Saldo da Carteira de Crédito x PIB Nominal

O objetivo deste artigo é fazer uma comparação entre o crescimento do PIB Nominal e o crescimento do Saldo da Carteira e Crédito no Brasil para alguns anos até 2013. Antes de começar a comparar os indicadores é importante que façamos algumas definições.

O Saldo da Carteira de Crédito corresponde ao volume de crédito que circula na economia incluindo pessoa física e jurídica, tanto para o seguimento de recursos livres como para o de recursos direcionados. Em valores absolutos esse montante chegou a R$2.715 bilhões no final de 2013.

Abaixo, temos um gráfico que mostra o comportamento desse saldo no Brasil:

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O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todas as riquezas produzidas num país durante um dado período. No caso do Brasil, a análise é feita trimestralmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O PIB pode ser dividido em duas categorias: O PIB Real é quando a produção é multiplicada por preços fixos; o Pib Nominal é a mesma produção multiplicada por preços correntes.

O gráfico abaixo mostra uma evolução do PIB Nominal nos últimos anos para o Brasil:

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Agora temos uma tabela que faz a comparação entre crescimento do PIB Nominal com Saldo na Carteira de crédito:

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Como podemos observar de alguns anos pra cá o volume de crédito na economia está aumentando mais do que o PIB. Em resumo o dinheiro ofertado na economia está aumentando mais do que o mercado demanda. Como em todo e qualquer mercado, excesso de oferta resulta em queda de preço, ou se preferirem, desvalorização. E desvalorização da moeda nada mais é do que Inflação.

Então, está aí uma simples comparação entre PIB Nominal e Saldo da Carteira de Crédito, que apesar de simples pode explicar parte da inflação vista nos dias de hoje.

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Acho que valia a pena aumentar mais, mas…

Os membros do Nepom se atrasaram e não colocaram os slides aqui. Acho que vão fazê-lo hoje. Enquanto isto, só para registrar, pessoalmente, eu ainda acho que valia a pena subir mais a Selic. Fossem lá uns 0.25 pontos, já ajudava. Na verdade, como demoraram a agir, agora temos isso.

Bom, eu acho muita coisa e alguns tentam traduzir o que eu acho. Talvez a jornalista tenha incluído seu estilo aqui e ali, mas, no geral, foi isso. Afinal, eu não posso garantir nada, mas vejo uma tolerância maior com a inflação que agora se choca com o ano eleitoral. Vejo outras coisas também, mas deixemos isso para outro dia.

Qual a diferença entre uma queda de 50% no seu salário e uma queda de 50 pontos percentuais? Toda!!!

mandoubemestadao

Viva o Estadão! Jornalista acertou a conta!

Estou cansado de ver gente escrever que o índice estava em 213 no mês passado, passou para 200 neste mês e, portanto, teria ocorrido uma queda de 13%. Errado até não poder mais. O que temos aí é uma queda de [(200 – 213)/213] * 100% que é a mesma coisa de uma queda de 13 pontos percentuais. Isto é muito irritante e já vi jornalista escrever, em jornais locais (mineiros) cada asneira que dá dó. Por isso eu prefiro ler jornais nos quais eu possa ter o mínimo de confiança nos dados apresentados.

…Mas errou no eixo do gráfico!

Assim, quando eu vi a manchete acima, pensei: vamos ver se vale a pena renovar minha assinatura do jornal. Faça você mesmo a conta:  [(109.48 – 145.97)/145.97]*100% = -24.99%. Já estava todo feliz quando percebi o eixo horizontal do gráfico. Repare que há um erro. O mês de janeiro deste ano aparece como “Jan/2013”. Assim, provavelmente, o jornalista (ou a Fecomercio/SP?) errou no eixo horizontal. Onde se lê “Mai/2012”, o correto, creio, é ler “Mai/2013”. Não faz diferença? Faz toda a diferença. Afinal, a queda seria muito menor, pois os 25% dar-se-iam em dois anos, ao invés de um.

Erro tipo I e tipo II – versão Claudio Shikida

Dado que existem dois possíveis tipos de erros, qual deles eu acho menos pior? Honestamente, erro é erro. Mas vou criar minha tipologia bem-humorada de erros. Na minha nova definição – ainda não vaiada pelos estatísticos – o erro tipo I é quando o sujeito confunde 20% de aumento no salário dele com aumento de 20 pontos percentuais. Já o erro tipo II é quando ele se confunde e diz que isto aconteceu em dois anos ao invés de um.

Para mim, ele perceberá rapidamente o erro no calendário, sem maiores consequências (exceto se estiver fazendo o imposto de renda, creio). Logo, o erro tipo II é menos grave. Mas o erro tipo I, este sim, vai doer no bolso dele. Então, eu odeio ambos os erros, mas chamaria a atenção do sujeito com mais seriedade para o erro tipo I e, não, não vou polemizar sobre isto porque não estou criando nenhum conceito. Gente, isto é só a internet, não um debate sobre erros tipo I, II ou III (sim, ele existe).

Mas uma coisa eu digo: minha felicidade com o gráfico só não foi completa por conta do eixo horizontal do gráfico…

Durante a apresentação…

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Como se pode ver, professores Reginaldo, Diogo e Adriano prestigiaram, mais uma vez, o Nepom. Este apoio dos professores é sempre muito apreciado pelos alunos. O professor Afonso também esteve presente (embora não tenha uma foto dele para publicar aqui). Ah sim, os professores fizeram várias boas intervenções. Nem preciso dizer que foram ótimas, mas digo-o assim mesmo.

p.s. podemos ver, ao fundo, uma aluna que parece dormir (em uma das fotos) e outra que parece atenta (em outra das fotos).

A miséria dos intelectuais

O Vitor Wilher encontrou um texto que é “o” clássico da literatura brasileira sobre o pensamento heterodoxo. Sim, ele está aqui e corrige equívocos de muita gente que não leu e saiu fazendo críticas. Eis um trecho muito engraçado.

Davidson (1984, 1996), por exemplo, afirma que entre os axiomas utilizados pela teoria neoclássica encontra-se o “axioma da ergoticidade”. Segundo Carvalho (1992, p. 42), “the axiom of ergoticity assumes that economic processes are basically stationary…” Quando uma hipótese deve ser considerada um axioma? Deve-se esperar, pelo menos, que a maioria dos trabalhos a utilize. Neste caso, no entanto, uma vez mais eu, que trabalho com teoria do equilíbrio geral, sou pego de surpresa pela crítica heterodoxa: jamais encontrei qualquer hipótese semelhante ao axioma da ergoticidade nos principais modelos utilizados pela teoria do equilíbrio geral.

Não é ótimo? Não ler a teoria e criticá-la é fácil. Mas isso também implica ter seu argumento rebatido facilmente. Obviamente, isto pode gerar um efeito psicológico interessante no viés do pesquisador. Aliás, não creio que Marcos Lisboa tenha percebido todas as implicações do trecho que escreveu:

O efeito perverso da crítica que desconhe o seu objeto é o isolacionismo e delírio esquizofrênico que imagina gigantes no lugar de moinhos e, eventualmente, descobre-se melancólica e isolada em um mundo muito distante do sonho construído.

Marcos Lisboa acertou. Não é difícil ver pesquisadores da ala pterodoxa que insistem em criar moinhos de vento em tudo que é oferta e demanda que aparece no livro-texto. Alguns, inclusive, resolvem que sua esquizofrenia não pode ser testada por reles métodos econométricos que não fazem jus ao verdadeiro pensamento que, supostamente, estão em suas cabeças. Não é difícil ter um diálogo com gente de 20, 30 ou 40 anos que começa com: você não leu fulano, logo, não entendeu nada. A teoria neoclássica está errada porque o fulano, que é um gênio, disse de forma cristalina.

Note o qualificativo, a adjetivação mágica, fantástica: cristalina. Quão poderosa pode ser esta imagem? Qualquer coisa que não seja cristalina não pode ser válida, não é? Qualquer um que tome banho uma vez ao dia, pelo menos, não pode aceitar tamanha sujeira neoclássica, não?

Pois é. Mas o problema é que cristalina significa, em 99% das vezes, que o sujeito não apresentou seu argumento: (a) de forma lógica, com álgebra (ainda que elementar) ou (b) acompanhado de testes empíricos para falsear suas hipóteses. Claro, não é? Sabemos que é mais fácil vender um produto apelando para vinte e poucas letras do alfabeto e uma boa retórica do que para um sistema de equações estocásticas.

Ou seja, na verdade, o burro do leitor, aquele que o acompanha em aventuras idílicas contra moinhos de vento, entenda-se bem, adora uma alfafa retórica. Uma ração um pouco mais sofisticada já lhe é indigesta. Afinal, pensar dói (ainda mais para o pobre burrinho). E quem foi que disse que o que é cristalino para você hoje, sê-lo-á amanhã, após algum estudo (este sim, dói)? Ou, melhor ainda, quem disse que não se pode dizer besteiras de forma cristalina?

Eu sei, você não leu o texto do Lisboa ainda. Ele é grande e exige algum conhecimento prévio de algumas fábulas, alguns mitos, umas críticas e estorinhas que alguns professores não te contaram porque o tempo é escasso e ele teve que escolher entre cumprir o programa ou te ensinar a batucar no pandeiro. Mesmo assim, é um texto que vale a leitura.