A Desaceleração do Gigante Asiático

No cenário internacional é interessante destacar a maneira com que o Banco do Povo da China está enfrentando a desaceleração econômica presente no país desde o final de 2010. O crescimento chinês até 2010 foi em média de 10% a.a, enquanto em 2014 ficou em 7,4%. Já para esse ano, o FMI calcula que o PIB cresça ainda menos, cerca de 6,8%. Mas quais são os principais fatores que levaram o gigante asiático a essa desaceleração e, como o banco central chinês está tentando conter essa situação?
A queda no crescimento chinês é decorrente, principalmente, da dependência do país em alguns fatores que não podem ser mantidos para sempre. 

Um desses fatores é o investimento estrangeiro que entra no país o qual é essencial para impulsionar a economia. Assim como os outros países asiáticos, a China recebe altos investimentos e, em 2014, chegou a 48% do PIB. Para efeitos de comparação, no mesmo ano o investimento no Brasil representou 19,7% do PIB. 

Foi feita a correlação entre o investimento estrangeiro de 2008 até 2014 e o PIB anual referente ao mesmo período. Como resultado, foi obtido uma correlação positiva de 0,739097754 o que mostra que há fortes indícios de que o investimento e o crescimento do PIB apresentam uma relação diretamente proporcional. O gráfico 1 também mostra que as duas variáveis tendem a caminhar na mesma direção. Quanto mais investimentos o país recebe mais recursos podem ser alocados para os diversos setores da economia, ou seja, mais maquinário pode ser comprado, mais mão de obra pode ser contratada, por exemplo, o que estimula o crescimento.
Gráfico 1. Relação entre o investimento e o PIB 

Fonte: Banco Central da China 

Por outro lado, os altos investimentos podem gerar instabilidade no mercado, como é o caso do setor imobiliário chinês que representa cerca de 20% do PIB e, por conta do grande fluxo de dinheiro injetado paras as construções, está sendo abalado por conta da queda do preço dos imóveis. “Cidades fantasmas” são comuns no país e mostram um exemplo da má alocação de recursos financeiros presentes no país.
A China, também, passa por problemas de mão de obra e, é importante destacar dois motivos. O primeiro é decorrente da lei do filho único que contribui para a queda da oferta de mão de obra no país e, o envelhecimento da população. Em segundo lugar, o intenso fluxo migratório de chineses de áreas rurais para as áreas urbanas vem diminuindo e, em função disso, o preço da mão de obra aumenta o que encarece o preço final dos produtos. Esse fato afeta a balança comercial que é essencial para o crescimento do país.

Os produtos chineses reconhecidos pelo mercado internacional por terem preços muito baixos, agora sofrem com o aumento dos mesmos o que pesa negativamente nas exportações. Em comparação ao mesmo período do ano passado as exportações do mês de Março recuaram 15% e as importações seguiram o mesmo caminho, com queda de 12,7%. A balança, então, fechou com um superávit de U$$3,1 bilhões de dólares o que prejudicou o crescimento trimestral chinês que foi o mais fraco em seis anos, de 7%. Já em Abril, apesar do otimismo de alguns economistas do time do The Wall Street Journal, a balança comercial fechou com superávit menor que se se esperava, em U$$34,1 bilhões de dólares.

Nesse cenário, o banco central chinês diminuiu em 0,25% a taxa de juros, a terceira queda desde Novembro de 2014. Segundo o BC, essa política tende a estimular os bancos comerciais a emprestarem recursos às empresas chinesas e a estimular o consumo interno o qual é muito baixo no país. Além disso, o corte na taxa de depósito compulsório para 2,25% também pode ser benéfico para impulsionar a economia uma vez que mais dinheiro poderá circular no mercado. 

É essencial observar como a segunda maior economia do mundo irá passar por essa desaceleração tanto por ter um grande peso no mercado de compra e venda de commodities, como o petróleo e o minério de ferro, como por ser o segundo maior importador de produtos brasileiros. 

Alguns economistas chamam esse cenário de “aterrisagem suave” e, o FMI encoraja as políticas econômicas que a China vem adotando para que as consequências desse cenário não sejam piores. 
É difícil prever como será o reequilíbrio da economia chinesa, mas economistas do banco central chines acreditam que o mercado de trabalho terá um papel importante nesse caminho. Esse setor que agora é constituído de trabalhadores que exigem salários mais altos, tendem a ter uma maior demanda interna e querem melhores condições de vida nas áreas urbanas, então a aposta do governo é que esse mercado aumente a demanda interna do país que é baixa. Há, também, o setor industrial que se encontra inchado por conta de altos investimentos ao longo dos anos e agora terá que realocar os recursos existentes de maneira mais eficiente para enxugar os excessos. 
Os desequilíbrios desenvolvidos ao longo dos anos já estão gerando mudanças na China, a questão agora é saber se o governo saberá encaminhar o país em direção ao equilíbrio.

Bibliografia
Disponível em:<http://pt.tradingeconomics.com/china/foreign-direct-investment&gt;. Acesso em: 12 Maio de 2015

Walker, Andrew. Porque a desaceleração da China importa para o mundo. Disponível em:<http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150508_china_desaceleracao_lgb&gt;. Acesso em: 10 Maio de 2015

Dow Jones Newswires. China corta a taxa de juros pela terceira vez desde Novembro. Disponível em: <http://www.valor.com.br/internacional/4043064/china-corta-taxas-de-juros-pela-terceira-vez-desde-novembro >. Acesso em: 10 Maio de 2015

Wildau, Gabriel. China vive o fim da mão de obra barata. Disponível em: <http://www.valor.com.br/internacional/4043604/china-vive-o-fim-da-mao-de-obra-barata&gt;. Acesso em: 10 Maio de 2015

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