Expectativas Racionais: simples e óbvio

Expectativas Racionais: você sabia o que esperar, né?

Pois é. Outro dia eu falei aqui de expectativas racionais com um exemplo muito simples. Qual não foi minha surpresa ao ver, hoje, Scott Sumner explicar o conceito de uma forma (mais) simples (ainda) aqui! São dois exemplos que eles nos dá sobre o que são expectativas racionais (ele usa ratex para abreviar o termo “rational expectations”).

 The statistician Francis Galton attended a country fair where there was a contest of guessing the weight of an ox. He looked at all the guesses, and not surprisingly found that many were very far from the actual weight. It’s not easy to guess the weight of an ox! But even though the individual members of the crowd were not very smart, the crowd was brilliant, as the median guess was within about 1% of the actual weight–even better than the “expert guesses.” In ratex we don’t even assume that much. We don’t even assume that the public is particularly good at predicting the weight of an ox, but rather that if the ox weighs 2200 pounds, the model should not assume that the public believes it weighs 1800 pounds. That the predictions are unbiased. That’s all.

Sensacional. Como dizem os advogados, I rest my case. Mas se você não está convencido e ainda acha que as pessoas são burras porque não são inteligentes (como você, né?) e que, portanto, expectativas racionais não funcionam, eis o segundo exemplo, mais parecido com o espírito do meu outro post citado acima.

Here’s a second misconception about ratex. The models seem to assume that the public would need a deep understanding of concepts like monetary theory, QE, forward guidance, etc. This is not so. The public’s expectations regarding monetary policy are mediated by the financial markets. Thus if QE causes asset prices to rise, the public notices the market response and changes its expectations of economic growth partly on that basis. All we really need to assume is that the asset markets know what is going on (a much weaker assumption) and that the public pays attention to the asset markets–also highly plausible. The dollar fell 6 cents against the euro on the day QE1 was announced, and yet I doubt one person in 100,000 can explain Rudi Dornbusch’s overshooting model (which predicts that sort of effect.)

Pois é, meus amigos, as coisas não são assim tão fáceis, não é mesmo? A pretensão do conhecimento – para emprestar um termo de Hayek (na verdade, o título da leitura dele na cerimônia de entrega do Nobel) que, por sua vez, não concordaria comigo no que diz respeito às expectativas racionais – é o primeiro passo para o abismo. Por que? Porque não há motivo algum para associar a hipótese de expectativas racionais a algum super-cérebro na cabeça de um qualquer.

Se até Galton percebeu, por que não eu?

Como sempre digo em sala: o mendigo que se recusa a ir para o abrigo sabe o que é melhor para ele e você não pode ter a pretensão de saber o que é melhor para ele. Ambos sabemos que seria a vida dele muito melhor se tivesse emprego, etc. Contudo, os parâmetros da vida dele são diferentes dos seus e, para eles, a melhor solução – racional – é a que ele tomou. Não vou discutir casos isolados como o de loucos, esquizofrênicos ou pessoas que escolhem matar alguém porque estão sob o efeito de drogas. Estou falando do mendigo mediano, assim como escrevo para um certo leitor mediano.

Quem avisa, amigo é!

Obviamente, podem existir críticas a quaisquer conceitos científicos, mas, siga meu conselho: aprenda o que é básico primeiro e seja mestre no manejo das ferramentas básicas da teoria. Só assim alguém vai acreditar que você tem algo importante a dizer em um debate no qual se critica a hipótese das expectativas racionais. Não adianta querer pular passos: é uma escada e tem degraus (experimente pular passos descendo a escadaria de Aparecida do Norte…). A pretensão do conhecimento, a arrogância, levam muitos a acharem que algo tão simples – e, diria eu, humilde – quanto as expectativas racionais não serve para nada. Ledo engano. Para concluir: que ótimo este texto do prof. Sumner. Não tem como não admirar a capacidade de comunicação e clareza de algumas pessoas. Três vivas para Sumner!

Uma resposta em “Expectativas Racionais: simples e óbvio

  1. Pingback: O boizinho de Galton e a política monetária | Nepom - Núcleo de Estudos de Política Monetária

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