Eu sei que não vou comprar perfumes quando…

Quando? Quando eu  não dou a mínima para os garotos(as)-propaganda das marcas, ora!

Mesmo assim, este estudo mostra quem são as celebridades que mais venderam perfumes. Sabe o que isto me lembra? A velha história de que gastos com celebridade são uma espécie de sunk cost que objetiva sinalizar ao consumidor a qualidade da marca.

Faz tempo que li sobre isto, mas toda vez que vejo estas listas, eu me lembro destas leituras em Organização Industrial (vide o bom e velho livro-texto do Oz Shy, por exemplo). É engraçado como muita gente se esquece que o fato de existir uma vantagem monopolista não é sinônimo de que esta vantagem se mantenha sem custos. Em uma economia de mercado na qual os incentivos realmente sejam de mercado, o gasto será com Halle Berry, Justin Bieber ou Paris Hilton. Já em uma economia de mercado rent-seeking (hoje em dia conhecida como capitalismo de compadres), o que vale são os deputados, os donos de empresa-fantasma, os políticos, etc.

Pensando bem, quantas celebridades brasileiras aparecem em propagandas de perfumes?

Retail sales (in US$ mn)
Celebrity 2009 2010 2011 2012 2013
Halle Berry 9 12 6 4 3
Justin Bieber 31 43 37
Mariah Carey 22 33 32 30 26
Sean John Combs – men & women 54 34 32 29 26
Celine Dion 19 13 10 7 4
Paris Hilton 28 35 33 29 24
Derek Jeter 25 22 18 17 15
Beyonce Knowles 0 21 38 35 31
Jennifer Lopez 33 33 35 40 42
Tim McGraw 11 11 10 8 7
Nicki Minaj 15 20
One Direction 22
Sarah Jessica Parker 12 28 25 22 17
Rihanna 21 24 31
Jessica Simpson 16 18 25 23 20
Britney Spears 30 31 30 27 23
Taylor Swift 24 31 27
Elizabeth Taylor 73 66 67 62 55
Usher – men & women 36 31 27 24 20
Reese Witherspoon 6 9 9 2 0
Retail sales (in US$ mn)
Brand 2009 2010 2011 2012 2013
Elizabeth Taylor White Diamonds 63.6 53.8 54.9 50.7 45.5
Justin Bieber Someday 31.2 29.0 25.0
Wonderstruck Taylor Swift 24.0 23.3 19.6
Avon Derek Jeter Driven 25.4 22.0 17.6 16.9 15.3
Sean John Unforgivable 34.3 18.4 17.2 15.8 13.9
Antonio Banderas 14.0 14.3 14.0 12.5 11.0
Jennifer Lopez Glow 14.3 12.3 11.5 10.8 9.5
Lovely Sarah Jessica Parker 10.1 8.8 8.4 7.9 6.9
Still Jennifer Lopez 8.4 7.2 6.7 6.4 6.0
Curious Britney Spears 10.4 7.0 6.8 6.3 5.7
Britney Spears Fantasy 6.6 7.0 6.9 6.2 5.1
Spirit de Antonio Banderas 6.7 6.0 5.3 4.9 4.6
Elizabeth Taylor Passion 7.6 5.7 5.6 5.1 4.5
Celine Dion 19.0 13.1 9.9 7.2 4.2
©2014 Euromonitor International

– See more at: http://blog.euromonitor.com/2014/04/the-20-best-selling-celebrity-fragrances-in-the-us.html#sthash.W3FTd0dF.dpuf

“Só vendo perfume se este professor aí me der um autógrafo”

Anúncios

Sessão de Cinema

Embora eu tenha pensado em criar uma seção de cinema aqui, o fato é que falamos de sessões de cinema. O pessoal do EconPop tem feito um lento – mas excelente – trabalho utilizando filmes para explicar aos leigos (alunos de Economia geralmente aproveitam pouco isto, embora divirtam-se mais, acho) conceitos básicos de Economia.

É isto mesmo. Basta assistir aos vídeos para ver que eles despertam o interesse pela discussão e nos levam a pensar em conceitos, inclusive, revisando preconceitos (e corrigindo-os, dependendo do quanto o indivíduo está disposto a abrir mão de suas crenças anteriores…).

Nada disto, contudo, muda o fato de que os vídeos são ótimos e didáticos. Divirta-se.

Dica de amigo, basquete e filosofias…

Minha dica de amigo para os leitores do blog que já viram o potencial gigantesco do R é esta. Ah sim, para quem gosta de basquete e de R, a dica é esta. Caso tenha gostado da segunda dica, vá para a primeira…

Mudando de assunto, eis uma discussão filosófica que não tem nada a ver com o blog, mas só está aqui para quebrar o clima. Talvez você prefira outra discussão, relacionada a livros pop.

“É, a coisa não tá fácil para ninguém”.

Tá preocupadinho com (a possibilidade de uma nova) crise financeira?

Então vai pescar. Ou vai trabalhar para tentar evitar problemas. Que tal construir indicadores? Este pessoal do BoJ fez isto. Qualquer um que já tenha estudado um pouco de Econometria – e ache que Econometria tenha aplicações………em Economia – certamente já parou para pensar em um dos seus aspectos mais famosos: a previsão.

Bem, previsão é uma palavra vaga e podemos estudar diversos aspectos da previsão, mas os instrumentos, as ferramentas, enfim, relacionadas à previsão também são parte integrante do pacote. Que pacote? O de geração de indicadores. Eu vou estranhar muito se você não ler o texto acima e não pensar nas conexões do mesmo com o que aprende em Econometria (básica, intermediária ou avançada).

Olha, é um texto longo, mas vale a leitura. Obviamente, não vai dar para mastigar o texto para você porque sabemos que isso não vai te ajudar. Então, mãos à obra. Se eu fosse aluno, destes apaixonados por Macroeconomia, estaria pesquisando sobre o tema.

 

Melhor ganhar um ‘A’ ou um ’98’?

Esta é uma questão econômica, como sabem os alunos mais avançados, que já estudaram teorias econômicas de estruturas de mercados e, portanto, já conhecem um pouco de Teoria dos Jogos.

Eis a resposta.

We have shown that a certifier who is trying to maximize information to the public should, paradoxically coarsen his information before reporting it. Rather than simply revealing what he has measured, the certifier will reveal only part of what he knows, and in some situations will only reveal whether afirm passes a quality threshold. The certifier faces a tradeoff between coarse grading, which attracts more firms to be certified, and fine grading, which informs the public better about the firms attracted. We show that the optimal tradeoff always involves some coarseness.

Interessante, não? Quem diria que certificação (ou que o tipo de certificação) é um problema econômico! A intuição do artigo está toda na introdução:

When the certifier wants to provide accurate information to consumers, why make the information coarser than necessary? We suggest that the answer often lies in whether certification is voluntary. In many situations such as certification for eco-labels some costly cooperation from thefirm is required so the certifier needs to consider the incentives of the firm to voluntarily participate. Just as a potential student is reluctant to go to a medical college that will publicly rank him as the worst student who graduated, a firm does not want to pay much for a seal of approval that tells the world it barely passed. Hence a certifier who wants to maximize information to consumers needs to consider how the grading scheme affects the willingness of firms to be certified at all.

If the certification grade is coarse, mediocre firms are pooled with betterfirms so their expected quality conditional on the certification grade is higher than their true quality. Hence these firms have more incentive to bear the costs of certification and participation in the certification scheme rises. We show that, at the margin, the extra information from increased participation outweighs the loss in information due to coarseness, so the scheme that maximizes information to consumers paradoxically always involves some coarseness. Moreover, under plausible conditions the optimal scheme is maximally coarse: the product simply passes or fails, with no additional information provided.

Aí vem a matemática toda e, pronto: eu sei que não é um artigo fácil, mas nem sempre publicamos análises que não exigem muito de sua inteligência: alguns posts são mais desafiadores em termos de algumas habilidades (skills) que eu vejo como essenciais em um economista minimamente decente, profissionalmente falando. Uma destas habilidades é a de aprender a ser paciente na leitura de textos mais técnicos. Um falecido professor meu disse, a respeito de uma aluna que lia Minutos de Sabedoria: Ninguém fica sábio em minutos! Minutos de sabedoria, anos de burrice! Vai para dentro da sala estudar!

Eu sei, é engraçado, mas a culpa é do livro que tem este título pomposo/pretencioso. Sabedoria, em termos técnicos, é algo que se adquire lendo um mesmo texto várias vezes. Há textos que nunca entendi completamente, mas dos quais extraí o mínimo para passar em provas lá no mestrado e no doutorado. E é assim que as coisas funcionam, meus caros. Não se aprende de uma só vez e nem esta estratégia de estudar uma semana antes da prova vai lhe dar conhecimento. O trabalho é lento, de formiguinha mesmo, como dizem por aí.

Então, sim, o texto de Harbaugh & Rasmusen não é fácil de se ler. Aquele que quiser seguir em frente com o mesmo deve se certificar de estar em paz com este processo de estudo ora descrito.

p.s. Esta literatura me faz pensar: será que é por motivos similares que as agências de rating dão notas como A, AA, ao invés de 98.4, 76.4, etc?

Sensacional!

Coloquei no De Gustibus Non Est Disputandumlink para um sensacional estudo empírico do Mauro e do Sergio, lá da USP. Todo aluno de Economia que não entende ainda para que serve tudo o que estuda deveria ler e fichar este breve post deles e, depois, deveria sair pesquisando sobre a metodologia adotada.

Há tempos não lia algo tão interessante.