Sobre o “blogar” aqui

Todo escritor acredita na valia do que escreve.
Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade também. (Mário de Andrade, Poesias Completas, Livraria Martins Editora, 1974, p.17)

Pois é. Mário de Andrade, em sua linguagem própria – na qual a língua portuguesa tinha uma função, digamos, quase ideológica – traz um ponto bem simples à reflexão daqueles que escrevem: devo ou não devo publicar meu texto? Há um misto de medo, timidez e também de (falsa?) modéstia nestas situações.

Todos queremos elogios verdadeiros, ou seja, que signifiquem (ter um significado é algo importante para um escritor) que nosso texto ficou bom, agradou, comunicou, divertiu, fez chorar ou, enfim, despertou algo lá na cabeça do leitor. O mesmo faz um político, mas pensando no (e)leitor, eu sei. Mas não é menos nobre a tarefa de escrever um texto em um blog, principalmente se o dito blog tem um objetivo como o de aperfeiçoar seu capital humano.

Eu diria que o segredo é começar despretensiosamente. Uns poucos cuidados, claro, são necessários: palavras corretamente grafadas, frases e parágrafos que fazem sentido e que se não bailam como o Bolshói, também não derrapam no salão. O tema do texto deve ser escolhido, primeiramente, de forma a que dê prazer ao escritor. Esqueça o leitor no primeiro momento. Parafraseando o dito popular: só pode escrever bem para alguém quem se você escreve bem para si mesmo. Claro, o tema tem que ter alguma relação com a Economia, no caso deste blog. (*)

É, uma imagem não vale mais do que mil palavras e não adianta se esconder atrás de um álbum de fotos: é necessário explicar, escrever. Pensar e redigir. Mas uma imagem ajuda. Não se exige, neste blog, que a imagem seja um primor da arte. Mas, novamente, alguns cuidados básicos são necessários: títulos, legendas, escala, unidades de medida das variáveis, etc.

Com o tempo, o texto melhora. Não há como piorar, exceto se você não tiver o mínimo de vaidade pessoal. Aliás, lembrando Mário de Andrade novamente, talvez a dificuldade inicial seja porque somos vaidosos demais. Achamos que nosso texto é bom demais para o leitor. Ou então, somos vaidosos demais para mostrar um texto que ainda não achamos merecedor da leitura porque pobre.

É bom ter auto-crítica e ser cético. Nada mais saudável, eu diria, para um ser humano do que ser cético e auto-crítico (e repetitivo, quando for preciso reforçar um argumento). Sim, mas como nos ensina a Economia: tudo tem um ponto ótimo. Muita auto-crítica faz mal. Muito ceticismo nos tira a graça no viver. Claro, ser pouco auto-crítico e pouco cético nos brutaliza demais.

Qual é o ponto ótimo do seu ceticismo, de sua auto-crítica e de seu texto? Ora, só praticando para saber ou, hayekianamente falando, descobrir. A gente se descobre nos textos a cada palavra escrita. Aliás, a passagem do pensamento para a palavra escrita é algo extremamente difícil. Tudo o que pensei para escrever este texto não saiu como eu pensei que sairia, acho. Sei lá.

Então, no mundo moderno, com toda esta exposição na “rede”, com tanta “porcaria” para se ler, a gente tem que ser honesto. Como na metáfora da dança aí no alto, um dia a gente tem que perder a vergonha de dar uns passos no salão. Não, não precisa dançar na boquinha da garrafa. Aliás, nem acho que esta seja uma boa idéia. O início da dança pode gerar umas risadinhas aqui ou ali mas, ei, o que foi que te ensinaram sobre a inveja alheia? Todo aquele que não pratica inveja o que o faz e nós dois sabemos quem será um ser humano melhor amanhã, não é?

Desde que começamos com esta história de cada membro do Nepom escrever por aqui, despertamos milhares de novas sinapses que têm resultado em ganhos os mais variados: desinibição, melhora na capacidade de argumentação escrita, percepção mais humilde do mundo, mais organização científica na cabeça e um olhar mais crítico e bem fundamentado do mundo. Uma linha adicional aqui é um argumento melhor na mesa de bar. Um texto bem escrito aqui é uma percepção de que o debatedor não está argumentando bem e está apelando para uma retórica bela, mas vazia. Vários textos fundamentados aqui são uma fonte inesgotável de felicidade para cada autor. Afinal, quer algo mais legal do que se sentir escrevendo melhor e se comunicando com os outros de forma mais clara?

É, Mário de Andrade é muito inspirador. 

p.s. (*) viu só? Eu mesmo errei (e o Alex Cateb ainda me corrigiu um escorregão na grafia de uma palavra. Como você se sentiu ao ler meu texto com duas manchinhas? Ainda bem que não sou assim tão vaidoso. ^_^ (24/02/2014, 07:36 AM)

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