Ainda o modelo de (af)Fair(s): qual o número ótimo de anos de casamento? A curva de Laffer da traição

– Oh, meu Deus, tenho que aproveitar para chifrar o marido com o Mário e com o Ricardo…mas até quando??

A brincadeira continua. Vamos dizer que alguém queira fazer uma pequena modificação no modelo original de Fair (que expus ontem neste blog), simplesmente incluindo uma não-linearidade na variável anos de casado (yearsmarried, na base de dados). A pergunta é: será que existe um número ótimo de ano que maximiza o número de casos extraconjugais no ano anterior (veja o post anterior para detalhes sobre a base de dados)?

Obviamente, para se obter os efeitos marginais é necessário fazer um pouco mais de conta, já que se estima um Tobit (nada que você não possa aprender pesquisando um pouco). Bem, eu fiz estas contas (a dica para os efeitos marginais é esta) e descobrimos que o número ótimo de anos de casado que maximiza o número de casos extraconjugais (soa engraçado, né?) é………….15.27 (anos).

Bacana, né? Mas tem mais. Como os dados da variável dependente são de contagem, o modelo mais adequado não é um Tobit, mas sim uma regressão de Poisson. Tudo bem. Fazer isto no R não é difícil e ainda existe um pacote que calcula diretamente os efeitos marginais para alguns modelos, inclusive este (o pacote é este). Fazendo isto, temos que o número ótimo de anos de casado que maximiza o número de casos extraconjugais é de 16.34 (anos). Em relação ao modelo anterior, basicamente, é uma diferença de um ano.

Antes de me jogar no caldeirão do demônio, tenha cuidado. Afinal, o termo de segunda ordem dos anos de casado é fracamente significativo no Tobit (embora forte na regressão Poisson). Além disso, um teste simples de sobre-dispersão indica que este pode ser um problema nos dados. Assim, uma boa idéia é estimar a regressão com erros-padrão robustos. Fazendo isto, a significância do termo de segunda ordem desaparece.

Desta forma, o leitor deste blog já pode se divertir com a discussão sobre validação interna e externa deste modelo (leia um pouco do livro de econometria do Stock e Watson para ter uma idéia melhor do que estou falando). Muito cuidado com as conclusões: uma análise mais detalhada é essencial aqui.

p.s. Não fique brava, leitora. A base de dados não é apenas de homens traidores: mulheres também estão lá.

Uma resposta em “Ainda o modelo de (af)Fair(s): qual o número ótimo de anos de casamento? A curva de Laffer da traição

  1. Pingback: Dica R do Dia – visualizando os coeficientes dos casos extraconjugais (opa!) | De Gustibus Non Est Disputandum

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