Déficit nas Transações Correntes

O Balanço de Pagamentos de um país contabiliza as transações econômicas feitas com o resto do mundo, incluindo o que entra e sai do país na forma de importações e exportações, serviços, recebimento de doações, empréstimos, assim como pagamentos de capital emprestado por estrangeiros, entre outros. E através dessas informações a situação econômica internacional do país pode ser avaliada.

Há quatro subdivisões no balanço, sendo elas o balanço de transações correntes e a conta capital e financeira, em que estas podem ser classificadas como transações autônomas; além dos erros e omissões, os quais cobrem erros estatísticos cometidos por conta de registros de valores estimados; e por fim a variação das reservas. A primeira delas leva em conta a balança comercial (em que se é contabilizado as exportações e descontam-se as importações) do país, os serviços prestados e rendas, além das transferências unilaterais correntes. Já a conta capital e financeira contabiliza os investimentos diretos e indiretos, como empréstimos intercompanhias e ações, ou seja, é um retrato dos movimentos de capitais do exterior para o país.

A apresentação do Balanço de Pagamentos resume as diferentes contas e transações internacionais de um país, em que tudo o que for crédito é contabilizado com sinal positivo, e o que for débito com sinal negativo. Para se obter o resultado do balanço, deve-se apurar o saldo das três primeiras contas, sendo que se a soma for positiva, tem-se um superávit, caso contrário, déficit. Este saldo deve ser de alguma forma financiado, logo há uma última conta que representa a variação das reservas, de forma que caso ocorra um déficit no balanço, haverá saída de moeda estrangeira do país, tendo uma variação negativa do volume de reservas. O oposto ocorre quando há um superávit no balanço, sendo a variação de reservas positiva indicada por um débito.

No caso brasileiro, o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central, em que se tem como base as transações efetuadas entre residentes no país e residentes em outras nações. No primeiro trimestre deste ano, as contas externas do país registraram recorde negativo, rombo no valor de US$ 25 bilhões, sendo o maior da série histórica desde 1970. Os principais motivos do resultado comercial nos primeiros três meses do ano foram os preços de produtos importantes produzidos dentro do país que não foram favoráveis, em especial os produtos agrícolas, os quais fizeram com que a balança comercial piorasse. Houve também uma mudança na conta de serviços, em que os brasileiros gastaram muito com viagens internacionais no ano de 2013 e no primeiro trimestre deste ano houve estabilidade em relação ao mesmo período do ano passado. Esta mudança foi devido ao aumento do dólar, em que com uma taxa de câmbio depreciada há um desestimulo com viagens internacionais.

O déficit em transações correntes somou 4,71% em proporção do PIB, resultado maior que no primeiro trimestre do ano passado, que somou 2,98% do PIB, referente a US$ 24,76 bilhões, de acordo com informações da autoridade monetária. Segundo Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, o resultado mais importante é o acumulado em doze meses, pois como o PIB tem sazonalidade acentuada, a proporção em relação ao PIB em doze meses tem esse efeito anulado. No acumulado, o resultado somou US$ 81,5 bilhões (3,64% do PIB), até o mês de março.

Imagem1

Banco Central
https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=trocarGrafico

O resultado negativo da conta corrente não foi financiado totalmente pela entrada de investimentos estrangeiros na economia do país, e quando os investimentos não são suficientes para cobrir o déficit, para que as contas fechem, o país deve recorrer em aplicações financeiras ou empréstimos feitos no exterior. Porém, a economia brasileira está pouco atrativa pelo fato do menor crescimento do PIB, além da menor disponibilidade de recursos nos mercados, e com isso se tem mais dificuldade de financiar o déficit da conta corrente. Portanto, o governo deve recorrer às reservas internacionais, que estão acima de US$ 375 bilhões, o que tranquiliza a administração das contas externas brasileiras.

Apesar da reação lenta da balança comercial do primeiro trimestre, para o ano de 2014 há uma espera de melhora na balança por conta dos preços dos produtos brasileiros que estão melhorando na margem, previsão de um resultado negativo de US$ 80 bilhões na conta de transações correntes para todo este ano.

2 respostas em “Déficit nas Transações Correntes

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