“O cara que vende bala no sinal é irracional, ele não sabe o que é melhor para ele”…dizem-me alguns alunos. Será?

Cansei de mostrar exemplos de que o contrário é verdadeiro. Mas veja você mesmo, nesta matéria sobre os “marreteiros” paulistas  (ambulantes que vendem balas e afins nos sinais):

A maioria dos ambulantes compra uma quantidade inicial e, quando vendem tudo, retornam à distribuidora para renovar o estoque e voltar às ruas, buscando pontos estratégicos da cidade como as avenidas Tiradentes, Salim Farah Maluf, Radial Leste, Avenida do Estado e inúmeras outras.

Para driblar a inflação, os marreteiros inventam promoções. Segundo os distribuidores, a tendência é a procura por produtos mais baratos, o que varia conforme o dia. Se hoje é o amendoim, amanhã pode ser a bala de goma. Dessa forma, as possibilidades de lucro são maiores.

Não se convenceu? Bem, eles não fizeram nenhum curso de Econometria, mas:

Os ambulantes contam que existe uma certa sazonalidade ao longo do dia, ou seja, uma certa preferência por determinados tipos de produtos conforme hora do dia. Pela manhã, os produtos que mais vendem são chicletes e balas. Ao meio-dia, aumenta a procura por água e chocolates. No fim da tarde, bolachinhas, amendoins, batatas chips e outros salgadinhos para os trabalhadores que voltam cansados para casa e precisam enganar a fome.

Ah, mas vão me dizer que ele não sabe o que é melhor para ele, que tem que chamar um técnico do IPEA para lhe explicar o que ele deve fazer com sua vida. Será?

“Eu era pintor de carros e ganhava cerca de R$ 1,2 mil por mês”, conta Biro-Biro. “Hoje faturo em média R$ 1.000, mas não sou escravo de ninguém. Tenho liberdade para fazer meu trabalho como achar melhor”.

Como dizem lá nos EUA: I rest my case. Sim, você deveria ler a matéria inteira. Excelente exemplo para uma aula de Microeconomia, ou de Logística, ou mesmo de Ética, já que muita gente acha que “ético” é dizer aos outros como eles devem tocar suas vidas porque, digamos, sabemos mais do que eles o que é melhor para eles. A matéria mostra que a realidade é um pouco diferente do desejo do professor de Filosofia…

Ah, sim: meus parabéns à repórter Vivian Codogno, responsável pela matéria. Vê-se que ela tem noções básicas de Economia e a redação do texto ficou ótima, impecável. Detalhes e narrativa agradaram a este velho leitor.

"O ambulante não sabe mesmo o que quer? Ou você é que ficou um pouco arrogante ultimamente?"

“O ambulante não sabe mesmo o que quer? Ou você é que ficou um pouco arrogante ultimamente?”

Uma resposta em ““O cara que vende bala no sinal é irracional, ele não sabe o que é melhor para ele”…dizem-me alguns alunos. Será?

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