Reflexões sobre o que se espera de um membro do Nepom

20130407_111022O Nepom inicia mais um semestre. Nesta primeira semana não temos muitos posts novos por aqui. A hora de reflexão chegou e é necessário pensar no que fazer ao entrar neste grupo. Todo mundo sabe que o trabalho é voluntário (é, não temos dinheiro, somos pobres, ok?). Logo, aquele que se candidata, realmente, tem que mostrar uma disposição que eu não esperaria de uma pessoa comum mas, ei, vamos seguir o chavão: quem é que quer ficar ao lado de alguém muito normal?

O treino no Nepom exige muita leitura. Eu diria que um membro perfeito para o Nepom é também um bom exemplo para seus colegas em sala. Particularmente, venho de uma tradição mais antiga, que acredita que o modelo de bom exemplo inclui mais do que apenas as habilidades intelectuais do sujeito. A meritocracia é apenas uma palavra nova que repete o que já sabemos: gostamos de ver trabalho duro ser recompensado. Simples assim.

Mas vamos falar primeiro da parte técnica da tarefa. O ideal é que o sujeito tenha versatilidade no manejo do instrumental básico de um economista, vale dizer, a teoria econômica. Ele também tem que saber distinguir entre economia positiva normativa. Também tem que entender o que é uma estática comparativa e, pelo menos, ter uma idéia do que seja uma análise dinâmica. Minha dica? Ora, bolas, pega o livro do Alpha Chiang (hoje em dia, com co-autor de sobrenome mais complicado de escrever do que o meu, creio que é Wainwright) e procure por estes conceitos lá e dê uma olhada.

Sim, sim, o membro do Nepom tem que ter uma quedinha por matemática e estatística. Portanto, ele tem que ter algum interesse em testar hipóteses ou mesmo a aprender a interpretar dados. Sabe aquelas aulas de Estatística e Cálculo? Bem, uma parte delas serve para isto aqui.

Obviamente, o aluno do Nepom tem que gostar de discutir temas atuais sem medo de ser (in)feliz ao debater os temas. Há quem discuta se há ou não verdade universal ou vida após a morte. Não importa. A economia é uma ciência social, (in)felizmente, e portanto é complicada de se analisar. Some-se a isto os maus economistas e os analistas horrorosos que vemos na TV ou jornais e, pronto, o aluno novato fica todo confuso. Uma de minhas tarefas é lhe indicar boas leituras. A discordância é saudável? É, desde que ela siga regras básicas do método científico e eu não sou destes que despreza testes empíricos (eu aceito até a calibragem, mas não debato com quem acha que matemática não serve para nada).

Muito do trabalho do membro do Nepom também se baseia em sua versatilidade em usar a Internet para aprendizado. Sim, eu sei que você sabe criar uma conta nova no Livro de Caras do Zuckerberg. Mas eu preciso que você saiba pesquisar e, adiantando, tudo que há de interessante no mundo está em inglês. Alguma coisa está em português, mas é tão pouco que, infelizmente, você tem que ler em inglês mesmo. Portanto, a língua inglesa é sua segunda língua no Nepom (aceita-se japonês, mas nunca tivemos candidatos…).

Quero destacar o ponto da ética profissional. O aluno que fundou o Nepom comigo, o Pedro, certamente escreveria um texto melhor do que o meu falando da necessidade disto para um bom membro do Nepom. Acho que ele não fará isto porque anda ocupado com seus modelos lá no doutorado. Mas eu gostaria de lembrar aos novos membros – nesta que virou uma carta de boas-vindas – que você vive no mundo sinalizando para diferentes platéias de forma distinta. Você quer ser o bom namorado para a namorada, o adversário malvado no futebol e o bom aluno para seu professor. Seu “eu verdadeiro”, supondo que exista tal entidade, não é de nosso conhecimento (e talvez nem você saiba quem você verdadeiramente é). Não importa.

O que importa é que você só vai se dar bem na vida sinalizando corretamente. Torço para que você não queira se juntar à massa imbecil do mundo, corrupta e quadrúpede (sem querer ofender os bois e porcos). Sendo assim, suponho que você quer sinalizar que é um profissional capacitado. Logo, todas atitudes que você toma são alvo de análise por parte do professor, do pai, do supervisor, etc. Eu espero ética. Espero colaboração eficiente com membros do Nepom. Espero não ver qualquer traço de preguiça. Espero ver vontade e empenho, desde as mínimas tarefas até as mais complexas. E, sim, eu sou muito bom para detectar mentiras, embora nem sempre eu diga ao mentiroso que sei disso.

É. A entrada no Nepom é uma experiência que você mesmo pode transformar em uma agradável e redentora (e divertida, claro!) experiência. Eu disse “a entrada”? Deveria ter dito “a estadia”. Bem, a entrada deve ter sido, pelo menos, desafiadora. Ainda será porque você, que agora entrou no grupo, verá que tem que correr muito por si mesmo. Eu indico o caminho, mas quem corre é você.

Bem vindo.

Uma resposta em “Reflexões sobre o que se espera de um membro do Nepom

  1. Não poderia concordar mais, Claudio. Acredito que o grande desafio para os estudantes em início de graduação (ou mesmo no meio e no fim) seja aprender a lidar com dados. A gente sabe o quão isso é difícil: unificar toda aquela teoria que a gente aprende com a realidade imposta pelos dados. Não é simples, não é fácil, exige dedicação e muita paciência. Nesse aspecto, grupos como o Nepom facilitam muito a vida: porque coloca desde o início as cartas na mesa!

    Parabéns, mais uma vez, pela iniciativa e vamos em frente!

    Abraços,
    Vítor Wilher

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