Quando o hamburger não vem, a gente vai de economia

Diz McKenzie neste ótimo livro (leitura em andamento):

Today, evolutionary biologists acknowledge that the brain size of archaic Homo sapiens remained relatively stable until there was an explosion in its size about 500,000 years ago, roughly coincident with the addition of meat to diets and with the development of stone tools.

 Antes de mais nada, note bem: nosso cérebro começa a crescer na mesma época em que adicionamos carne à nossa dieta e, claro, começamos a viver em uma mudança tecnológica com os utensílios de pedra. Evidentemente, não parece adequado imaginar que aumento no consumo de carne gere aumentos proporcionais no tamanho do cérebro, ceteris paribus, porque, imagino eu, a natureza deve ter, sabiamente, colocado algum limite (ou alguma lei do rendimento descrescente) na relação entre o consumo de carne o crescimento do cérebro.
Um pouco mais de detalhes sobre o processo são-nos é-nos dado por Matt Ridley:
Fire and cooking in turn then released the brain to grow bigger still by making food more digestible with an even smaller gut – once cooked, starch gelatinises and protein denatures, releasing far more calories for less input of energy. As a result, whereas other primates have guts weighing four times their brains, the human brain weighs more than the human intestine. Cooking enabled hominids to trade gut size for brain size.
A piada é que o pessoal muito chegado num brócolis da época deve ter ficado para trás na corrida evolucionária, eu sei. E de lá para cá o número de programas de TV no qual o sujeito te ensina a fazer um prato todo enfeitado com pouca comida aumentou nos últimos anos. Graças à produtividade agrícola, vencemos a batalha malthusiana e vivemos em um mundo no qual podemos nos dar ao luxo de reclamar do preço do abacate (comparativamente ao mundo de 30 anos atrás, no qual era difícil achar um abacate). Quem imaginava que iria comer pitaya ou lichia em Belo Horizonte no início dos anos 80?
Pois é. Esta história de alimentação, pobreza ou fome não é estranha aos economistas. Basta lembrar da lei de Engel, lá em Microeconomia. O que ela diz? Eu te digo: ela diz que há uma relação entre mudanças na renda e consumo de bens. Assim é como a interpretamos hoje. Geralmente, claro, falamos de bens não-duráveis. Mas, e originalmente? Cito o link:
Engel’s law is an observation in economics stating that as income rises, the proportion of income spent on food falls, even if actual expenditure on food rises. In other words, the income elasticity of demand of food is between 0 and 1.
Ah sim, os dados originais existem e você pode usar o freeware Gretl para estimar a lei de Engel original (mas cuidado, heim)!  Hoje em dia, como é a lei de Engel? Há evidências de que ela ainda existe? Bem, você pode descobrir umas pistas sobre isto aqui e, claro, no manual do Gretl (nesta versão mais antiga, tem uma breve discussão sobre os dados de Engel).
Ao final de tudo isto, talvez você queira esquecer esta história toda e comer um bom pão com linguiça. Bem, eu aconselho que você vá com calma. Aliás, voltarei ao tema “pão com linguiça” no meu próximo post sobre consumo aqui, ok? Até lá, veja seu livro de Microeconomia e veja a lei de Engel em toda sua plenitude!

2 respostas em “Quando o hamburger não vem, a gente vai de economia

  1. Pingback: Lei de Engel | De Gustibus Non Est Disputandum

  2. Pingback: Ernst Engel e seu almoço | Nepom - Núcleo de Estudos de Política Monetária

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