O eleitor mediano e seu viés de pequena amostra

Esse post é um desabafo e um chamado ao mesmo tempo. Normalmente eu escrevo textos aqui para o blog com uma abordagem mais empírica, uso dados e tento chegar a conclusões conciliadas com a teoria econômica. Digo de uma vez que, se você é o tipo de esquerdista que se ofende muito fácil por qualquer opinião que vai contra a sua, porque você e a sua turminha detém o monopólio das virtudes, que saia dessa página.

Quando mais jovem, me envolvia bastante com política. Claro que dentro das condições de um garoto de 14 anos. Como morava no interior, isso ficava mais fácil e mais divertido ao mesmo tempo. Participava das passeatas, fazia campanha no colégio, usava broche e tudo mais. Claro que não entendia muita coisa, como o sistema político funcionava, mas era como se eu “curtisse” o clima. Uma vez passei na porta de um comitê eleitoral de um candidato fazendo propaganda de outro. A responsável pelo comitê saiu correndo atrás de mim para me pegar, sorte que eu corri mais do que ela.

Com o tempo, não sei o porquê, isso acabou se esfriando um pouco dentro de mim e acabei me tornando um estóico neste sentido. Desiludido com a política nesse país e com maneira que ela é feita, simplesmente parei de me importar. Nem votei na ultima eleição, não fiz o título e não fui votar.

A economia brasileira vive tempos difíceis, só não enxerga quem não quer. Manobras contábeis, déficits públicos, empresas estatais exalando ineficiência, um Banco Central sem credibilidade e uma moeda que cada dia vale menos. Greve aqui, greve acolá. Uma juventude ignorante e desinformada, que vai pra rua gritar sem propósito, sem visão, sem objetivo. Não fizeram nada além de barulho. No meio do ano passado tivemos nada mais nada menos do que uma primavera burra. Não saímos do lugar, tenho nojo da frase: “o gigante acordou”. Coisa mais ridícula e patética. O saldo desse desfile de escola de samba que foram essas manifestações? Mortes. Uma delas do cinegrafista Santiago Andrade, uma morte com a condescendência de todos que estavam ali “mudando o país”. O jornalista Guilherme Fiuza trate desse assunto muito bem neste texto, o qual recomendo a leitura. http://oglobo.globo.com/opiniao/a-bondade-dos-assassinos-11610468

O capitalismo é demonizado. Seja nas escolas, nas universidades, onde a doutrina marxista está no plano de aula, e nos demais antros de ignorância que existem nesse país. Um modelo gerador de emprego e renda, onde a iniciativa privada se levante para, de fato, fazer valer o interesse individual de todos é refutado por teorias incoerentes e sem sentido, onde mais vale uma ditadura do que a liberdade. Dentro de toda esta conjuntura é que entra o viés de pequena amostra do eleitor mediano brasileiro.

É muito difícil falar de capitalismo hoje olhando para o modelo econômico do Brasil. O capitalismo aqui é endógeno a um sistema muito mais comunista do que o contrario. Aqui o capitalismo é ineficiente porque simplesmente, ele não existe. Governo “grande”, espaçoso, gastador e completamente desinteressado em reconhecer e resolver os problemas econômicos. Governo que acredita em almoço grátis.  Olhar para o capitalismo débil do Brasil e chegar a conclusões à respeito do modelo é viés de pequena amostra, para não dizer outra coisa.

O interesse de um governante é manter-se no poder, já comentei isso neste blog e é um ponto que gosto muito de levantar. Dado que os verdadeiros resultados econômicos são heranças de um período longo de tempo, frutos de poupança, investimento etc, acaba se tornando desinteressante para o líder de um governo em um país onde o eleitor mediano tem “viseira de curto prazo”, tomar esse tipo de medida. A questão é que não existe almoço grátis, se esse país quiser crescer e tiver resultados sólidos não será de hoje pra amanhã e uma conta terá que ser paga HOJE.

Dilma não quer fazer os reajustes necessários na economia, este anos teremos eleições, e corrigir a burrada dos últimos 12 anos a essa altura do campeonato seria dar um tiro no pé. Mais fácil fazer uma manobra fiscal aqui, uma remendo ali e depois se dá um jeito. Um jeitinho, bem brasileiro, com cheirinho de cerveja e futebol.

O estado tem que diminuir. Sua ineficiência vem quase que por definição. O estado deve existir para defender a liberdade dos indivíduos, mais nada além disso. Mas como convencer o eleitor mediano disso?

O desafio do Governante que estiver disposto a mudar o Brasil, dentre vários outros, será o de convencer o eleitor mediano de seu viés de pequena amostra. Que capitalismo não é isso que se vê no Brasil, que economia não é o que se vê no discurso esquerdista e que Governo não é uma maquina benevolente disposta a resolver os seus problemas e “cuidar de você”. São pessoas defendo os seus interesses em detrimento aos interesses do “povo”, fazendo valer suas ideologias e vaidades, completamente compromissadas com os seus interesses. Pessoal, mais uma vez, não existe almoço grátis.

Modelo econômico brasileiro só serve para estudar Finanças Públicas, porque você aprende por contradição. O professor Shikida levou para a sala uma reportagem, que comentava sobre o congelamento de preços no setor de energia elétrica. Após ler a reportagem, o professor disse: “eles estão congelando os preços hoje, mas nos vamos pagar essa conta”. O que estamos vendo hoje, pouco mais de seis meses depois? “Pacote de ajuda” para o setor de energia elétrica! Ai o professor é um gênio?! Não, não por isso. Essa coisa de que gerar déficit hoje não resolve nada para o futuro foi uma abordagem proposta por Ricardo no século XVIII e provada por Barro no século XX. Esse “pacote” que será financiado pelo Tesouro, mais conhecido como o “seu e o meu bolso”, estava escrito nas estrelas.

Corrupção no Brasil virou anedota, piada de loira. As pessoas não querem discutir os problemas, quando começa a se falar do assunto, principalmente entre os jovens, o desinteresse é claro. Você vira o chato da turma, o metido a intelectual que divaga sem propor solução.

E como corrigir esse problema? Como mostrar pra quem coloca os governantes no poder de que a visão atual de politica e economia é completamente distorcida por um sistema que existe para gerar essa distorção?

Só a educação é capaz de corrigir o viés de pequena amostra. Esse viés nada mais é do que fruto de um sistema que não investe em educação, na formação política dos cidadãos. Um sistema que quando fala em política, doutrina e não se preocupa em mostrar as demais versões. E “nós”, condescendentes com isso, nos desapegamos da política e dos assuntos que afetam as nossas vidas todos os dias.

Eu tenho um grande objetivo na minha vida: fazer uma contribuição para o meu país, ajudar, fazer alguma coisa que ajude esse país a parar de andar em círculo e, de vez, ser o país da vez. Se possível, na minha área, Economia. Como eu vou fazer isso, não sei, mas de braços cruzados eu sei que não vou conseguir.

Não serei mais um estóico político, indiferente e frustrado. Vou estudar, vou entrar na linha de frente e dar a minha contribuição. Já tem um tempo que já tinha mudado essa minha visão, mas agora está registrado.

Faço um convite aos jovens desse país: estudem, trabalhem e lute pela liberdade econômica e política de vocês. Não aceitem qualquer presidente, ou presidentA. Não aceitem qualquer vereador ou deputado. A nossa indiferença é tudo que eles querem, o prato cheio. Querem que nós nos embebedemos de carnaval e futebol, querem nos obrigar a ir à urna e colocar qualquer um. Não faça isso, pela sua liberdade, pela liberdade da sua família, não faça isso.

Vamos mudar esse país, ajudar as pessoas a terem entendimento do direito a liberdade delas. Vamos fazer algo hoje, por nós e pelas pessoas, que fará com que nós nos agradeçamos no futuro.

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