Café com Papers – Impressões

Bom, esta foi uma semana intensa. Tive que estar no VI Congresso da AMDE, nas salas de aula e na prévia do Nepom acompanhada de pizza e texto do Milton Friedman. Não pude fazer direito tudo, obviamente.

Mas queria compartilhar aqui minhas impressões sobre o texto.

1. Eu já havia visto o modelo – obviamente – de renda permanente ao longo da minha vida em manuais avançados, mas nunca havia lido o texto. Assim, eu me preparei para o debate com uma expectativa boa. Afinal, Friedman é um grande mestre na arte da escrita e na retórica. Abri as contas e esperava que todos fizessem o mesmo porque as contas não são, realmente, difíceis. Nem integral tem. Então, neste ponto, acho que houve uma falha.

2. O texto é interessante e tentei contextualizá-lo. Eu já havia feito isto em sala nas aulas de consumo – que ora estamos terminamos – tendo, inclusive, feito uma aula bastante densa sobre a derivação de uma função consumo sob a hipótese da renda permanente se ajustando de forma adaptativamente. Ali, tentei destacar a importância da conexão teoria-prática com a busca de se estimar modelos que, inicialmente, possuem variáveis não-observáveis como a expectativa da renda permanente. No texto estudado, o problema é da própria renda permanente.

3. Como o texto é pioneiro, esperava que todos discutissem e aprimorassem seu entendimento sobre o significado da renda permanente. Afinal, que conceito é este?

4. Outro objetivo foi o de mostrar que você pode usar estatística para modelar teoricamente relações. Neste ponto, não há ninguém tão didático quanto Friedman. Não sei se todos apreciam isto, mas é uma importante contribuição para a sua forma de pensar incorporar a Estatística no nível teórico (convenhamos: estou falando apenas de três hipóteses sobre correlações que, inclusive, são supostas iguais a zero). Experimente ler um artigo da Econometrica dos anos 90: este insight nunca é claro para alunos de graduação.

Bom, honestamente, não sei se todos entenderam a relação entre renda permamente e transitória. Claro que um objetivo importante nestas leituras dirigidas é você perceber como é que se estuda um texto. Sei que não faço isso tão bem quanto deveria, mas é importante buscar sempre entender um texto ao máximo. Seja com resumos prévios, anotações ao lado, abertura de contas, rabiscos sobre os gráficos, perguntas anotadas aqui e acolá, enfim, tudo isto faz parte do treino.

A impressão que tive é que não tive tanto sucesso em mostrar a apreciação deste texto da forma como acho adequada. Não sei se todos aprenderam algo novo com este texto, mas espero que os membros do Nepom busquem, agora, ler novamente o texto tentando abrir as contas e fazendo, eles mesmos, seus experimentos com o gráfico. A demora com o texto nos tomou um tempo da prévia e teria sido mais eficiente se a leitura tivesse sido mais preparada por todos.

Claro que foi uma grande satisfação dividir minha primeira discussão do texto com interessados no tema.  Em outros tempos, no mestrado, a conversa teria sido com a Roseli (já viram o blog dela?), famosa por puxar as discussões sempre para um nível mais alto. Agora, com alunos de graduação, o que se espera é que a discussão tenha impacto facilitador no entedimento de conceitos e também na interrelação entre matérias diferentes que se aprende no curso. Agora, se isto aconteceu, somente cada um pode dizer.

Bem, vejamos agora qual será o próximo texto.

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