Como queimar seu filme…sem fazer força: breve digressão sobre o problema de se esquecer dos dados

Preâmbulo

Excelente texto do Menzie Chinn sobre como algumas pessoas se esquecem de fazer um pouco de estatística básica (ou talvez não queiram fazer a estatística básica para não perder uma ou outra boquinha).

O problema que ele aponta é abundante no Brasil, principalmente em meios mais preocupados com ideologias do que com resolver problemas, efetivamente. Por que? Porque o tempo é escasso (como nos ensinam praticamente todos os manuais de economia decentes) e, como não podemos fazer tudo o que queremos, temos que fazer escolhas. Não é um problema, claro, se você usa a divisão de trabalho para viver: escolhe coletar dados e deixa um estatístico fazer a análise dos mesmos.

Mas, já diriam os economistas: incentivos importam. Assim, como é que pagamos por isso tudo? Custa dinheiro. Então você escolhe um estatístico um pouco pior ou uma coleta menos bem feita e tenta vender seu peixe. Em um mundo onde há pouca concorrência, pode ser que cole, né? Mas em um mundo com internet livre e gente curiosa, nem tanto. Assim, a lição que se tira deste texto do prof. Chinn é que não devemos sair por aí falando de relações estimadas sem checá-las antes. Ainda mais se estamos propondo políticas públicas (que envolvem impostos…).

Saindo do texto original: digressão sobre o geral

Eu sei que você também acha que o governo é ineficiente e paquidérmico em 99% das vezes em que o vê agindo. Nosso país nos educou assim, não pela doutrinação escolar (que vangloria o governo de forma initerrupta, provavelmente desde que se criou o ensino público), mas pela nossa vida real, nosso cotidiano.

Entretanto, nossa experiência pessoal, individual e, logo, subjetiva, pode não ser generelizável e, portanto, é preciso pensar em meios de se investigar melhor a realidade e entender melhor os mecanismos pelos quais ela opera: suas correlações e causalidades. Há várias formas de se fazer isto, o que nos leva a um outro problema que é a disputa política entre este ou aquele sujeito que se pretende monopolista da verdade (já viu quanto ganham alguns caras por palestras vazias ou por serem amigos de órgãos públicos de financiamento de pesquisa?) e, assim, há sempre alguém defendendo um “pluralismo” que, em verdade, é um não-pluralismo.

Receituário para a sanidade

A melhor forma de evitar o charlatanismo e o baixo nível do conhecimento (e o do debate) é, claro, checar a realidade. Minha opção sempre foi – e provavelmente sempre será – o da economia aplicada. Ela não é fácil, é limitada, tem problemas, mas, se bem aplicada, ela tem um efeito muito bom: ela nos conta algo útil sobre um pequeno aspecto da realidade e nos força a rever conceitos prévios (pré-conceitos, preconceitos).

Quem quiser, que me siga.

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