Carnaval? Não sei. Mas a inflação é, sim, um fenômeno monetário no longo prazo!

Não consegui encontrar, em breve pesquisa, nada acadêmico sobre o Carnaval no Brasil. Existe algum impacto econômico? Não existe? É negativo? Positivo? Não sei.

Mas encontrei algo interessante, lá na página do professor Fernando Holanda Barbosa acerca da inflação brasileira no pós-Guerra (1947-1980, para ser exato). Você pode ler o texto, em inglês, aqui. Aliás, eu indico qualquer coisa que ele escreva porque sempre foi muito didático (o que não quer dizer que você, menos estudioso, ou mais no início do curso, vai entender tudo rapidinho). A página dele é esta.

Agora, vamos para a melhor frase do texto, que está na conclusão:

The allegation of a substantial contribution of the oil shock to the acceleration in the inflation rate observed after 1973 is not warranted. This finding contradicts the hypothesis that attributes an important role to the behavior of the OPEC cartel in explaining that event.

The most important result, based on the empirical evidence presented here, is that in the long run inflation is a monetary phenomenon. It follows that the most challenging task for Brazilian society in the near future is to shape a monetary-fiscal constitution that precludes financing much of the budget deficit through the inflation tax.

Eu vou dizer a vocês, nada me deixa mais feliz do que ver evidências empíricas mostrando que uma boa teoria realmente é uma boa teoria. Refiro-me, claro, ao Milton Friedman. Eu sei que poderíamos fazer um longo debate aqui sobre choques reais e choques monetários e tudo o mais. Mas é, no final do último dia de uma semana pesada, reconfortante ler esta frase.

Ok, você não gostou. Achou que carreguei no wishful thinking. Ora, basta me mostrar evidências empíricas de boa qualidade para outras hipóteses. Como eu falei, quem sabe a gente não volta ao tema depois? Estou para te dizer que um amigo super-produtivo meu, o Erik, junto com o Ari me ajudaram a pensar neste problema faz algum tempo como você pode facilmente descobrir aqui.

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Depoimento sobre o Plano Real

Adolfo Sachsida, economista do IPEA, faz seu depoimento pessoal sobre o Plano Real. Para você, leitor deste blog, geralmente um sujeito mais novo, que não viu a inflação (sorte a sua), vale a pena. O meu depoimento, você viu, deixei aqui, ontem.

Você sabe quem está falando? Bem, Sachsida é um professor conhecido. Veja o Lattes dele.

p.s. o meu Lattes? Ué, eu coloquei link aqui, faz tempo. Basta você ir até o final da página (= ler do início ao fim, né?).

GECE

Hoje eu conversei por uma hora e meia com o Vitor e o Renato, do GECE. O Vitor começou o GECE há  algum tempo, na mesma linha do Nepom. Ele e o grupo querem fazer uma visita ao Nepom em Belo Horizonte. Bom, então, tem que organizar isto, eu sei.

Mas a conversa foi divertida e irá ao ar em algum momento aí, depois do Carnaval. Não perca, lá no site deles. Segredos podem ser revelados! Eram os deuses astronautas? Lee Oswald queria mesmo matar Kennedy? Elvis está vivo? Tombini manda mesmo em algum lugar? Não perca. Em breve.

p.s. Até lá, claro, aproveite para conhecer o trabalho deles.

Copom eleva taxa de juros em 0.25 pontos percentuais

Sim, agora os fundos estão mais interessantes que a poupança e, se aqueles modelos que a gente ensina em sala de aula fazem algum sentido, você deveria esperar as pessoas fazendo um esforço de realocar seus recursos.  Agora que eu já te falei o que você queria saber, vamos falar um pouco do Nepom.

Mas o modelo errou…meu mundo acabou?

Creio que o pessoal do Nepom fez um bom trabalho na apresentação passada, inclusive, no que diz respeito a entender o papel do modelo econométrico que usamos. Veja, a nossa previsão mostrava, em todos os cenários, que a taxa de juros ficaria inalterada com uma alta probabilidade.

Quanto às apresentações setoriais, sim, elas não exigem que os membros do Nepom tirem conclusões do chapéu sobre a taxa de juros (o que seria bem estranho para um aluno de Economia, né?), mas muitos deles ficaram tensos com o fato de o modelo não indicar o que o mercado indicava (bom sinal, não?). Bem, juntando a análise de conjuntura com o modelo…

É, eu sei. Você queria que ambos (modelo e análise) convergissem para o mesmo resultado. O mundo seria mais simples, né? Ocorre que: (a) você pode errar, (b) o modelo pode errar, (c) o mercado pode errar e, (d) o Banco Central…não ele é o único que não erra, neste caso.

O modelo, veja bem, não pretende substituir o mercado. Ele é mais como, digamos, uma forma alternativa de se estimar possíveis cenários em aliança com o mercado, por assim dizer. O papel do consultor, neste exemplo, é o de tentar melhorar as previsões do cliente, fundamentando-as. Neste processo, ele tem a opção de criar um modelo e trabalhar sobre ele. Significa que acertará sempre? Bem, você estudou Estatística, certo? Não vou perder nosso tempo (obviamente, se o modelo erra sempre, ou se você erra sempre, não me venha jogar a culpa no modelo, heim?).

Então, sim, no Nepom, a gente está treinando, dentre outras coisas, sua capacidade de entender o que significa um modelo econométrico para, digamos, prever a PIM-PF e o que significa um modelo para prever o que o Banco Central deve (no sentido de probabilidades) fazer com a Selic (sem falar no que significa usar informações do primeiro para alimentar o segundo). Esta capacidade deve ser aliada à habilidade de se analisar a conjuntura com o olhar teórico e o olhar de quem sabe com que dados está lidando.

O melhor que você pode fazer…

Simples: estudar o modelo, estudar a realidade, estudar a teoria e praticar tanto que, no final, você entenderá as limitações e alcances do que é capaz de fazer como um economista adulto no mundo.

A liberdade econômica, a boa vontade na Terra, a imprensa acuada e o R…R?

Minha monitora, Isadora, é uma pessoa extremamente eficaz. Com a ajuda dela, pude importar dados de diferentes bases e agregá-los para uma única (ou seriam várias?) visualização gráfica.

Temos, então, o índice de liberdade econômica e seus sub-índices (quanto maior, mais livre, nos sub-índices e no índice), o índice de liberdade de imprensa (quanto menor, mais livre, lembre-se) e o índice de caridade e seus sub-índices (quanto maior, maior a caridade ou o voluntarismo no índice e nos sub-índices).

gapminder

Isadora tabulou parte da base de dados com presteza. O professor, que vive falando de R usou-o para gerar este gráfico. Bonito, né?

O resultado? Graças à Isadora, ele está aqui (por limitações do WordPress.com). Tem poucos anos? Sim. Eu pedi a ela um trabalho mais simples (do ponto-de-vista da tarefa repetitiva) porque queria ter um gráfico para visualizar com muitos países e, neste primeiro momento, poucas variáveis.

Eu não vou entrar em detalhes desta vez porque o gráfico é bem explicativo. Só lembro que o Overall Average é, na verdade, o índice de liberdade econômica na sua última edição. O índice de filantropia é o World Giving Index. O Media Freedom é o de imprensa e, bem, os outros são sub-índices. Para detalhes sobre algumas destas bases, veja meu blog.

Sim, usei o R. O trabalho todo, braçal, diz respeito a saber o que tabular e fazê-lo. O R apenas faz o que lhe peço para fazer. Neste caso, fizemos uso de uma de sua libraries (eu prefiro chamar de “pacotes”). Não, esta dica eu não vou dar. Fica como recompensa para os que se esforçarem mais e não adianta perguntar para a Isadora. ^_^

p.s. Desde que meu ex-monitor, o Lucas (ex-Nepom também), mostrou-me o RStudio, eu o uso sem arrependimentos. Fica aí a outra dica para você.

Peço vinte minutos de sua atenção: são 20 anos de Plano Real!

Sim, são vinte minutos de vídeo-aula. Espero que você assista até o final e aprenda um pouco sobre inflação e também sobre paciência.

Real tem valorização superior ao dólar. Acredite se quiser!

Segundo o Índice Big Mac de janeiro o real teve sobrevalorização de 13,5% em relação ao dólar. A valorização só não foi maior do que na Noruega (68,5%), Venezuela (54,7%), Suíça (54,5%) e Suécia (36%).

O Índice Big Mac foi criado pela revista britânica The Economist em 1986, como um guia para analisar se as moedas estão em seus níveis corretos. Ela é baseada na teoria de paridade do poder de compra (PPC), um princípio de que as taxas de câmbio de longo prazo devem se mover em direção a uma taxa que iguala o valor de uma cesta idêntica de bens ou serviços (neste caso, um hanbúrguer) em diferentes países. Na prática, este índice representa um comparativo do custo médio de produção, bem como custo de vida, entre 57 países.

O preço do lanche nos Estados Unidos é usado como base da pesquisa. Atualmente, ele está em US$4,62. Se um sanduíche em determinado país é mais caro do que esse valor, a moeda está valorizada em relação ao dólar. Caso contrário, se o sanduíche for mais barato do que nos EUA, a moeda está desvalorizada.

Para o mesmo índice ajustado, o qual leva em consideração além do preço dos produtos, o PIB per capta, os resultados são ainda mais surpreendentes. Neste, nós passaríamos a ter o Big Mac mais caro do mundo. Impressionante!!

Teoricamente países pobres deveriam ter na média os preços dos sanduíches menores, já que os gastos com mão de obra são bem inferiores aos dos países ricos. Mas parece que esta lógica não serve para o Brasil!! Ou será que somos um dos países mais ricos do mundo?! Onde a população ganha muito bem, possui saúde, educação e segurança. Acho que não, né?!!

Enfim, o custo de vida no Brasil está altíssimo, a população é mal remunerada e a carga tributária é enorme.