Quero ser um economista

Eis o meu texto de despedida. Como estava muito atarefado com as atividades do estágio e da faculdade, o texto demorou um pouco para sair. A proposta inicial era fazer uma análise de crédito para o Brasil e tentar justificar, através de dados e teorias, o rebaixamento da nota de crédito, mas já fiz algo parecido aqui no blog em meu primeiro texto. Queria deixar algo mais do que uma análise em minha despedida, agora vou escrever para o blog De Gustibus Non Est Disputandum do professor Shikida e teremos muitas análises macro por lá. Queria compartilhar o que aprendi em minha breve passagem pelo NEPOM e o que aprendi até aqui em meu curso de Ciências Econômicas, que já está caminhando para o fim.

Muitas pessoas me perguntam o que faz um economista, onde pretendo trabalhar quando formar e coisas do tipo. Já prometi a mim mesmo que vou escrever essa resposta em um pedaço de papel e andar com ele no bolso. É difícil explicar o que faz um economista, antes mesmo de entrar para a faculdade eu ficava vendo uns vídeos na internet e lia algumas coisas para tentar entender um pouco do que se tratava o curso e as matérias, mas cada um falava uma coisa. Vi definições mais poéticas como “ciência social aplicada” até as mais engraçadas como “engenharia da sociedade”, mas desde que entrei na faculdade vi que era muito mais do que isso.

Inspirado por Frédéric Bastiat, pelo o que vi e pelo o que não vi até aqui, defino curso de economia como a “ciência daquilo que não se vê” e como Paulo sugere na carta aos Hebreus, acreditar naquilo que não se vê é o primeiro passo para se fazer grandes coisas.

O curso de economia vai exigir de você um nível e uma capacidade de abstração acima da média de qualquer outro curso. Olhar para um modelo IS-LM, coisa que se vê no primeiro período, e chegar a conclusões interessantíssimas a respeito de política monetária, olhar para uma caixa de Edgeworth e para os Teoremas de Bem-Estar Social e enxergar a pauta do atual governo em algumas curvas não é para qualquer um. Por isso estudamos Cálculo, para aprendermos a abstrair resultados de correlações complexas entre variáveis importantes e também História, para vermos algumas teorias interessantes que já foram propostas para explicar os fenômenos econômicos e outras nem tão interessantes assim, no mínimo você não repete algumas besteiras que já foram ditas no passado. Funções utilidade, Condições de Karush-Kuhn-Tucker, análise IS-LM-BP com Regra de Cramer, Séries de Tempo entre outros. A decisão de olhar para o quadro e ver integrais e derivadas misturadas com teorias e achar aquilo ali um saco ou enxergar ferramentas capazes de mudar o país é decisão do aluno, eu recomendo fortemente a segunda opção. Não há almoço grátis, quem estiver disposto a estudar economia vai ter que fazer um esforço e desapegar um pouco do sono, colocar a bunda na cadeira e estudar. Demanda foco, assim como tudo que se quer fazer bem feito na vida.

Ser economista é ter paixão pelo o que faz e não pelo o que se vê. Os meios determinam o fim de maneira menos poética do que os discursos mentirosos que já existiram ao longo da história. Não há nada de triste em nossa ciência, tolos são os que pensam que a eficiência não alcança a todos.

Se você pretende utilizar e conciliar as preciosas ferramentas do curso às finanças e trabalhar em uma instituição financeira, como eu fiz, é uma boa opção, mas se você pretende aprofundar mais seus conhecimentos teóricos e trabalhar com consultorias, desde empresas ou até mesmo para o governo, ou formar outros economistas, também é uma ótima opção. Você pode ir para a política, para a academia e para tanto outros lugares. O mercado paga bem para aqueles que têm capacidade de enxergar coisas que ninguém enxerga e o bom economista faz isso com louvor.

Tive sorte de encontrar uma excelente faculdade, com ótimos professores, dispostos a ensinar e a formar bons economistas. A carga horária de estudo é pesada, mas vale à pena. Recomendo que faça o mesmo, não tope qualquer porcaria na vida por comodidade, só os fracassados fazem isso.

Nem me formei ainda, mas estou tentando chegar lá da melhor forma que posso. A estrada até o diploma é longa, mas eu quero mais do que um diploma, quero ser um economista.

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