Fumar tem externalidades positivas? Tem.

cigarrochocolateO bom manual de econometria de James Stock & Mark Watson tem uma interessante discussão sobre a demanda de cigarros com dados dos EUA. Mas o mais interessante é o argumento teórico que encontramos lá. Em sua terceira edição, na p.487, encontramos esta ótima intuição:

(…) from a purely economic point of view, smoking also has positive externalities, or benefits. The biggest economic benefit of smoking is that smokers tend to pay much more in Social Security (public pension) taxes than they ever get back. There are also large savings in nursing home expenditures on the very old – smokers tend not to live that long. Because the negative externalities of smoking occur while the smoker is alive but the positive ones accrue after death, the net present value of the per-pack externalities (the value of the net costs per pack, discounted to the present) depends on the discount rate. [Stock, J.H. & Watson, M.M. (2012) : 487]

Deste trecho podemos ainda aprender que aquela desprezada – por muitos alunos – taxa de desconto intertemporal é essencial para qualquer estimativa relativa ao impacto dos fumantes na previdência pública. É, amigos, vocês achavam que a taxa de desconto só atrapalhava sua solução do problema de otimização intertemporal? Pois é. Você é que está se atrapalhando pensando desta forma.

Mas, por que parar na taxa de desconto? Outro ponto ótimo do capítulo é a estimação da demanda em si. Claro, ela é mais inelástica no curto prazo mas, como fumantes podem parar de fumar, é mais elástica no longo prazo.

Sim, este é outro ponto de embate que, muitas vezes, tenho com alunos. Tem gente que insiste que a demanda tem elascidade-preço nula em todos os seus pontos. Mas o ponto é que isto é impossível porque, veja, se fosse o caso, uma queda de 90% no preço do cigarro não faria com que o fumante alterasse sua demanda. O mesmo argumento do “viciado” vale para quedas de preços, embora muita gente não pense nisto na primeira vez em que pensa no problema.

Você pode ir além do livro-texto, claro, e pensar no que fez Gary Becker, falecido Nobel, em sua teoria do vício racional. É uma teoria que muita gente rejeita antes de ler a respeito. Bem, só para provocar, há evidências de que fumar seja um vício racional. Evidências empíricas. No mínimo, interessante, não?

Então, neste texto, você viu que podem existir externalidades positivas do ato de fumar e, mais ainda, este pode ser um vício racional.

 

 

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