A arte de resolver problemas

Como resolver problemas?

Quando eu era aluno de graduação, tinha todos os defeitos que um aluno mediano tinha (ou quase todos) na época. Mas eu procurava sempre melhorar e compreender melhor. Inconscientemente, talvez, eu já tentava minimizar minhas ineficiências técnicas.

Na época eu tomei contato com o livro de Georg Pólya que descrevia a heurística deste grande matemático para a solução de problemas. Tenho até hoje o livro mas, na era da internet, você encontra o método muito mais facilmente. Davis & Hersh (1985) chamam a atenção para o fato de que você não resolverá todos os seus problemas apenas com bons princípios gerais. Em suas palavras:

O acompanhamento de tentativas de transformar as idéias de Pólya em pedagogia prática é de difícil interpretação. Aparentemente, há muito mais no ensino do que uma boa idéia de um mestre. (p.327)

Obviamente, é verdade que se as idéias de Pólya não se esgotam em si mesmas, elas ajudam um bocado àqueles com dificuldades em estudar.

A pedagogia da inteligência oprimida pela tirania da pseudo-cidadania

Lembrei-me de Polya porque, nesta semana, mais uma vez, tivemos a notícia de que nossas crianças e adolescentes sairam-se muito mal no exame PISA (veja mais sobre o que comentei recentemente acerca dos resultados aqui). Não faz muito sentido dizer que vamos formar cidadãos se eles não demonstram a mínima habilidade com o raciocínio lógico e/ou se são analfabetos funcionais. O nome disso, que me perdoem os puristas, é massa de manobra para politicagem. Só interessa a quem deseja destruir uma sociedade ter a maior parte de seus membros sem raciocínio lógico, mas com muito fervor para pedir direitos, direitos, direitos, mas nunca deveres.

Enquanto este lero-lero continua, chineses dão um jeito de estudar inglês no banheiro, no horário do almoço e, seguindo o manual de Economia, aumentam seu capital humano e escapam da pobreza. Eles já leram, formaram sua opinião, aprenderam a fazer contas e podem não saber a história da África ou o nome dos mestres da sociologia (ou da economia), mas estão avançando e enriquecendo de forma acelerada.

Antes de reclamar direitos, temos que entender os conceitos necessários para discutir a possibilidade de existência de direitos ou deveres. Aí é que eu prefiro recomendar a você, leitor, alguma heurística como a de Polya.  Não sei se me ajudou muito – já fazem uns 20 anos que li e tentei usar a heurística – mas a idéia de se organizar melhor para resolver problemas antes de tentar jogar a culpa nos professores, pais ou tentar convencer o(a) monitor(a) da matéria a resolver todos os problemas de sua vida disciplina, é sempre algo louvável.

 

Citando…

Davis, P. & Hersh, R. A experiência matemática. 1985 Francisco Alves Editora.

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