo do Nepom se esqueceu…

…mas eu conto para vocês: nosso modelo previu que o Copom aumentaria a Selic e foi isto que aconteceu. Imagino que o grupo vai se reunir após as provas e redigirá um texto que será a nossa Ata do Nepom. Da última vez ficou a cargo do Arthur, mas não vejo porque todos não deveriam ajudar na redação da mesma. Afinal, não é para isso que fazemos apresentações em público? Para dizer o que achamos que o Copom fará e o porquê?

Então, vamos aguardar.

“Nossa meta é que os membros do Nepom façam uma ata”.

Copom eleva taxa de juros em 0.25 pontos percentuais

Sim, agora os fundos estão mais interessantes que a poupança e, se aqueles modelos que a gente ensina em sala de aula fazem algum sentido, você deveria esperar as pessoas fazendo um esforço de realocar seus recursos.  Agora que eu já te falei o que você queria saber, vamos falar um pouco do Nepom.

Mas o modelo errou…meu mundo acabou?

Creio que o pessoal do Nepom fez um bom trabalho na apresentação passada, inclusive, no que diz respeito a entender o papel do modelo econométrico que usamos. Veja, a nossa previsão mostrava, em todos os cenários, que a taxa de juros ficaria inalterada com uma alta probabilidade.

Quanto às apresentações setoriais, sim, elas não exigem que os membros do Nepom tirem conclusões do chapéu sobre a taxa de juros (o que seria bem estranho para um aluno de Economia, né?), mas muitos deles ficaram tensos com o fato de o modelo não indicar o que o mercado indicava (bom sinal, não?). Bem, juntando a análise de conjuntura com o modelo…

É, eu sei. Você queria que ambos (modelo e análise) convergissem para o mesmo resultado. O mundo seria mais simples, né? Ocorre que: (a) você pode errar, (b) o modelo pode errar, (c) o mercado pode errar e, (d) o Banco Central…não ele é o único que não erra, neste caso.

O modelo, veja bem, não pretende substituir o mercado. Ele é mais como, digamos, uma forma alternativa de se estimar possíveis cenários em aliança com o mercado, por assim dizer. O papel do consultor, neste exemplo, é o de tentar melhorar as previsões do cliente, fundamentando-as. Neste processo, ele tem a opção de criar um modelo e trabalhar sobre ele. Significa que acertará sempre? Bem, você estudou Estatística, certo? Não vou perder nosso tempo (obviamente, se o modelo erra sempre, ou se você erra sempre, não me venha jogar a culpa no modelo, heim?).

Então, sim, no Nepom, a gente está treinando, dentre outras coisas, sua capacidade de entender o que significa um modelo econométrico para, digamos, prever a PIM-PF e o que significa um modelo para prever o que o Banco Central deve (no sentido de probabilidades) fazer com a Selic (sem falar no que significa usar informações do primeiro para alimentar o segundo). Esta capacidade deve ser aliada à habilidade de se analisar a conjuntura com o olhar teórico e o olhar de quem sabe com que dados está lidando.

O melhor que você pode fazer…

Simples: estudar o modelo, estudar a realidade, estudar a teoria e praticar tanto que, no final, você entenderá as limitações e alcances do que é capaz de fazer como um economista adulto no mundo.

O componente político da política monetária

Sempre tem  aquele velho discurso dos nossos, aliás, de todos, os políticos sobre desemprego e crescimento. É clara também essa discussão na literatura econômica acerca dos ciclos políticos e eleições e suas influências nas duas variáveis citadas na frase anterior.  Na última leva da papers que foram publicados na NBER, teve esse aqui, que traz uma discussão sobre o componente político das decisões envolvidas na condução de política monetária, que segundo muitos foi bastante forte na última decisão do Copom. Aspectos como a independência das autoridades monetárias, metas de inflação, ciclos de negócios e política também são tratados e ainda o problema político de países que tem uma mesma moeda. Bom, acho que esse pode ser um bom começo para próximas  discussões no Nepom!

Selic: o Nepom acertou mais uma vez!

Na última apresentação, dia 15/3/2010, o Nepom novamente acertou a previsão acerca da decisão do Banco Central para a taxa Selic: manutenção em 8,75% a.a.

O anúncio foi feito pela autoridade monetária hoje (17/3/2010):  clique aqui e leia a nota no site do BACEN. A ata da reunião deverá ser publicada nos próximos dias. Não foi uma surpresa, para nós, a divisão entre os membros do Copom: três, dos oito votos, foram a favor de aumento de 0,50 p.p. na taxa. A perspectiva de aperto monetário é certa, só havia uma pergunta: quando começaria? Agora não é difícil prever que na próxima reunião haverá maioria de votos para aumento da Selic.