Uma breve análise do consumo na visão Keynesiana

Keynes foi um famoso economista inglês que contribuiu significativamente para a construção da teoria macroeconômica. Uma das suas grandes contribuições e para o qual daremos ênfase neste artigo é a composição da função consumo.

O PIB (produto interno) de um país, também conhecido como renda, é definido pela soma de todos os bens e serviços finais produzidos por uma economia dentro do território nacional. Ele pode ser calculado pela soma do consumo privado do país, investimentos em máquinas e equipamentos, gastos do governo que são destinados ao consumo e balança comercial, que representa as exportações realizadas pelo país subtraída das importações. Porém o consumo não é um simples componente do PIB, mas a variável que representa a maior porcentagem do mesmo.

Segundo dados da versão 7.0 da Penn World Table referentes ao ano de 2009 e que foi citado no artigo de Fábio Gomes(2009), o consumo representava mais de 71 por cento do PIB em 190 países do mundo analisados no ano de 2009. Porém, obviamente alguns países consomem mais do que outros, e esta decisão não é irracional, mas pode ser analisada de acordo com a função de consumo de Keynes.

Por introspecção, Keynes deduziu uma função consumo representada pela fórmula abaixo:

C=Co+c(Yd)

Lendo a fórmula temos :

O consumo privado de uma economia é definido por um consumo autônomo (Co) mais uma propensão marginal a consumir (c ) vezes a renda disponível da economia (Yd).

O consumo autônomo é um consumo que independentemente da renda da população do país é fundamental para a sobrevivência das pessoas e da economia. É um nível mínimo de consumo. A propensão marginal a consumir é um valor entre zero e um , e representa o percentual da renda corrente do indivíduo que ele gasta consumindo em determinado período . É fácil ver que o valor está entre zero e um pelo fato de que as pessoas de uma economia não ficarão sem consumir absolutamente nada em um período, por isso é impossível que o c seja zero, e ao mesmo tempo não gastarão toda a sua renda corrente naquele mesmo período.

Já a renda disponível corrente é a renda líquida que está garantida mensalmente. Ela pode ser detalhada por :

Yd=Y-RLG-RLE-RDE

A renda corrente seria então toda a produção da economia naquele período, menos a renda líquida do governo, a renda líquida enviada ao exterior e a renda bruta disponível das empresas.

Explicando melhor cada variável temos que :

A Renda liquida do governo são os impostos diretos e indiretos mais outras receitas correntes líquidas do governo menos subsídios e transferências. Ou seja, quando se subtrai da renda total da economia a renda líquida do governo tem-se uma renda final do período, já descontada de obrigações fiscais e acrescidas de incentivos fiscais. Em muitos casos considera-se que quando o país está se expandindo e tendo maior crescimento econômico, os governos tendem a cobrar uma quantidade maior de impostos a empresas, pessoas físicas, etc. E quando os países estão mais desaquecidos e dentro de uma recessão a tendência é de redução de tributos. Com isso é possível relacionar a cobrança de tributos com a renda da economia, dado que existe uma porcentagem maior ou menor da renda que será destinada ao governo de acordo com a situação do país.

Esta relação pode ser representada por RLG = rlg + tY, onde rlg mostra a tributação e os subsídios autônomos, que serão cobrados e dados independente dos status do país ( sempre maior que zero) , e tY mostra a porcentagem da renda destinada ao governo. Lembrando que t é um valor maior que zero e menor que 1 pelo fato de que o governo sempre cobrará uma quantidade mínima de tributos, mas ao mesmo tempo não recolherá a renda toda produzida pela economia.

A Renda Líquida enviada ao exterior representa parte da renda corrente do país que é enviada para fora do território nacional menos a parte recebida de fora do país, devido à transferência de renda, juros pagos a aplicações financeiras feitas no país e no exterior, juros pagos a empréstimos realizados, etc. Pelo fato de ser uma parcela da renda que não permanecerá nos limites nacionais para ser utilizada por exemplo no consumo interno, ela é excluída do PIB.

Por fim, a Renda Bruta Disponível das empresas são os lucros retidos mais a depreciação, ou seja, é descontado da renda do país parte dela que não foi distribuída e logo não será utilizada naquele período . A depreciação também é subtraída pois esta representa perda de capital físico, e portanto não contribuirá para o aumento da renda do país.

Diminuídas todas essas variáveis é possível ter apenas a renda corrente do período, que seria a renda real disponível para o consumo. Keynes considera de pouca importância em sua análise o patrimônio liquido de um individuo.O que mais explica a desconsideração desta variável por Keynes é que ele estava interessado em descrever o agregado macroeconômico, que não sofre muitas mudanças instantâneas.

Keynes também acredita que quanto mais a renda de uma economia cresce, mais o consumo da mesma aumenta, porém em proporções menores, porque a poupança aumenta simultaneamente. Existem algumas críticas a Keynes como o fato dele desconsiderar a renda permanente, o ciclo de vida e as taxas de juros na sua análise de consumo, visto que em uma economia real as pessoas não fazem suas escolhas visando apenas o período atual, mas também considerando o período futuro, como é explicado pela escolha intertemporal. Porém economias que são restritas ao crédito são exemplos de estruturas mais parecidas com o modelo Keynesiano, pelo fato de que não se pode pegar dinheiro emprestado e se tornar um devedor, porém é possível poupar, mesmo que no agregado macroeconômico não seja possível definir o destino desta poupança.

Logo, quanto mais restrita ao crédito uma economia é, mais sentido faz pensar na visão defendida por Keynes, porém quanto mais acesso ao crédito as pessoas e empresas de um país possuem, mais distande deste modelo a economia fica, pois neste caso retornos proporciados por juros e outros detalhes são extremamente levados em conta pelo indivíduo ao consumir no período presente.

 

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