Taxa Selic e Depósitos

Os bancos são instituições intermediadoras de crédito, tem a função de captar recursos de poupadores e emprestar (cobrando uma taxa de serviço) para pessoas ou empresas que necessitem de recursos para investir, consumir, etc. É importante dizer que o sistema bancário brasileiro, como na maioria dos países, adota o sistema de reservas fracionárias. Isso significa que apenas parte do dinheiro depositado permanece no cofre do banco e a maior parte é emprestada ou utilizada para outras operações. Suponhamos que uma pessoa deposite mil reais em sua conta no banco A, um depósito à vista, portanto com liquidez imediata; em seguida outra pessoa toma um empréstimo nesse mesmo banco no valor de quinhentos reais. É fácil perceber que agora o sistema não possui apenas os mil reais originais. Embora a base monetária seja a mesma, agora os meios de pagamento disponíveis se multiplicaram. Com o surgimento das moedas fiduciárias e avanços tecnológicos, proporcionando uma infinidade de operações financeiras realizadas eletronicamente, podemos visualizar o efeito multiplicador sobre a economia como a realização de débitos e créditos entre inúmeras contas.

No entanto, para garantir segurança e liquidez ao sistema o Banco Central determina um percentual compulsório de reservas. Podemos dizer que o depósito compulsório é um mecanismo de controle da expansão monetária. Alguns fatores devem ser destacados:

  • As reservas compulsórias existem para depósitos à vista, depósitos a prazo e depósito em poupança;
  • As reservas de depósitos à vista não são remuneradas, as reservas de depósitos em poupança são remuneradas pela mesma taxa paga aos poupadores e as reservas de depósitos são remuneradas pela taxa selic;
  • Os bancos podem optar por fazer reservas voluntárias

Percebemos que mudanças nas taxas de compulsórios e, sobretudo, na taxa selic provocam movimentações entre esses três tipos de depósitos.

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O gráfico mostra que variações na taxa selic alteram significativamente o volume de depósitos a prazo e depósitos à vista, sempre de modo inverso, ou seja, quando a taxa selic aumenta ocorre uma queda no volume de depósitos à vista e um aumento dos depósitos a prazo; quando a taxa selic diminui os depósitos à vista aumentam e os depósitos a prazo diminuem. No ano de 2008, um ciclo de aumento da selic provoca uma forte migração dos depósitos à vista para depósitos a prazo. O mesmo se verifica entre 2011 e 2012. O inverso pode ser visto em 2009, quando redução da selic provocou migração de depósitos a prazo para depósitos à vista.

Para valores de correlação calculados para o período de Janeiro de 2003 até Agosto de 2014 percebemos que existe uma correlação positiva e mais forte entre taxa selic e depósitos a prazo, por outro lado a correlação entre depósitos à vista e taxa selic é negativa, mas próxima de zero, visto que reservas de depósitos à vista não recebem remuneração.

Podemos concluir que quando ocorrem variações na taxa selic o volume dos diversos tipos de depósitos também se altera, ocorrendo uma migração entre depósitos à vista e a prazo. Isso acontece porque os depósitos a prazo são remunerados pela selic e manter reservas desse tipo de depósito junto ao Banco Central pode ser vantajoso para os bancos. Ato contínuo, os bancos oferecem maior remuneração para que seus clientes façam depósitos a prazo, o que explica o aumento no volume desses depósitos no sistema bancário.

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