Meta-Teorema de Coase: na ausência de custos de transação, Coase elevará nosso conhecimento

O pessoal do Nepom provavelmente não conhece Ronald Coase. Acho que pouco se fala dele nas disciplinas da grade curricular. Caso eu esteja certo, isso é terrível e deveria ser corrigido o mais rápido possível. Ronald Coase foi um dos maiores teóricos da Economia no século XX. Eu poderia dizer que os dois principais artigos deles não têm uma única equação, mas mudaram dois campos da Economia: a Organização Industrial e a Economia do Bem-Estar Social.

Claro que não ter equação não é sinônimo de porcaria tal e qual verborragia não é sinônimo de genialidade (embora muita gente adore um verborrágico e confunda isso com inteligência). Coase ganhou o Nobel um dia. O que ele fez? Criou um instituto para, de fato, difundir e aperfeiçoar suas idéias sobre a economia. Fez o que muito econometrista narigudo não faz com os próprios modelos: apostou suas fichas em suas idéias. Ironicamente, há muito econometrista estudado em boas escolas que não sabe quem foi Coase e, arrogantemente, despreza-o.

Há quem ache que sua contribuição só diga respeito a problemas com um tipo específico de função utilidade (certamente, é um resultado compatível com a idéia de Coase), mas como já disse alguém, não é só isso (e isto depende de quem faça a interpretação de seu famoso teorema).

A Nova Economia Institucional e a Law and Economics são duas áreas que foram, pode-se dizer, crias de Coase com outros grandes economistas. Faça seu dever: pesquise aí no seu celular ou no computador sobre estes temas. Ronald Coase nos ajudou, realmente, a entender melhor o mundo. Ele não trabalhou no Nepom, nem com análise de conjuntura. Provavelmente não fez mais que umas dezenas de regressões. Ele nem precisaria ser citado neste blog, mas, daqui a alguns anos, quando você – membro do Nepom ou leitor deste blog – estiver lendo sobre Economia com um pouco mais de atenção, eu sei, você irá se deparar com Coase.

Pois é. Coase morreu hoje. Deixa como órfãos todos os economistas do mundo: os que o entenderam e os que não o entenderam. De qualquer forma, suas idéias criaram novas formas de analisar os fascinantes fenômenos das trocas voluntárias e involuntárias (mas consentidas…como é o caso do governo).

Para quem quiser saber mais, veja, por exemplo, a ALACDE, o obituário de Coase e sua leitura quando do Nobel, em 1991.

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