O dólar e a economia brasileira

Os dois maiores bancos centrais estão realizando políticas monetárias diferentes. Enquanto o Federal Reserve (Fed) se prepara para aumentar a taxa de juros americana o Banco Central Europeu (BCE) dá inicio à injeção de euros na economia. Isso vem gerando uma valorização do dólar no mercado, enquanto o euro vem sofrendo queda. A moeda comum vale agora US$1,05 e, economistas já estão afirmando que é provável que ocorra paridade de 1 para 1 entre as moedas.

A mudança na taxa de juros americana é impulsionada pela melhora dos índices da sua economia, o nível de desemprego caiu para 5,5% em Fevereiro e, a política monetária de compra de dólares já sendo vista como concluída. Já no caso europeu, a tentativa do BCE é gerar crescimento e estabilidade de preços na zona do euro por meio de uma política monetária expansionista. Segundo o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, essa medida é crucial para que não ocorra uma prolongada deflação dos preços.

No Brasil, o real sofre os impactos da valorização do dólar que, só em 2015, teve alteração de 15% no seu valor, como é possível visualizar na figura 1. O impacto mais rápido sofrido pela economia brasileira é a alta dos produtos importados, como o trigo que influência no preço do pão e os produtos de beleza, o que impulsiona a inflação que já é alta no país. Além disso, a alta do dólar recai sobre a dívida externa brasileira que chega a US$40 bilhões.

Ao menos em parte, a força do dólar se deve ao cenário internacional; as alterações do Fed e a queda no preço do petróleo. Entretanto, o enfraquecimento do real é decorrente de anos de política monetária formuladas incorretamente pelo Banco Central, seja para fins economicos ou políticos e, interferências prejudiciais do governo no mercado, como o controle de preços do setor de energia e da gasolina.

Para entender com mais clareza a relação entre a oscilação do câmbio e a inflação brasileira é interessante analisar o coeficiente de correlação entre as duas variáveis por meio da fórmula :

Correlação(X,Y)= cov(X,Y)/desvio padrão de X . desvio padrão de Y

A correlação é sempre um número entre 1 e -1 sendo que um coeficiente próximo a zero indica uma fraca relação entre as variáveis e próxima a 1 indica uma correlação forte de dependência. Para calcular a correlação entre o dólar e a inflação brasileira foi usada a fórmula da figura 1 e a base de dados da FVG de está disponível no site do Banco Central e, após feitos os cálculos, chegamos ao valor de -0,0777966. Uma hipótese para explicar a fraca correlação é pelo fato do Brasil ter uma economia relativamente fachada, na qual a cesta de bens dos consumidores não é constituída pela sua grande maioria de produtos importados e, além disso, os produtos internacionais quando entram no país sofrem com a pesada carga tributária o que contribui para o aumento do seu preço dentro do mercado desestimulando então o seu consumo. Outra análise importante com a interpretação da correlação é perceber que, uma vez que o câmbio nao pesa tanto na inflação, os problemas que impulsionam a inflação são internos.

O ponto é que, desde 2013, o Brasil estagnou e a recessão não é mais um futuro tão distante como acredita a presidente Dilma. Segundo o IBGE, a inflação acumulada dos últimos doze meses atingiu 7,7% em Fevereiro e, em ordem para contrai-la, o Banco Central elevou a taxa Selic a 12,75%. O controle de preços também não é mais viável para o governo, uma vez que era feito por meio de subsídios aos respectivos setores e o governo precisa cortar gastos para reequilibrar suas contas. Ou seja, os preços tanto da energia como de combustíveis estão subindo, o que pesa mais sobre a inflação.

Podemos ver que o cenário atual não é nada favorável ao brasileiro. As contas públicas estão sendo reajustadas por meio de impostos e corte de benefícios, a inflação está sendo sentida no bolso de todos e a taxa de juros alta faz com que financiamentos e o consumo fiquem mais caros. O Brasil precisa de uma liderança política forte para que os ajustes necessários ocorram de maneira correta e com credibilidade. O que nos resta saber é se Dilma deixará Levy estabelecer metas para que a confiança no Brasil volte e, o país volte a crescer porque o que não falta é potencial.

Bibliografia:

Schwartsman, Alexandre. Os outros. Diponível em: <http://www.schwartsman.com.br/>. Acesso em: 12 de Março2015.

Editorial, O Brasil em um atoleiro. Texto traduzido pelo jornal Folha de São Paulo. Texto original disponível: www.theeconomist.com. Acesso em: 11 de Março 2015.

Rosa, Silva. Dólar fecha em alta com incertezas sobre ajuste e ação do BC. Disponível em: <http://www.valor.com.br/financas/3948970/dolar-volta-fechar-em-alta-com-incertezas-sobre-ajuste-e-acao-do-bc>. Acesso em: 11 de Março 2015.

Dados do Banco Central. Disponível em: <https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores>. Acesso em: 13 de Março 2015.

4 respostas em “O dólar e a economia brasileira

  1. Correlação com dados no tempo…isto pode ser um grande problema. Quando você chegar em Econometria II, a gente volta a falar disto. Mas nada impede que você leia sobre isso em bons livros da área agora. Obrigado.

  2. No parágrafo após a fórmula da correlação:
    “Uma hipótese para explicar a fraca correlação é pelo fato do Brasil ter uma economia relativamente fachada …” . Acredito que a palavra correta seja fechada. Perguntem a seu professor de econometria II como estimar uma curva de Phillips estendida. Ou para um tal de Reginaldo Nogueira o que é Pass-Through cambial. Parabéns pela iniciativa e sucesso!

  3. Pingback: Postagens da Semana 24 - Academia Econômica

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