Por dentro da crise na Ucrânia

Desde o final do ano passado, as manifestações na Ucrânia, têm tomado frente nos noticiários mais importantes do mundo. Começando por desentendimentos dentro da própria nação sobre política internacional até uma possível secessão, é fato que o clima na região piora cada vez mais, principalmente com o embate entre países historicamente rivais, como Rússia e Estados Unidos.

Tratando-se então de um tema recorrente e que acho bastante interessante, esse post tem como finalidade expor desde as primeiras causas do conflito e seu impacto na economia mundial.

Primeiramente, devemos saber que a Ucrânia, é um país oriundo do desmembramento da antiga URSS (União das Repúblicas Separatistas Soviéticas) e portanto, relativamente novo (existe há 23 anos).

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A imagem acima facilita a visualização do território ucraniano e também a entender o motivo da população ter interesses antagônicos. Grande parte do território ucraniano, é habitado por uma população com grande influencia cultural russa e que também fala russo. Em todo território, um a cada quatro pessoas falam russo (segundo reportagem da revista Veja, do dia 29/01/2014).

A partir desse cenário, que podemos caracterizar como bipolar, existe a parte da população, vista como a oposição (esse termo, não é necessariamente pejorativo, vejamos) que é a favor de uma aproximação com a União Europeia, enquanto a outra parte, que contava com o até então presidente ucraniano Viktor Yanukovich, é a favor de uma maior aproximação com a Rússia. O tal Yanukovich, recentemente  pressionado pela população pró-Europa a aumentar suas relações comerciais com o bloco, em novembro do ano de 2013, se recusou a assinar um tratado de livre comércio com a União Europeia.  Tal medida, mostra certamente que o governo havia cedido frente às pressões feitas por Vladimir Putin (presidente da Rússia), de se manter dentro do campo econômico e político russo. Um trecho de uma reportagem da revista Época do dia 24/02/2014, evidencia bem a problemática e a pressão sofrida pela Ucrânia: “Além de preferir a proximidade com o poderoso vizinho, Yanukovich temia que Putin orquestrasse uma guerra de preços que inviabilizasse o abastecimento de gás natural, principal combustível do país”.

O resultado disso, não é difícil de adivinhar, a população do oeste e norte (pró-Europa) foi às ruas se manifestar. Os protestos foram intensos e sangrentos, e culminaram na destituição do presidente ucraniano. Além disso, o Parlamento também elegeu um Ministro do Interior interino, Arsen Avakiv. Quem assumiu o governo temporariamente, foi o presidente do parlamento Oleksander Turchynov, que é da oposição.

Desde a destituição do presidente Yanukovich, a tensão se aumentou na península do sul da Ucrânia, a Crimeia. Este, é um território autônomo, onde a maioria da população é de origem russa. Com a intensificação dos protestos separatistas na região, o Parlamento russo aprovou o envio de tropas para a Crimeia, o que foi bastante criticado tanto pelos Estados Unidos, como pela União Europeia. Várias foram as tentativas em favor do recuo das tropas russas, entre elas, um pedido de Barack Obama ao presidente russo, alegando que Vladimir Putin, com o envio de parte do seu exército, havia violado leis internacionais. Um fato bastante relevante e criticado, foi que, no dia 16 de março, ocorreu um reverendo o qual aprovou a adesão à Rússia por mais de 90% da população da Crimeia, que não foi reconhecido pelo Ocidente.

Certamente, é de se esperar (infelizmente) que ocorram ainda muitos conflitos na região. Caso a Crimeia seja de fato anexado pela Rússia, as potências ocidentais irão, com muita certeza, criar punições econômicas e políticas para o país de Putin e obviamente, isso não vai parar por aí. Como por exemplo, o G8, grupo que reúne os países mais industrializados e desenvolvidos do mundo será?, integrado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e Rússia fará uma reunião no dia 24 de março, sem a presença de um representante russo, o qual definirá se a Rússia deve ou não permanecer no grupo.

Economicamente falando, o ocorrido contribui ainda mais para um aumento da incerteza no mercado. Não há como saber exatamente o que está por vir e nem do que as lideranças mundiais serão capazes de fazer. Vale lembrar, que a Rússia é um importante exportador de gás natural e de petróleo, sendo responsável pelo abastecimento energético de importantes países do ocidente, como a Alemanha. Já a Ucrânia, é um importante exportador de trigo, ferro e aço. Rússia e Ucrânia, são grandes importadores da carne suína brasileira, e o conflito na região já tem afetado a exportação deste bem, ela caiu 11,5% em relação ano passado, segundo notícia da Veja (comparando primeiro bimestre de 2013 com o de 2014)

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/crise-na-ucrania-afeta-exportacoes-de-carne-suina-do-brasil

Para quem achava que 2014 era ano só de Copa do Mundo, já podemos ver que até lá há muita coisa para acontecer, isso para não falar depois da Copa do Mundo… Já pensou se o Brasil vira uma Ucrânia nas eleições de Outubro?

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