Um país em estagnação

Em um cenário pós eleitoral, é extremamente importante analisar a situação econômica do Brasil. Isto porque o governo que comandará o país por mais 4 anos terá uma difícil missão pela frente, visto que herdou um país com alta inflação, baixo crescimento do PIB e falta de credibilidade internacional. Por isso, terá que fazer a política econômica da melhor forma possível, a fim de recuperar a confiança do estrangeiro, e de reestabelecer o crescimento brasileiro.

Porém, analisando as políticas feitas pelo governo de Dilma em seu primeiro mandato, é possível ver algumas incoerências na forma de fazer política econômica.

Por exemplo, países que estão com inflação alta e saindo do controle devem fazer políticas que “acalmem” a sua economia, reduzindo a demanda por produtos e evitando a pressão dos preços para cima. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de cortes de gastos do governo, aumento de juros através de política monetária e até com redução de crédito.

O Brasil é um desses países que vem tendo um crescimento excessivo do nível de preços da sua cesta de consumo, mas que não vem sendo comandado por uma equipe econômica que age de forma coerente a fim de combater essa alta.

Como foi citado anteriormente, o principal instrumento do governo para conter a inflação é desincentivar a demanda. Porém, nosso governo não vem fazendo isto de forma eficaz. Cortar gastos, que seria uma das maneiras mais eficientes, tem sido adiado. É fácil ver isso por uma variável chamada de superávit fiscal. Esta representa a diferença entre a receita obtida pelo governo e seus gastos, e tem ficado bem longe da meta estabelecida. No ano de 2014 o valor do superávit fiscal que o governo deveria atingir era de aproximadamente de 49 bilhões de reais, e até agora o superávit não chegou nem perto disso. O governo federal precisa fazer um superávit primário de aproximadamente R$ 48 bilhões de novembro a dezembro para cumprir a meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para este ano. Isto significa que o governo deveria poupar em 3 meses praticamente tudo o que não poupou ao longo do ano. Ou seja, economizar nos gastos não é algo praticado pelo governo atual.

Já a segunda opção dada para a redução dos preços é por meio do aumento de juros, e isso vem sendo feito com certa frequência pelo Banco Central brasileiro, que mantêm a SELIC em 11.25 % atualmente. Porém, taxas de juros tão altas quanto a brasileira, apesar de ter como principal papel a redução da inflação, também contribui negativamente para o país em determinados aspectos. Dificulta o crescimento da economia, deixa a dívida interna brasileira ainda maior e desincentiva a indústria a fazerem novos investimentos. Portanto, é importante lembrar que quando a decisão do governo é de aumentar os juros, isto deve ser feito buscando a maior eficácia possível no combate à inflação, para que gere o menor custo possível para a economia em geral, porque enquanto isso outras variáveis macroeconômicas estão sendo prejudicadas.

Entretanto, mais uma vez, a eficácia dos juros altos no combate a altos preços não vem tendo o resultado esperado. Isso porque ao mesmo tempo que o Banco Central aumenta a SELIC para reduzir o consumo ele libera crédito na economia, incentivando fortemente a demanda por produtos, o que força os preços para cima. Logo, são políticas com objetivos opostos realizadas simultaneamente. Este é um dos grandes motivos pelo qual, mesmo com juros extremamente grandes a inflação brasileira se mantem acima do teto da meta de 6,5% ao ano. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$2.901 bilhões em setembro, com crescimentos de 1,3% no mês e de 11,7% em doze meses, valores relevantes em um momento em que o crédito deveria ser desincentivado.

Por meio de dados divulgados pelo IBGE (de 1995 até o segundo trimestre de 2014), podemos fazer algumas análises estatísticas entre algumas variáveis macroeconômicas.

Primeiramente analisei a correlação (medida estatística do grau relação entre 2 variáveis) entre PIB e gastos do governo. É importante lembrar que valores mais próximos de 1 significam forte relação positiva entre as variáveis, valores mais próximos de menos 1 mostram relação negativa entre as variáveis e quanto mais próximo de zero menos dependentes as variáveis são.

O valor obtido para a relação entre gastos públicos e PIB foi de 0,94, o que mostra uma dependência positiva fortíssima entre elas. Considerando que o Brasil já está próximo do seu nível de pleno emprego, aumento dos gastos então causaria forte impacto no aumento da inflação. Sendo então inconsistente que o governo faça este tipo de política fiscal expansionista em meio ao cenário atual.

Também analisei a correlação entre juros e inflação, mantendo tudo o mais constante, e o valor obtido foi de -0,91, o que relata alto grau de relação entre as variáveis, porém negativo. Ou seja, aumentos de juros, ceteris paribus, deveria ter um bom efeito na redução dos preços.

Contudo, aumento de crédito e inflação tem uma relação positiva de 0,70. Isso mostra que quanto mais credito é liberado na economia, mais os preços tendem a subir. Logo, este conjunto de medidas atuais acabam sendo contraditórias e inibindo o principal motivo pelo qual o Brasil escolhe ter juros tão altos: o combate à inflação.

A economia de um país é repleta de tradeoff, pois cada medida beneficia um lado mas prejudica outro. Por isso, o mais correto é que o que for feito gere o menor custo possível para a sociedade, e o maior benefício. Porém, não é isso que tem ocorrido. Portanto, nestes próximos 4 anos é necessário repensar algumas decisões tomadas pelos órgãos do governo, pois só assim o país conseguira reestabelecer uma política de confiança e credibilidade.

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