Ajuste do modelo de previsão do Nepom

O Nepom utiliza um modelo probit ordenado para previsão da decisão do Copom acerca da taxa Selic. Uma das variáveis utilizadas no modelo é o hiato entre produção industrial efetiva e o potencial estimado. Esta mesma variável também é incorporada no modelo em segunda potência (elevada ao quadrado), o que tem por objetivo adequar as previsões do modelo à forma gradual com que o BC costuma modificar a Selic.

Entretanto, nas previsões estimadas para as últimas reuniões, temos observado que esta variável em segunda potência vem sendo estimada com sinal inverso ao esperado e acaba por gerar previsões contra-intuitivas: num cenário otimista para a produção industrial (ou seja, produção crescendo), o modelo prevê menor probabilidade de alta da Selic do que num cenário pessimista (com a produção caindo).

Estimamos novamente o modelo da última reunião sem esta variável e encontramos os seguintes resultados:

Ainda precisamos estudar o que deve estar contribuindo para o sinal inverso ao esperado desta variável, mas o ajuste do modelo parece melhorar quando ela é eliminada da estimação.

Sabendo da decisão do BC (publicada ontem), de aumento de 0,75 p.p., e contrastando com a tabela acima, poderíamos considerar que os membros do Copom têm expectativa otimista para a evolução da produção industrial no Brasil.

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Copom eleva a taxa Selic para 10,25% a.a.

Os membros do Copom decidiram ontem, em unanimidade, por uma segunda elevação consecutiva de 0,75 p.p. na taxa básica de juros da economia brasileira. A nota divulgada no site do Banco Central pode ser encontrada neste link.

Apresentação e Previsão da Selic

Os slides da última apresentação realizada pelo NEPOM (8/6/2010) já estão disponíveis na página “Histórico de Apresentações“.

Nossa previsão é de maior probabilidade de aumento da Selic em 0,50 p.p. O Banco Central anuncia hoje a sua decisão para a meta da Selic.

BC decide elevar Selic em 0,75 p.p.

Nota publicada pelo BC:

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% a.a., sem viés.

Isto significa, obviamente, uma elevação de 0,75 p.p. na taxa. A maioria dos membros do Nepom havia previsto, na segunda-feira, uma elevação de 0,50 p.p.

Problemas no mercado de crédito para PJ

Em nossas duas últimas apresentações, mostramos que, após a crise internacional, o nível de crédito concedido a PJ, no Brasil, praticamente se estabilizou e não voltou a expandir-se, ao contrário do crédito a PF, que manteve ritmo normal de crescimento.

Isto pode se tornar – ou já ter se tornado – um problema, pois dificulta que a oferta de bens e serviços cresça na economia, acompanhando a expansão do consumo, que é puxado pela relativa estabilidade de preços, pelo aumento da renda real e pelo crédito farto.

Hoje o Estadão publicou a reportagem “Acesso ao crédito ainda é considerado difícil para indústria“, com o resultado da sondagem realizada pela CNI, chegando à mesma constatação do Nepom. No entanto, segundo o jornal, a CNI “não consegue identificar o motivo da dificuldade das empresas no acesso ao crédito“.

Em nossa última apresentação, mais especificamente, ocorrida dois dias atrás, apresentamos um dos fatores que possivelmente estão limitando a expansão do crédito à PJ: a persistência de altas taxas de inadimplência. Observe o leitor, no gráfico abaixo, como o nível de inadimplência das PF praticamente retomou o patamar pré-crise, enquanto o quadro para PJ continua preocupante:

Fonte: BACEN

Analisando de forma desagregada, observamos que as linhas de produtos financeiros para capital de giro e aquisição de bens são as que apresentam maior persistência na manutenção da inadimplência em elevados patamares. Confira nos gráficos abaixo:

Fonte: BACEN

Fonte: BACEN

A situação é interessante, pois estamos, incontestavelmente, diante de um forte aquecimento da demanda e expansão do consumo interno, o que, a princípio, teria impacto positivo no caixa das empresas. Mas, ao que parece, as fileiras da inadimplência começaram a engrossar no 1º semestre de 2009, e estas empresas não estão conseguindo melhorar sua saúde financeira.

Diante deste quadro, que contamina a percepção de risco dos banqueiros e prejudica a expansão do crédito à produção, podemos questionar: cabe ao governo ou a alguma instituição reguladora a incumbência de interferir no mercado? Ou podemos esperar que o mercado retorne por si só à normalidade? Quais seriam as possíveis medidas a serem adotadas pelo poder público? Qual o custo destas medidas?

Além disso: por que as empresas não conseguem melhorar a saúde financeira, mesmo com a forte demanda interna? Será que a maioria destas empresas inadimplentes não têm o desempenho ligado ao mercado interno, mas ao externo? Talvez desta simples pergunta surge uma possível frente de trabalho para a CNI…

Fica aberta a troca de idéias, para quem se interessar!… O campo de comentários segue logo abaixo:

Apresentação do Nepom – 26/4/2010

Já estão disponíveis para download os slides da última apresentação do Nepom, realizada ontem à noite nas dependências do Ibmec/MG, neste link.

A previsão do modelo econométrico do grupo é de manutenção da taxa Selic em 8,75% a.a. Na votação entre os membros do Nepom, houve 5 votos a favor de um aumento de 0,50 p.p. na taxa, contra um voto a favor de manutenção da taxa.

Qualquer dúvida, comentário ou sugestão, fique à vontade para utilizar o campo de comentários nesta página.

Selic: o Nepom acertou mais uma vez!

Na última apresentação, dia 15/3/2010, o Nepom novamente acertou a previsão acerca da decisão do Banco Central para a taxa Selic: manutenção em 8,75% a.a.

O anúncio foi feito pela autoridade monetária hoje (17/3/2010):  clique aqui e leia a nota no site do BACEN. A ata da reunião deverá ser publicada nos próximos dias. Não foi uma surpresa, para nós, a divisão entre os membros do Copom: três, dos oito votos, foram a favor de aumento de 0,50 p.p. na taxa. A perspectiva de aperto monetário é certa, só havia uma pergunta: quando começaria? Agora não é difícil prever que na próxima reunião haverá maioria de votos para aumento da Selic.