Resultado Fiscal e seu impacto na confiança do Empresário

Gostaria de analisar como o resultado fiscal do Governo Central interfere nas expectativas e na confiança do empresário industrial. No dia 28/05/15, o Tesouro Nacional anunciou o Resultado Fiscal do mês de Abril, apresentando um superávit de R$ 10,1 Bilhões, entretanto, o Resultado Fiscal acumulado de 12 meses obteve um déficit de R$ 35,35 Bilhões.

Para esta analise irei dar um foco no resultado acumulado de 12 meses, para que a correlação não seja viesada por meses com maior captação de Receita, devido ao recolhimento de impostos, ou por meses com maiores despesas, devido ao maior pagamento da Previdência e outros.

O Governo Central no ano de 2013 e 2014 adotou uma política de subsidiar o preço da gasolina e da energia, com o intuito de acelerar a economia nesse período. Mas o resultado dessa política adotada teve um reflexo negativo. O aumento das despesas do governo a partir do subsidio provocou uma redução gradativa no resultado acumulado de 12 meses. No final de 2013 e início de 2014, os superávits acumulados começaram a reduzir, ao ponto que em novembro de 2014 foi apresentado o primeiro déficit acumulado desde o início da série (Janeiro de 1998). De novembro a abril desde ano, todos os meses apresentaram um déficit acumulado que está só se agravando, em novembro era de R$ 2,7 bilhões e em abril foi de R$ 35,35 bilhões.

Como consequência dos resultados ficais do governo, as expectativas do empresário industrial têm se alterado. A Confederação Nacional da Indústria – CNI, publica mensalmente o Índice de confiança do empresário industrial, a expectativa do empresário industrial e também avalia as condições atuais dos empresários em relação a expectativa econômica para os próximos 6 meses, índice chamado de Condições Atuais, e capta avaliação dos empresários sobre as condições da atual situação econômica em relação aos últimos 6 meses, índice chamado de Condições da Economia Brasileira. Estes índices variam de 0 a 100, sendo que os valores acima de 50 indicam otimismo por parte dos empresários.

Resultados e Indices

A correlação de cada índice citado acima em relação ao resultado acumulado de 12 meses está apresentada na tabela abaixo:

Correlação dos iNdices

Uma das explicações para essa correlação se dá quando o governo tem sucessivos déficits fiscais é de se esperar que em algum dia ele fará um reajuste fiscal, esse reajuste certamente provocará uma contração na economia, pois os gastos do governo irão diminuir. Portanto, os agentes econômicos ao identificarem esses déficits, diminuem sua confiança e sua expectativa sobre o futuro da economia, pressionando o governo a tomar alguma decisão de reajuste de forma eficiente, pois a redução dos índices de confiança certamente proporcionará um reajuste na produção, provocando uma contração da economia antes do governo contrai-la.

É de extrema importância para o governo cumprir com o reajuste fiscal de R$69 Bilhões anunciado dias atrás, pois os principais índices que medem a confiança e as expectativas dos empresários industriais estão apresentando resultados pessimistas, e isso pode agravar ainda mais a recessão.

valores dos indices

Fontes:

– Relatório do Tesouro Nacional abril/2015 <Ultimo Acesso: 03/06/2015>

– Confederação Nacional da Industria http://www.portaldaindustria.com.br/cni/publicacoes-e-estatisticas/estatisticas/2015/05/1,40572/icei-indice-de-confianca-do-empresario-industrial.html <último acesso: 03/06/2015>

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A elevação na taxa de desemprego

Ontem, Dia 28/04/15, foi anunciada a taxa de desemprego do mês de Março 6,2%, pior resultado desde maio de 2001, sendo que esta taxa tem aumentado desde o fim do ano passado, juntamente com o saldo de geração de emprego que apresentou nos últimos três meses anunciados um resultado negativo, algo que não acontecia desde novembro de 2008 (ainda não foi anunciado os valores de março), trazendo assim, um resultado ruim a respeito do atual mercado de trabalho brasileiro.

A taxa de desemprego é obtida pela razão entre população desocupada e população economicamente ativa. Segundo o IBGE, a população desocupada corresponde as pessoas que não estão trabalhando mas procuram emprego e a população economicamente ativa é composta pelas pessoas desocupadas e as pessoas ocupadas.

A PEA tem reduzido, o que indica que está havendo saída de pessoas do mercado de trabalho, é importante notar que a redução da PEA pode provoca um aumento na taxa de desemprego, pois numa população menor em atividade no mercado de trabalho há o mesmo número de pessoas procurando emprego, a razão entre as duas  populações aumenta. Analisando resultados da PEA de Janeiro/2011 a Fevereiro/2015 obtive uma correlação negativa de 0,4931, mostrando que a PEA e a taxa de desemprego caminham em direções opostas. PEA Desemprego

O saldo de geração de emprego como apresentado no início do texto, tem apresentado resultados muito ruins para o mercado de trabalho, um reflexo daquilo que tem acontecido com nossa Atividade econômica, produção em baixa, utilização da capacidade instalada sendo uma das piores desde de 2009, queda na confiança do empresário industrial e etc. Analisando o saldo da geração de emprego de janeiro/2011 a fevereiro/2015, obtive uma correlação positiva de 0,6742, mostrando que o saldo da geração de emprego e a taxa de desemprego caminham na mesma direção.Saldo Desemprego

Os motivos para as atuais taxas de desemprego são: a redução da população economicamente ativa; o aumento dos desocupados, causado pelas pessoas que foram demitidas em dezembro e que voltam a procurar emprego, e os saldos negativos na geração de empregos, que possivelmente continuará devido contração que estamos passando na nossa atividade econômica.

Referências:

Dados recolhidos no Ipeadata: http://www.ipeadata.gov.br/ <Ultimo acesso em: 29/04/2015>

A composição da Dívida Pública Federal

Uma das políticas adotadas pelo Tesouro Nacional para reduzir os custos e os riscos da Dívida Pública Federal(DPF), tem sido alterar a composição com que os títulos públicos são emitidos. Os títulos da Dívida Pública Federal têm quatro classificações básicas: Títulos prefixados, Títulos remunerados por Indicies de preços (IPCA), Títulos de taxa flutuante (Selic), Títulos Cambiais. O objetivo do Tesouro Nacional tem sido reduzir o montante de títulos de taxa flutuante e títulos cambiais, pois eles apresentam um maior risco para o Tesouro Nacional, é como você criar uma dívida sem saber quanto deverá pagar no final do prazo estabelecido, ficando refém da taxa Selic e da taxa de cambio.

Analisando os dados do Tesouro Nacional de 2008 até 2014, pude concluir que houve uma redução média de 9,84% no percentual de títulos cambiais da Dívida Pública Federal ao ano, obtendo uma redução total de 50,52% nesse período, passando de 9,7% em 2008 para 4,8% em 2014. Os títulos de taxa flutuante tiveram uma redução média de 8,17% ao ano, obtendo uma redução total de 42,28%, passando de 32,4% em 2008 para 18,7% em 2014. Dados recolhidos a partir do Plano Anual de Financiamento de 2008 a 2014¹. Minha intenção é analisar se o custo da Dívida Pública Federal tem reduzido, analisar se o percentual de Juros pagos em relação ao total da Dívida Pública Federal paga tem reduzido.

Primeiro iremos olhar para o percentual de Juros pagos em relação ao total da Dívida Pública Federal paga, a redução média anual foi de 6,34%, obtendo uma redução total de 35,25%, passando de 25,94% em 2008 para 16,79% em 2014.

É importante olhar para a correlação e o nível de significância da correlação, o cálculo da correlação nos informa se as variáveis envolvidas no cálculo seguem na mesma direção e qual é a força de relação entre elas, indo de -1(direção oposta) a 1(mesma direção), e a força é dada pela proximidade do valor modular de 1; o nível significância é a probabilidade de concluirmos que há correlação quando na verdade não há. A correlação obtida entre juros pagos em relação ao total da Dívida Pública Federal e o percentual de títulos de taxa flutuante foi de 0,8603 com nível de significância igual a 1,30% e a correlação obtida entre juros pagos em relação ao total da Dívida Pública Federal e o percentual de títulos cambiais foi de 0,7677 com nível de significância igual a 4,39%. Segue abaixo gráfico mostrando a evolução desses dados:

Screenshot_1Assim, podemos concluir que a alteração da composição dos títulos da Dívida Pública Federal tem reduzido os juros pagos em relação ao total da Dívida Pública Federal, o custo do endividamento público federal tem reduzido. E a meta para este ano é que a composição dos títulos cambias fiquem entre 4% a 6% do total de títulos da Dívida Pública Federal e a composição dos títulos de taxa flutuante fiquem entre 17% a 22% do total de títulos da Dívida Pública Federal.

FONTE:

Plano Anual de Financiamento do Tesouro Nacional do ano de 2008 a 2015 <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/plano-anual-de-financiamento> Acesso em: 24 de março de 2015.

Pai, eu quero uma máquina de dinheiro!

Acredito eu, que a maioria da população desejaria ter uma máquina de dinheiro, seria muito fácil de resolvermos os problemas do mundo, se a criação de moeda deixasse tudo mais constante nas outras variáveis econômicas. Mas estudando Ciências Econômicas eu aprendi que não existe almoço grátis, a economia é repleta de trade-offs. O exemplo que eu quero citar é o da Alemanha no período de 1914-1923.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo alemão resolveu incentivar a produção do país, pois a produção em diversos setores estava caindo, assim o governo resolveu emprestar dinheiro cobrando 5% de juros, taxa muito baixa à época, diferentemente de como é emitida cédulas de dinheiro hoje no mercado (compra de títulos), naquele período o governo apenas fabricava as notas e lançava-as no mercado em forma de empréstimo. A redução da taxa de juros para 5% e a emissão de cédulas, provocou um aumento de 4 vezes na oferta de moeda na economia, no período de 1914-1918.

Em um curto período de tempo, uma taxa de juros baixa incentiva o aumento do investimento o que acarreta um aumento no produto, mas no médio prazo o produto volta para o nível natural mas com o agravante do aumento no nível de preço (Inflação). Também houve outro agravante, mudanças fortes no câmbio Marco-Dólar. Com a grande quantidade de moeda alemã sendo impressa e colocada no mercado, o Marco começou a desvalorizar, em Julho de 1914, $1,00 Dólar equivalia cerca de $4,2 Marcos; em Janeiro de 1919, $1 equivalia a $8,9 Marcos, ocasionando assim um aumento na demanda por produtos alemães, pois estes produtos estavam se tornando mais baratos para aqueles que detinham a moeda do dólar, aumentando ainda mais o preço e agravando o problema da inflação.

Com o fim da guerra a Alemanha foi punida no Tratado de Versalhes, criando uma pesada dívida externa, tudo isso agravou muito a situação alemã, que continuava a imprimir e imprimir papel moeda como tentativa de emprestar dinheiro aos setores de sua economia. No final de 1923, o governo alemão já tinha emitido cerca de 496,5 quintilhões de marcos ³ , o dólar americano estava valendo 4,2 Trilhões de Marcos, a inflação mensal era de 322% ¹ e a Taxa de emissão de Moeda mensal era de 314% ¹.

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Variação dos preços de determinados produtos no período do ano de 1923, em Marcos. Fonte: link na referencia bibliográfica ², pág. 56.

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Cotação do Dólar (US$1,00), Fonte: link na referencia bibliográfica ², pág. 54.

Estudando os efeitos do crescimento da moeda vemos que, a diferença da taxa de crescimento da moeda (gM) em relação a taxa de crescimento do país (gY) é igual a Inflação. Não adianta injetar moeda na economia de forma desajustada, uma forma segura de “criar dinheiro” para a economia sem interferir as outras variáveis é fazendo com que a oferta por moeda seja igual a demanda por moeda, caso contrário, sempre haverá consequência. Não precisamos de uma máquina de dinheiro, precisamos de um aumento na nossa produtividade.

¹ Philip Cagan, “The monetary dynamics of hyperinflation”, em Milton Friedman, org., Studies in the quantity theory of money, Chicago, University of Chicago Press, 1956, Tabela 1.

²Link dos Dados, pag. 5

³ Costantino Bresciani-Turroni, The Economics of Inflation (Terceira impressão, Nova York: Augustus M. Kelley, 1968), p. 440.