Inflação: Assunto Polêmico no Brasil

A inflação no Brasil vem sendo um dos assuntos mais discutidos por muitos economistas, políticos e estudiosos atualmente. Um aumento significativo dos níveis de preços vem ocorrendo nos últimos anos em nosso país. Claro que esses números não se comparam aos valores da inflação na década de 90,por exemplo, que chegavam a 80% ao mês, mas mesmo assim a situação atual deve ser tratada com cautela.

Primeiramente, é importante conhecer o índice de níveis de preços utilizado pelo Banco Central na verificação do cumprimento da meta de inflação. Este índice é o IPCA, índice nacional de preços ao consumidor-amplo. O IPCA abrange as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1 e 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos, e residentes nas áreas urbanas. O período de coleta deste índice estende-se do dia 01 ao dia 30 do mês de referência, e é divulgado pelo IBGE. Além disso, vale relembrar que a meta de inflação estabelecida pelo Banco Central é de 4,5% ao ano, porém variações de 2 pontos percentuais para baixo ou para cima desses valores são aceitáveis.

Fazendo uma retrospectiva é possível verificar que o ano de 2009 foi o último até hoje em que a inflação ficou abaixo da meta central de 4,5%, onde fechou o ano em alta de 4,31%. A partir daí a inflação acumulada de todos os anos superaram este valor, e quase estouraram o teto da meta do BC, de 6,5%. De acordo com dados do IBGE, em 2010 o índice fechou o ano em 5,91%, em 2011 em 6,5 %, em 2012 o valor foi 5,84% e em 2013 a inflação acumulada no ano foi de 5,91%.

É fácil ver que os preços dos produtos estão se elevando acima do esperado, e com o objetivo de conter este aumento o Banco Central toma algumas medidas. A mais comum delas é o aumento da taxa SELIC, taxa de juros básica da economia.

Quando a SELIC se eleva, a tendência é de que as pessoas façam menos empréstimos e financiamentos, pelo fato de que terão que pagar juros maiores. Conseqüentemente, o consumo e investimento diminuem, reduzindo a demanda por produtos. Isto leva a uma diminuição dos aumentos dos preços, o que segura a inflação.

Porém, não adianta apenas aumentar os juros do país sem conciliar a isto outras ações extremamente importantes. Para que esta política surta efeito é necessário que junto a ela haja a realização de políticas fiscais adequadas. Esta falta de harmonia entre as ações é o que muitas vezes está fazendo com que o Banco Central brasileiro eleve significativamente a taxa SELIC, mas não obtenha efeitos significativos no combate á inflação.

O cenário brasileiro contemporâneo ilustra exatamente o que foi citado acima. As taxas de juros do país estão extremamente elevadas, em 11%, e mesmo assim a inflação acumulada dos últimos 12 meses estourou o teto da meta, ficando em 6,52%. Com isso, mesmo tendo a maior taxa de juros real do mundo os preços do Brasil permanecem fora de controle.

Isto porque está ocorrendo um descompasso entre as políticas realizadas. Ao mesmo tempo em que o Banco Central aumenta a SELIC, fazendo políticas monetárias contracionistas, ele expande o crédito, que é um tipo de política expansionista. Logo é diminuído o efeito na inflação, pois pessoas não reduzem tanto sua demanda. Além disso, para que o resultado obtido com o aumento dos juros fosse mais significativo o governo deveria cortar os seus gastos, a fim de fazer uma política fiscal adequada. Quando o governo gasta muito, ele aquece o mercado, gerando empregos e renda, e dessa forma aumentando o consumo por produtos que tende a elevar a inflação.

Esta combinação de políticas pode ser vista também pela fórmula do PIB abaixo:

Y= C + I + (G-T) + (X – M)

Sendo :

Y : Pib ou Renda
C : Consumo
I : Investimento
G-T : Orçamento do governo
X – M : Balança Comercial ( exportações menos importações )

Lembrando que o consumo depende apenas da renda, o investimento da taxa de juros e o gasto do governo tanto quanto os tributos são variáveis exógenas.Já a balança comercial depende basicamente da taxa de câmbio, da renda do país local e do resto do mundo.

Veremos abaixo que o que o Brasil está fazendo atualmente contradiz a dinâmica da economia.

Primeiro iremos considerar que o PIB a longo prazo é constante, logo ele não será alterado.

Se o Y é constante, o consumo também é. Logo as únicas variáveis que podem mudar com políticas monetárias e fiscais são I, G, T, X e M. Por exemplo, se o Banco Central aumenta os juros como fez nas últimas reuniões do COPOM os investimentos em capital físico caem,obviamente. A entrada de dólares no país aumenta, por juros altos serem atrativos para investidores financeiros, fazendo com que o real se aprecia frente ao dólar. Desta forma a balança comercial brasileira piora. Sendo assim, para que a igualdade Y = C+I+(G-T)+(X-M) após a realização da política monetária continue sendo verdadeira os gastos do governo devem sim aumentar em determinada proporção, para compensar a queda do consumo e da balança, e para que o lado direito da igualdade permaneça constante. Porém, caso os gastos sejam muito altos, que é o que ocorre no Brasil, o desequilíbrio surge, porque a demanda agregada (lado direito da equação) pode ficar maior do que a oferta (lado esquerdo). Isto influencia os níveis de preço a subirem. Ainda mais pelo fato do Brasil já estar bem próximo do seu nível de pleno emprego.

Além disso, pelo BC expandir os créditos no mesmo momento do aumento da SELIC, os investimentos não caem tanto quanto o esperado.

Enfim, o governo deve entender que gastar exageradamente se tornou insustentável no cenário econômico atual do Brasil. Não só pela enorme dívida interna do país, mas também pela trajetória da inflação.

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