Brasil, um país de todos.

O Brasil passou por 30 anos de desigualdade de renda praticamente inercial, tendência que apenas começou a ser revertida nos anos 2000. Essa última década foi palco de uma queda contínua e substancial da desigualdade, fato que podemos ilustrar pelo Coeficiente de Gini que de 0,594 em 2001, passou para 0,527 em 2011 (o coeficiente varia de 0 a 1, sendo 0 o valor que indica perfeita equidade entre os indivíduos e 1, obviamente, o caso contrário).

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Com base nos dados coletados pela PNAD, o Brasil atingiu em 2011 seu menor nível de desigualdade de renda desde a década de 60, quando a pesquisa fora iniciada. Entre 2001 e 2011 a renda dos 10% mais pobres cresceu 550% mais que a dos 10% mais ricos: é como se os mais pobres estivessem vivendo em um país com alta taxa de crescimento econômico enquanto os mais ricos têm a perspectiva de estarem em um país estagnado. Uma implicação relevante dessa queda expressiva na desigualdade de renda foi a redução da pobreza e extrema pobreza, que ocorre em contextos como o mencionado, onde o crescimento da renda dos mais pobres é mais rápido que o da renda média nacional.

Os dados acima apresentados são estatisticamente significativos e não podem, portanto, ser considerados ilusão metodológica ou estatística. A queda recente da desigualdade foi de fato robusta… mas ainda assim 95% dos países são menos desiguais que o Brasil no quesito renda! Sim, antes ruim que pior. Mas é preciso haver continuidade nessa melhoria da desigualdade para que o Brasil possa ser equiparado aos outros países com semelhante nível de desenvolvimento.

Essa evolução foi contínua na última década, embora o ritmo da queda possa ter diminuído. Além da continuidade, cabe também ressaltar que a multiplicidade de fatores que contribuíram para que houvesse essa inflexão da desigualdade indica sustentabilidade no movimento. Os fatores que mais contribuíram para essa queda recente da desigualdade, especificamente para o triênio 2001-2004, foram (a) o desenvolvimento de uma rede de proteção social mais efetiva; (b) maior integração dos mercados de trabalho e (c) maior qualificação da força de trabalho. Por desigualdade de renda me refiro à desigualdade de renda per capta familiar para analisar a situação do indivíduo especificamente, ressaltando o fato de o bem-estar de cada um depender da renda da família a qual pertence, e não exclusivamente dos seus próprios rendimentos.

(a) Ocorreu uma expansão das transferências governamentais, a saber, as pensões e aposentadorias públicas, O Bolsa Família e o BPC (Benefício de Prestação Continuada – programa similar ao BF tendo idosos e deficientes de baixa renda como público alvo), e outros programas como o Peti. As transferências têm grande peso na redução da desigualdade. A contribuição do BF e BPC ocorreram principalmente pelo aumento do grau de cobertura do programa, enquanto as pensões e aposentadorias apresentaram uma elevação do piso dos benefícios como principal fonte de impacto.

(b) O mercado de trabalho remunera de maneira diferenciada tanto pelas desigualdades por ele reveladas (como nível educacional e experiência) ou por ele próprio geradas (discriminação e segmentação). Dentre esses, o fator que mais contribuiu para a queda da desigualdade foi a redução no grau de segmentação dos mercados, especialmente entre capital e interior. Isso significa que trabalhadores fora da capital passram a ter um salário não tão distante daquele recebido pelos que ali trabalham, corroborando para a redução da desigualdade de renda no período.

(c) A desigualdade de renda revelada pelo mercado de trabalho depende não só da desigualdade educacional, mas também da forma como o mercado diferencia a remuneração de trabalhadores de um mesmo nível educacional, fator que contribuiu de maneira mais expressiva para a queda da desigualdade de renda familiar per capta.

Eis um esquema que resume os determinantes imediatos da queda no grau de desigualdade na renda familiar per capta:

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Vimos então que, embora permaneça em um nível altíssimo, a desigualdade de renda brasileira vem declinando desde o início dos anos 2000, e constatou-se que as políticas públicas apresentaram um papel essencial nesse processo. Uma política ampla de combate à desigualdade deve contribuir para equalizar o acesso à educação, à qualificação profissional e ao mercado de trabalho; deve trabalhar pela redução da discriminação dos trabalhadores e tornar o sistema tributário e o gasto público mais eficientes e progressivos.

Todavia, é de extrema importância questionar a eficiência do governo em lidar com esse tipo de questão. É preciso que a política implementada tenha um custo-benefício favorável e que ela apresente a melhor relação custo-efetividade. Além do mais, é claro que os programas governamentais não são único meio de combate à pobreza e desigualdade, que é afetada pelo conjunto de ações da sociedade como um todo e é também dependente de fatores externos ao país. Seria legítimo questionar e discutir o papel e as limitações do governo no desenvolvimento nacional.

 

(O presente texto é resultante basicamente da leitura da Nota Técnica publicada pelo Ipea Sobre a Recente Queda da Desigualdade de Renda no Brasil, e do comunicado da mesma instituição sobre A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda).

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Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra ( nos EUA)

O atual presidente dos Estados Unidos , Barack Obama, foi eleito pela primeira vez em 2008, meio a crise. O país já via sua dívida bruta crescer desde 2001, e quando Obama assumiu o seu cargo a dívida já ultrapassava 70% do PIB americano. O limite para o orçamento do país é estabelecido por uma lei antiga, e portanto muitas ocasiões requereram o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos. 

O governo do presidente Barack Obama tem se esquivado do abismo fiscal (corte de gastos e aumento da tributação generalizados, que tem por objetivo reduzir o déficit orçamentário do país ) , a questão é que  o governo tem que financiar seus gastos, e se este gasta muito e não arrecada o suficiente é de se esperar um aumento do déficit. 

Portanto, para arcar com todas as suas despesas, o governo americano se deparou com a necessidade de aumentar mais um vez o teto de sua dívida. Os republicanos então aproveitando de tal situação condicionaram a aceitação do aumento do teto da dívida desde que o presidente reduzisse os gastos com seu programa de saúde, o Obamacare. Obama não cedeu à exigência dos republicanos e a partir deste dia instalou-se o impasse no país. 
O governo paralisou parcialmente as suas atividades e muitos funcionários ficaram durante algumas semanas sem trabalhar, e portanto, sem receber salário. 
O dia 16 de outubro ficou marcado como o dia limite para que a dívida americana não ultrapassasse o seu limite decretado por lei, uma vez ultrapassado este não haveria como o governo arcar com suas despesas e daí o calote se efetivaria. Temendo as consequências que esse calote poderia causar, até mesmo uma crise pior que a de 2008, os próprios republicanos se renderam e concordaram (a maioria) em elevar o teto da dívida americana, portanto ontem foi decretado a volta do funcionamento das atividades do governo e o aumento do limite permitido por lei da dívida dos Estados Unidos.

Comentários – 178ª Reunião

“Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”. Foi esta a explicação divulgada pelo Banco Central, após a reunião que terminou nesta última terça-feira (09/10/2013), para o aumento em 0,5 p.p. da taxa Selic.

Esta frase foi a mesma usada após a reunião realizada em agosto, onde também ocorreu um aumento em 0,5 p.p. na taxa básica de juros. Para ambas as reuniões, o nosso modelo acertou suas projeções desse aumento em 0,5 p.p. e essas projeções podem ser encontradas na nossas apresentações de agosto e de setembro.

Esses contínuos aumentos, que vem acontecendo há quatro reuniões, levam as expectativas do mercado para que a taxa Selic termine o ano de 2013 em 9,75% ou 10,00%. Isso nos faz perceber que realmente o BC está seguindo a meta de inflação, onde esta será perseguida em 2014 para que fique dentro da meta.

Vale ressaltar também que, apesar da redução do IPCA ante o mês de setembro de 2012, a inflação não está dentro da meta. A variação do mês de setembro de 0,35% ocasionou uma redução do índice acumulado em 12 meses, indo para o patamar de 5,86%. Essa foi a primeira vez no ano onde esse índice acumulado ficasse abaixo de 6,00%.

No entanto, o que leva as expectativas de mais um aumento este ano na taxa Selic, é a inflação no ano que vem e de um provável aumento no preço dos combustíveis, ainda este ano. Como esse ano tivemos redução e até a não manutenção de alguns bens monitorados, essas ações puxaram o índice de inflação para baixo. Porém é esperado para que o ano que vem que ocorra forte pressão sobre os bens monitorados, principalmente no reajuste das tarifas de transporte público, que pode ocorrer com maior magnitude.

Grupo da UFF tem novo produto

Relatório bem escrito, formatado e de leitura dinâmica e agradável? Só aqui, no nosso grupo-irmão-primo da UFF.

Previsão IPCA Set/2013

Dando continuidade as nossas previsões do IPCA, segue aqui a previsão do mesmo modelo para setembro de 2013.

Previsão Set/2013: 0.4135
Intervalo de confiança 80%: [0.0456;0.7815]