A poupança brasileira precisa aumentar

Recentemente, tenho lido muitos artigos e notícias e também escutado de algumas pessoas, sobre a poupança brasileira estar muito baixa, chegando a níveis preocupantes. Frente isso, decidi escrever este artigo, afinal, em ano de eleição, é sempre interessante procurar saber quais os problemas econômicos relevantes e como eles afetam o país. Primeiramente (alunos que já tiveram Macroeconomia, devem saber), a poupança , é definida como:

S= Y-C-G
Sendo, S, a poupança, Y, o produto(tudo que produzimos), C, o consumo das pessoas e G os gastos do governo.

Já definido o que é poupança, olhemos agora para alguns dados. Segundo reportagem da Folha, o Brasil registrou em 2013, o menor valor de poupança em proporção ao PIB, 13,9%, o menor desde 2001. Podemos também comparar com os países emergentes, os quais são, digamos, rivais do Brasil quando falamos de investimento estrangeiro: a distância entre a poupança brasileira e de países emergentes nunca foi tão grande desde 1980, segundo o FMI. Veja a figura abaixo que ilustra a situação (retirada de reportagem também da Folha):

 

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Dada essa situação, quem é o culpado dessa grande história? O nosso bom e velho governo! Tudo bem que os níveis de consumo de cada país, dependem do consumo das famílias. Estas decidem a quantidade de consumo atual e consumo futuro (que é sensível a taxa de juros), de forma a maximizar seu bem estar. No Brasil, a taxa de juros alta, pode até incentivar o brasileiro a optar por consumo futuro, porém o problema está no incentivo dado pelo governo ao consumo presente, facilitando a aquisição de bens e concedendo crédito “à vontade” para a população, reduzindo assim a poupança e o consumo futuro das famílias e, portanto, do país. Isso sem dizer da poupança pública. O governo, que arrecada cerca de 37% do nosso PIB, gasta grande parte disso. O resultado gerado desse agregado, é a baixa poupança brasileira que enfrentamos nos dias de hoje.

O porque dessa situação ser alarmante, é que para um país investir, é necessário que exista poupança que sustente esse investimento. A lógica por trás disso é muito simples, existe um trade-off entre investir e consumir. Quando consumimos, não investimos e portanto não conseguimos aumentar nossa produtividade. O economista Rodrigo Constantino, já deu um belo exemplo disso em seu blog: “Para Robinson Crusoé investir em uma rede de pescaria, esperando um aumento de produtividade posterior, ele precisa dedicar tempo e esforço extras para poupar recursos necessários antes. Em outras palavras, ele precisa abdicar de consumo presente para garantir recursos suficientes para seus investimentos. O que vale para um homem numa ilha, também vale para a sociedade como um todo”. Além disso, economias que possuem taxas de juros mais baixas, facilitam o investimento, pois tornam financiamentos mais baratos, o que obviamente não é nosso caso, pois atualmente, temos taxas de juros com duas casas decimais (11%).Caso um país não consiga investir, o crescimento apresentado pelo país, será pequeno até mesmo no longo prazo e acredito que não é esse crescimento que nem eu, nem você e que ninguém quer no país onde mora. Queremos desenvolvimento.

Para facilitar a visualização, mais uma imagem (da mesma reportagem da Folha):

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De acordo com a imagem acima, o Brasil é o terceiro menor colocado na comparação com outros 22 países, analisando o percentual do PIB que é investido.Como nossa poupança muitas vezes não é suficiente para bancar os investimentos feitos no país, o Brasil necessita de capital de fora do país, o que resulta em um déficit de conta corrente. Esses déficits, não são sustentáveis por muito tempo, pois o endividamento externo de um país possui limites. Afinal, quanto mais endividado for um país, mais difícil é para ele tomar empréstimos provenientes de outros países. Para que haja investimento, à níveis competitivos com o resto do mundo, o governo tem que se posicionar a favor disso.

As revoltas que aconteceram no Brasil em 2013 e as que provavelmente acontecerão durante a Copa do Mundo, mostram que a população não esta satisfeita com o que se passa no país. O único problema é transformar essa indignação, em consciência na hora de votar. Caso contrário, o governo continuará destruindo nossa economia.

 

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1439889-pais-poupa-58-menos-que-emergentes.shtml
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1466142

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/02/1418697-taxa-de-poupanca-do-pais-e-a-menor-desde-2001.shtml

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/

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