Lei de Okun para o Brasil

A lei de Okun é uma lei empírica estimada pela primeira vez pelo economista Arthur Okun para dados da economia norte americana entre 1948 e 1960.

A lei de Okun estuda a relação entre as variações da taxa de desemprego e do crescimento do produto. A seguir, apresentamos a estimação dessa lei para a economia brasileira, com dados trimestrais reais a preços de 1995, no período de 1991 a 2013, considerando um modelo estático, em que a taxa de desemprego corrente depende apenas do PIB do mesmo período e outro dinâmico, em que consideramos variações passadas tanto do PIB como do desemprego.

Nas tabelas 1 e 2, temos os resultados das regressões para ambos os modelos. Repare que quanto à análise de significância dos coeficientes, no modelo estático os coeficientes estimados não são significativos, portanto, podemos descartar este modelo. Isso poderia estar nos informando, que a variação do desemprego não é afetada pela variação do produto no mesmo período em que esta última ocorreu.

Para ver se esses efeitos são significativos ao longo do tempo, vamos analisar o modelo dinâmico. Os resultados deste são apresentados na tabela 2. Quanto à análise de significância dos coeficientes, o teste F nos mostra que os coeficientes estimados são estatisticamente diferentes de zero conjuntamente. Neste modelo, tanto o intercepto quanto os lag’s 1 e 2 foram significativos ao nível de 5% de significância.

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No gráfico 1, temos o correlograma dos resíduos do modelo dinâmico, repare que, como todos os lag’s estão dentro do intervalo de confiança, podemos afirmar que não parece haver autocorrelação, mas ainda iremos fazer um teste para confirmar essa hipótese.

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Portanto, o modelo dinâmico parece ser o melhor para explicar a variação do desemprego no Brasil. Analisando a tabela 3, temos alguns testes diagnósticos a respeito das estimativas deste modelo. Nos três testes abaixo, não rejeitamos a hipótese nula dos mesmos, ou seja, há evidências estatísticas que, de acordo com o teste BP, a variância é homocedástica, o teste BG nos diz que não há autocorrelação serial dos resíduos e de acordo com o teste RESET, a regressão foi corretamente especificada.

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Deste último modelo podemos ver que a Lei de Okun pode ser expressa conforme a equação a seguir:

u = 0.1214 – 0.0214gt-1 – 0.0766gt-2

na qual:

g = variação do PIB (dessazonalizada) e

u = variação da taxa de desemprego (dessazonalizada).

Como era de se esperar, conforme o modelo dinâmico, essas variáveis são negativamente correlacionadas, indicando que um aumento na variação do produto, tende a diminuir a variação da taxa de desemprego. Repare também, que o efeito da variação do produto na variação da taxa de desemprego está distribuída ao longo do tempo e que o primeiro e o segundo trimestre são significativos para explicar essa variação. Vejamos a análise de alguns multiplicadores:

  • Defasagem média: 2.5849 trimestres

Esta defasagem representa a velocidade com que a variação da taxa de desemprego responde à variação do taxa de variação do produto. Neste caso, em média leva aproximadamente 2.6 trimestres para o efeito das mudanças na variação do produto serem captadas pela variação do desemprego.

  • Multiplicador de defasagem de longo prazo: -0.1309

Este multiplicador mostra que o impacto de longo prazo do aumento de 1 pp. na variação da renda é uma queda de 0.13 na variação do desemprego.

  • Betas padronizados:

Bt-1 padronizado: 0.4150, indica que 41.50% do impacto total de uma mudança de 1pp. em g sobre u é sentido depois de 2 trimestres;

Bt-2 padronizado: 0.5849, e 100% até o final do terceiro trimestre.

Podemos perceber a importância das defasagens para explicar a variação do desemprego. Em geral, a literatura aponta como causas relevantes para a existência de defasagens fatores como normas trabalhistas rígidas, onde os custos elevados de demissão e a falta de mão de obra qualificada que torna mais caro o custo de treinamento futuro de um novo funcionário fazem com que a taxa de desemprego corrente não dependa apenas do PIB hoje, mas de variações ocorridas no passado.

Portanto, o modelo dinâmico parece explicar a atual situação econômica do Brasil, pois, como o crescimento econômico tem desacelerado, seria de se esperar uma variação da taxa de desemprego maior, segundo a formulação original da lei de Okun. Mas como vimos acima, as respostas defasadas dessas variáveis são importantes, portanto, talvez possamos esperar uma piora no mercado de trabalho.

2 respostas em “Lei de Okun para o Brasil

  1. Eu fiz uma estimação da lei de Okun quando eu apresentava mercado de trabalho, mas nada comparado com essa análise! Parabéns! bom ver o Nepom se superando cada vez mais!

  2. Pingback: A Lei de Okun existe? | De Gustibus Non Est Disputandum

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