Outra dica: o índice de conectividade da volatilidade

Agora sim!

Outra dica para os que curtem dados. Explicação?

 The index is intended to be a measure of how volatility shocks to bank share prices are spread to others.

Legal? Também achei. Mais detalhes aqui.

Para aprender: lápis, caneta e papel ou “tablets”?

Aqui está mais uma evidência a favor da primeira opção. Claro que podemos imaginar que ambos são insumos complementares ao aprendizado, mas o ponto é que a vantagem comparativa do “tablet” talvez não seja a de ser usado como instrumento para anotações e sim para outros fins.

Obviamente, aprender pode ser mais fácil se você estuda métodos de estudo (não confundir com “pedagogia” que é uma área, no Brasil, cheia de problemas, como vemos aqui).

Finalmente, não se esqueça, pesquisas deste tipo são sempre passíveis de crítica por problemas de formatação dos experimentos. Este é um ponto importante que não deve ser desprezado.

Fumar tem externalidades positivas? Tem.

cigarrochocolateO bom manual de econometria de James Stock & Mark Watson tem uma interessante discussão sobre a demanda de cigarros com dados dos EUA. Mas o mais interessante é o argumento teórico que encontramos lá. Em sua terceira edição, na p.487, encontramos esta ótima intuição:

(…) from a purely economic point of view, smoking also has positive externalities, or benefits. The biggest economic benefit of smoking is that smokers tend to pay much more in Social Security (public pension) taxes than they ever get back. There are also large savings in nursing home expenditures on the very old – smokers tend not to live that long. Because the negative externalities of smoking occur while the smoker is alive but the positive ones accrue after death, the net present value of the per-pack externalities (the value of the net costs per pack, discounted to the present) depends on the discount rate. [Stock, J.H. & Watson, M.M. (2012) : 487]

Deste trecho podemos ainda aprender que aquela desprezada – por muitos alunos – taxa de desconto intertemporal é essencial para qualquer estimativa relativa ao impacto dos fumantes na previdência pública. É, amigos, vocês achavam que a taxa de desconto só atrapalhava sua solução do problema de otimização intertemporal? Pois é. Você é que está se atrapalhando pensando desta forma.

Mas, por que parar na taxa de desconto? Outro ponto ótimo do capítulo é a estimação da demanda em si. Claro, ela é mais inelástica no curto prazo mas, como fumantes podem parar de fumar, é mais elástica no longo prazo.

Sim, este é outro ponto de embate que, muitas vezes, tenho com alunos. Tem gente que insiste que a demanda tem elascidade-preço nula em todos os seus pontos. Mas o ponto é que isto é impossível porque, veja, se fosse o caso, uma queda de 90% no preço do cigarro não faria com que o fumante alterasse sua demanda. O mesmo argumento do “viciado” vale para quedas de preços, embora muita gente não pense nisto na primeira vez em que pensa no problema.

Você pode ir além do livro-texto, claro, e pensar no que fez Gary Becker, falecido Nobel, em sua teoria do vício racional. É uma teoria que muita gente rejeita antes de ler a respeito. Bem, só para provocar, há evidências de que fumar seja um vício racional. Evidências empíricas. No mínimo, interessante, não?

Então, neste texto, você viu que podem existir externalidades positivas do ato de fumar e, mais ainda, este pode ser um vício racional.

 

 

Gastos de turistas com a Copa: nós avisamos antes!

Em artigo recente, o Estadão fala do aumento dos gastos com turistas na Copa. Bom, mas você, que leu isto aqui já sabia disto, não? Nosso artigo fala disto: por meio do controle sintético, obtivemos vários contrafactuais – um para cada edição da Copa estudada – e vimos que se há algum efeito deste evento no país-sede ele é, justamente, no gasto dos turistas. Quer saber mais? Então veja nosso artigo aqui (trata-se da versão aprovada para o Encontro da Anpec-Sul. Estamos trabalhando em uma nova versão, só para você saber).

Sete a um???

Risco

O pessoal do Nepom deveria entender e começar a usar a ferramenta citada neste ótimo texto nas análises sobre a economia internacional. Tem bastante trabalho pela frente? Tem. Mas vale a pena.

“O cara que vende bala no sinal é irracional, ele não sabe o que é melhor para ele”…dizem-me alguns alunos. Será?

Cansei de mostrar exemplos de que o contrário é verdadeiro. Mas veja você mesmo, nesta matéria sobre os “marreteiros” paulistas  (ambulantes que vendem balas e afins nos sinais):

A maioria dos ambulantes compra uma quantidade inicial e, quando vendem tudo, retornam à distribuidora para renovar o estoque e voltar às ruas, buscando pontos estratégicos da cidade como as avenidas Tiradentes, Salim Farah Maluf, Radial Leste, Avenida do Estado e inúmeras outras.

Para driblar a inflação, os marreteiros inventam promoções. Segundo os distribuidores, a tendência é a procura por produtos mais baratos, o que varia conforme o dia. Se hoje é o amendoim, amanhã pode ser a bala de goma. Dessa forma, as possibilidades de lucro são maiores.

Não se convenceu? Bem, eles não fizeram nenhum curso de Econometria, mas:

Os ambulantes contam que existe uma certa sazonalidade ao longo do dia, ou seja, uma certa preferência por determinados tipos de produtos conforme hora do dia. Pela manhã, os produtos que mais vendem são chicletes e balas. Ao meio-dia, aumenta a procura por água e chocolates. No fim da tarde, bolachinhas, amendoins, batatas chips e outros salgadinhos para os trabalhadores que voltam cansados para casa e precisam enganar a fome.

Ah, mas vão me dizer que ele não sabe o que é melhor para ele, que tem que chamar um técnico do IPEA para lhe explicar o que ele deve fazer com sua vida. Será?

“Eu era pintor de carros e ganhava cerca de R$ 1,2 mil por mês”, conta Biro-Biro. “Hoje faturo em média R$ 1.000, mas não sou escravo de ninguém. Tenho liberdade para fazer meu trabalho como achar melhor”.

Como dizem lá nos EUA: I rest my case. Sim, você deveria ler a matéria inteira. Excelente exemplo para uma aula de Microeconomia, ou de Logística, ou mesmo de Ética, já que muita gente acha que “ético” é dizer aos outros como eles devem tocar suas vidas porque, digamos, sabemos mais do que eles o que é melhor para eles. A matéria mostra que a realidade é um pouco diferente do desejo do professor de Filosofia…

Ah, sim: meus parabéns à repórter Vivian Codogno, responsável pela matéria. Vê-se que ela tem noções básicas de Economia e a redação do texto ficou ótima, impecável. Detalhes e narrativa agradaram a este velho leitor.

"O ambulante não sabe mesmo o que quer? Ou você é que ficou um pouco arrogante ultimamente?"

“O ambulante não sabe mesmo o que quer? Ou você é que ficou um pouco arrogante ultimamente?”