O Capital Humano e sua Capacidade de Geração de Renda

A importância do capital humano na capacidade de geração de renda de uma sociedade tem sido um tema muito estudado desde o início da década de 90 do século passado. Juntamente com o capital físico e a tecnologia, o capital humano é um dos fatores que mais definem a probabilidade de uma sociedade prosperar. No entanto, muito está sendo debatido sobre os benefícios gerados ao país que manda seus jovens estudar fora. Será que perdemos o talento desses jovens ao mandá-los para o exterior?

Temos observado uma nova tendência entre os jovens de classe média do Brasil: Fazer intercâmbio durante o ensino médio, ou até mesmo fazer a graduação. Não obstante, podemos observar fenômenos parecidos acontecendo dentro do Brasil como a migração de estudantes de Belo Horizonte para São Paulo e Rio de Janeiro e de vários estados do nordeste para o sudeste em busca de uma melhor educação. Um bom exemplo disso é a grande quantidade de estudantes vindo do norte e nordeste estudar em lugares como ITA e IME.

Temos jovens talentosos, sem dúvida. O problema é a falta de exploração da educação no Brasil, fazendo com que a média da escolaridade seja baixa e, por consequência a média salarial também. Com a mão-de-obra é barata em regiões como a do nordeste, lá as indústrias se instalam com o intuito de reduzirem seus custos. Todavia, o que essas indústrias não esperavam é que os trabalhadores, após um curto período de tempo, abandonassem seus empregos e fossem para regiões mais prósperas como o sudeste a procura de um emprego melhor. O que podemos concluir disso é que alto investimento em capital físico e baixo em capital humano (escolaridade), não é uma combinação ótima nem para a sociedade local nem para as indústrias.

Acabamos de analisar o efeito de um alto investimento em capital físico em uma região com baixo investimento em capital humano. Vimos que quando indústrias são instaladas em lugares como o nordeste, as pessoas tendem a migrar para regiões como São Paulo e Rio em busca de oportunidades melhores. No entanto, ainda não estudamos a possibilidade de um alto investimento em capital humano nessas regiões.

Vemos, a seguir, um gráfico que nos mostra a correlação em que maiores notas em proficiência em matemática leva a um salário maior nos diferentes estados brasileiros.

Figura (1): Proficiência em matemática versus salário por UFCaptura de Tela 2015-03-30 às 21.45.17

Fonte: <http://www.fundacaoitausocial.org.br/_arquivosestaticos/FIS/pdf/pesquisa_ensino_salario.pdf&gt;

Ao se fazer investimentos em educação, por mais que os jovens tenham que ir para outros lugares estudar por um tempo, é de se esperar que eles voltem e criem negócios, melhorando a qualidade de vida da população local. Com índices mais altos de escolaridade após o retorno dos jovens que foram um dia buscar melhor educação (não se esqueça, a hipótese é que se invista na educação do local enquanto os jovens que não têm acesso a isso na própria cidade vão para outros lugares) e com novos negócios, a renda média irá aumentar.

Por isso, podemos concluir que um investimento em capital humano, seguido por investimento em capital físico pode ser uma boa pedida para aqueles governantes que queiram ver algum progresso real no país.

Contudo, existe uma parte da história de investimento em capital humano que é um tanto quanto melancólica, no entanto deve ser explicada. É de tocar o coração de todos quando vemos idosos voltando a estudar, como na história da senhora Nola Ochs (1), uma americana de 95 anos que concluiu a graduação em história. Contudo, o país só haverá geração de renda se investirmos em jovens que trabalharão e estão entrando na época produtiva. Então, para esclarecer, como política pública, precisamos de jovens mais instruídos.

Em virtude do que foi mencionado, o capital humano se mostra de significativa importância para o aumento da produtividade marginal dos trabalhadores de uma dada região, mais ainda que o capital físico. De acordo com Mince , o retorno de um ano a mais de escolaridade fica em torno de 10% para uma amostra de vários países. No Brasil, pode-se concluir por meio da especificação minceriana, que o retorno é por volta de 15% (2), o que é de se esperar, já que o Brasil tem uma dotação de capital humano baixo em relação aos outros fatores de produção, fazendo com que sua produtividade marginal seja alta.

Referências:

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