Impactos Econômicos da Copa do Mundo 2014 na Economia Brasileira

A Copa do Mundo FIFA, mais conhecida pelo nome de Copa do Mundo, é uma competição mundial de futebol que ocorre de quatro em quatro anos. Esse campeonato foi criado em 1928 na França e sua primeira edição ocorreu em 1930, no Uruguai. Em 2014 chegou a vez do Brasil ser a sede do evento, em sua vigésima edição.

Durante o governo Lula um dos pontos mais apoiados pelo presidente do país foi que o Brasil sediasse este espetáculo. Em meio a opositores, Lula , e posteriormente Dilma, conseguiram convencer grande parte da população de que nosso país daria conta do recado. E não só isso, mas que a seleção seria hexacampeã mundial e que ser o país comandante dessa festa traria muitos lucros á sua economia.

Porém, muitos estudiosos e economistas já previam que isto não viria a ser a realidade. E durante os preparativos para o espetáculo, foram sendo vivenciados muitos problemas relacionados a infraestrutura, organização e segurança do país. Assim como corrupção no governo brasileiro .

Durante este artigo, analisaremos os resultados da Copa do Mundo 2014 para o Brasil principalmente em um âmbito econômico. Mas também citaremos influências na política do país.

O primeiro tópico a ser discutido será relacionado aos gastos que o governo brasileiro teve para adequar o país ao Padrão Fifa . Estádios, hotéis, aeroportos, transportes, entre outros tiveram que ser reformados e construídos para que o evento ocorresse no nosso território. Isto já era previsto desde o momento da candidatura do Brasil para ser o país sede, porém saíram dos cofres públicos muito mais do que o esperado. Segundo o balanço oficial do governo foram gastos 25,6 bilhões de reais nesta adequação da infraestrutura do país á Copa do Mundo, nove vezes mais do que o previsto em 2007. Além disso, a proposta era de que parte desses gastos viessem do setor privado, o que não ocorreu, sendo que 83 % deste valor saíram dos cofres públicos. Por fim, a fifa foi totalmente isenta de tributações. De 2010 a 2014 o valor de tributos a ser pago seria de mais de 1,1 bilhão de reais apenas em impostos federais.

Diante de tantos gastos, para que a Copa fosse lucrativa para o Brasil o consumo por parte dos brasileiros e estrangeiros deveria ser extremamente alto neste período. Porém, não foi exatamente isto que aconteceu. A receita total com o evento foi de aproximadamente 6 bilhões de reais. O volume esperado de consumo dos estrangeiros durante o Mundial decepcionou. As vendas no varejo foram uma das áreas mais prejudicadas.

De acordo com a Cielo, valor gasto por turistas estrangeiros em junho e julho caiu em 7% se relacionado aos primeiros meses do ano e o principal motivo desta queda foi o fato de que houve uma transferência de gastos para o setor de alimentos e bebidas, que possuem preços mais baixos.

Outro ponto que prejudicou o comércio local foi a redução da jornada de trabalho durante o mundial . Não só jogos da seleção brasileira paravam o comércio, mas também jogos de outras seleções que fossem acontecer nas cidades reduziam o interesse das pessoas por compras e passeios em shoppings, prejudicando o desempenho das vendas.

O setor industrial também sofreu queda no período, tendo não só como motivação a redução das compras, mas também o encarecimento do crédito e a inflação em patamar elevado .

O único setor da economia que obteve resultado positivo foi o setor de serviços, como hotéis e restaurantes, devido a vinda de mais de 1 milhão de estrangeiros para o Brasil. Mesmo assim este setor foi menos beneficiado do que esperado, pelo fato de que muitos dos turistas se hospedaram em seus próprios carros, vans e barracas e muitos deles não vieram com o propósito de gastar fortunas , mas de assistir o evento economizando o máximo possível.

O PMI , índice de compras do HSBC/Markit, que reúne o setor industrial e de serviços mostrou um aumento pouco significativo na atividade do setor de serviços contra uma queda acentuada na mesma do setor industrial. O índice ficou 49,9 em junho, sendo que valores deste índice abaixo de 50 significa contração econômica.

A inflação ( nível de preços de uma cesta de bens ) brasileira também deve ser ressaltada. Mesmo antes da Copa do Mundo o acumulado em 12 meses já estava bastante alto e próximo de superar o teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, de 6,5 % ao ano. Com a Copa do Mundo sendo sediada no Brasil, a tendência é que a demanda por produtos locais aumentem, e consequentemente seus preços também, levando a uma elevação da inflação. Os meses de junho e julho, tradicionalmente no Brasil não são meses em que os preços aumentam de forma significativa. Porém, este ano com a Copa o cenário mudou.De acordo com o índice aumentou 0,40% em relação ao mês anterior, resultando em uma inflação acumulada em 12 meses acima da meta, de 6,52%. Dois itens que tiveram peso significativo para esse resultado foram as passagens aéreas, que registraram alta de 21,95% na variação mensal, e os hotéis, que aumentaram 25,33%.

Logo, é fácil ver que apenas alguns setores específicos foram beneficiados com o mundial, e a economia como um todo foi fortemente prejudicada.

Complementando a análise econômica, é possível ver também influências da Copa na política brasileira. Não só por causa dos gastos enormes com o evento, mas também devido á péssima atuação da seleção brasileira na competição, Dilma Rousseff , atual presidente do país, vem perdendo aprovação da população local.

De acordo com pesquisas recentes feitas pelo Ibope, caso as eleições da presidência brasileira fossem para o segundo turno, ocorreria um empate técnico entre Dilma e seu concorrente Aécio Neves. É importante dizer também que mais uma vez, após perda de força da presidente atual, empresas estatais como a Petrobrás se valorizaram significativamente .

Enfim, A Copa do Mundo de 2014 serviu de lição para o povo brasileiro. É importante sim sediarmos importantes eventos internacionais, mas apenas quando já tivermos condições de oferecer para o povo o mínimo para a sua sobrevivência, como saúde e educação, e apenas quando tivermos também no governo do país, pessoas que se importem primeiramente com a vida da população local, e depois com o que os estrangeiros pensarão de nosso país.

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