Crescimento do mercado de jogos digitais no Brasil

O mercado de jogos eletrônicos está em ascensão no Brasil, e nesse ritmo estima-se que o país terá potencial para chegar aos principais países demandadores do mundo nesse ramo. Os avanços na tecnologia digital e das inovações de computadores nesses últimos tempos têm contribuído para construção de novos consoles, acessórios e jogos de ponta que estão levando amantes de games à loucura.

Preços de novos consoles estão menores no país, aponta Valeria Molina, diretora de varejo da Microsoft , em virtude de duas indústrias (Sony e Microsoft) de vídeo games que se instalaram no país. “Isso facilitou a compra do equipamento no mercado interno”, discute Valeria. Incentivos e apoios governamentais são também estímulos para ampliação desse mercado, por meio da Lei Rouanet de incentivo à cultura que desde 2012 garante que toda arrecadação de investimento destinado na produção de games será deduzido no imposto de renda das empresas. O otimismo do setor tem aquecido o mercado de trabalho e a exigência por profissionais mais capacitados é o principal requisito. Oferta de cursos de capacitação e especialização tem despertado interesse de engenheiros, programadores e designers que são as principais profissões para esse nicho de mercado.

A expectativa de crescimento do mercado formal de jogos digitais no país é recente e muito dependente de incentivos e a extensa demanda por equipamentos ainda é condicionada ao setor externo como também o amplo comércio ilegal no Brasil desse produto é uma barreira para solidez do mercado.

Fonte: Noticias Br :http://www.noticiasbr.com.br/brasil-tem-o-maior-mercado-de-games-no-mundo-em-2012-2-107493.html

Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/tec/1165034-mercado-brasileiro-de-games-ja-e-o-quarto-maior-do-mundo-e-deve-continuar-a-crescer.shtml

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Lei de Okun para o Brasil

A lei de Okun é uma lei empírica estimada pela primeira vez pelo economista Arthur Okun para dados da economia norte americana entre 1948 e 1960.

A lei de Okun estuda a relação entre as variações da taxa de desemprego e do crescimento do produto. A seguir, apresentamos a estimação dessa lei para a economia brasileira, com dados trimestrais reais a preços de 1995, no período de 1991 a 2013, considerando um modelo estático, em que a taxa de desemprego corrente depende apenas do PIB do mesmo período e outro dinâmico, em que consideramos variações passadas tanto do PIB como do desemprego.

Nas tabelas 1 e 2, temos os resultados das regressões para ambos os modelos. Repare que quanto à análise de significância dos coeficientes, no modelo estático os coeficientes estimados não são significativos, portanto, podemos descartar este modelo. Isso poderia estar nos informando, que a variação do desemprego não é afetada pela variação do produto no mesmo período em que esta última ocorreu.

Para ver se esses efeitos são significativos ao longo do tempo, vamos analisar o modelo dinâmico. Os resultados deste são apresentados na tabela 2. Quanto à análise de significância dos coeficientes, o teste F nos mostra que os coeficientes estimados são estatisticamente diferentes de zero conjuntamente. Neste modelo, tanto o intercepto quanto os lag’s 1 e 2 foram significativos ao nível de 5% de significância.

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No gráfico 1, temos o correlograma dos resíduos do modelo dinâmico, repare que, como todos os lag’s estão dentro do intervalo de confiança, podemos afirmar que não parece haver autocorrelação, mas ainda iremos fazer um teste para confirmar essa hipótese.

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Portanto, o modelo dinâmico parece ser o melhor para explicar a variação do desemprego no Brasil. Analisando a tabela 3, temos alguns testes diagnósticos a respeito das estimativas deste modelo. Nos três testes abaixo, não rejeitamos a hipótese nula dos mesmos, ou seja, há evidências estatísticas que, de acordo com o teste BP, a variância é homocedástica, o teste BG nos diz que não há autocorrelação serial dos resíduos e de acordo com o teste RESET, a regressão foi corretamente especificada.

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Deste último modelo podemos ver que a Lei de Okun pode ser expressa conforme a equação a seguir:

u = 0.1214 – 0.0214gt-1 – 0.0766gt-2

na qual:

g = variação do PIB (dessazonalizada) e

u = variação da taxa de desemprego (dessazonalizada).

Como era de se esperar, conforme o modelo dinâmico, essas variáveis são negativamente correlacionadas, indicando que um aumento na variação do produto, tende a diminuir a variação da taxa de desemprego. Repare também, que o efeito da variação do produto na variação da taxa de desemprego está distribuída ao longo do tempo e que o primeiro e o segundo trimestre são significativos para explicar essa variação. Vejamos a análise de alguns multiplicadores:

  • Defasagem média: 2.5849 trimestres

Esta defasagem representa a velocidade com que a variação da taxa de desemprego responde à variação do taxa de variação do produto. Neste caso, em média leva aproximadamente 2.6 trimestres para o efeito das mudanças na variação do produto serem captadas pela variação do desemprego.

  • Multiplicador de defasagem de longo prazo: -0.1309

Este multiplicador mostra que o impacto de longo prazo do aumento de 1 pp. na variação da renda é uma queda de 0.13 na variação do desemprego.

  • Betas padronizados:

Bt-1 padronizado: 0.4150, indica que 41.50% do impacto total de uma mudança de 1pp. em g sobre u é sentido depois de 2 trimestres;

Bt-2 padronizado: 0.5849, e 100% até o final do terceiro trimestre.

Podemos perceber a importância das defasagens para explicar a variação do desemprego. Em geral, a literatura aponta como causas relevantes para a existência de defasagens fatores como normas trabalhistas rígidas, onde os custos elevados de demissão e a falta de mão de obra qualificada que torna mais caro o custo de treinamento futuro de um novo funcionário fazem com que a taxa de desemprego corrente não dependa apenas do PIB hoje, mas de variações ocorridas no passado.

Portanto, o modelo dinâmico parece explicar a atual situação econômica do Brasil, pois, como o crescimento econômico tem desacelerado, seria de se esperar uma variação da taxa de desemprego maior, segundo a formulação original da lei de Okun. Mas como vimos acima, as respostas defasadas dessas variáveis são importantes, portanto, talvez possamos esperar uma piora no mercado de trabalho.

O futuro que nos aguarda(e)!

Como eu disse em outro lugar, existe um mito, bom para vender entrevistas e livros de ficção científica, de que a teoria econômica está em crise. Na minha opinião, isto é fruto de raciocínios que se baseiam em uma visão autoritária e monolítica da teoria (ou de qualquer ciência). Por definição, desde pelo menos, digamos, Popper, a ciência é um interessante campo de experimentação no qual hipóteses são testadas, refutadas, etc.

Ok, você poder ler Popper, Kuhn, Feyerabend, etc e tirar suas próprias conclusões sobre a metodologia científica. Aliás, é bom que faça isto. A mim, quando estudante, não me disseram para fazer assim. Ao invés, foi-me imposto um tal de “processo dialético da história” e um “pós-keynesianismo infantil”. Os responsáveis por isto nunca foram processados no Procon (como sugeriu um amigo meu).

Mas então eu falava de testes, avanços, etc. O mundo real é assim: mutável. Há alguém a negar isto? Acho que não. Só um morto poderia cobrar posturas como esta. Então, neste mundo interessante em que vivemos, Roger Farmer me vem com um texto muito interessante sobre a taxa natural de desemprego e Guillermo Calvo cita Hayek (e até o Mises, veja só!) para falar de sua visão do que deveríamos pensar em mudar na macroeconomia.

Obviamente vai ter gente chorando dizendo que “Hayek não quis dizer isto”, que “o que ele disse não era bem assim”, aquelas choradeiras típicas de fundamentalistas preocupados com a interpretação única (e, segundo eles, correta) dos livros sagrados, como se ciência fosse religião e cientistas fossem papas.

Esqueça o papo furado. Pegue estes dois textos e faça uma leitura detalhada. Sim, eu acho que você que já estudou Macroeconomia microfundamentada aproveitará mais os textos do que os outros mas, claro, todo mundo deveria tentar ler estes textos. Afinal, eles nos mostram até onde bons estudantes podem chegar (e ultrapassar). Tem gente que acha frustrante ser preguiçoso e ver profissionais avançando. Eu acho fascinante.

Previsão IPCA-15 de setembro

Dando prosseguimento ao trabalho feito na aula de econometria II, com o professor Claudio Shikida, como já falado no meu último post, resolvi fazer também a previsão para o IPCA-15.

Eis aqui então a previsão:

Forecast
Sep 2013   0.3860456

IC=[0.1806;0.5915]

The MONIAC

Eu não perderia a oportunidade de conhecer o considerado primeiro computador econométrico do mundo: The MONIAC!

 Se trata de um modelo hidráulico que simula o funcionamento da macroeconomia, baseado nos princípios clássicos e keynesianos, onde o fluxo de água representa o dinheiro que circula entre as várias partes da economia.

 O grande economista neozelandês, Bill Phillips, foi quem criou a máquina, na década de 1940, que passou a realizar cálculos que até então não podiam ser feitos através dos já existentes computadores. As políticas fiscais, monetárias e cambiais passaram, assim, a ter uma nova forma de experimentação.

 

Dá pra imaginar a situação na qual estaria o simulador do MONIAC para o caso da economia nacional atual…

 Começando pelo tanque da renda nacional: meio vazio com água morna quase fria. O fluxo de água estaria se desacelerando. A primeira bifurcação seria um tanto desproporcional devido à nossa levíssima e simples cadeia tributária. Esse mar segue pelo tubo e ali, nos gastos do governo, muito provavelmente encontraríamos alguns furinhos e não mais saberíamos ao certo para onde essa água iria. A renda disponível iria se dividir entre uma enxurrada para o tanque do consumo, que talvez já tivesse transbordado, e um conta gotas na poupança, resultando em um investimento de semelhante intensidade. Chegamos assim aos gastos domésticos e vamos de volta à renda nacional, também não muito ajudada pelo tanque anterior, da balança comercial.

 E assim concluímos o tão virtuoso ciclo da economia brasileira…

 

 Explorar esse computador analógico virtual é uma maneira alternativa e no mínimo curiosa de adquirir algum conhecimento no que tange a dinâmica da conjuntura macroeconômica. Ganhem um tempo nesse simulador virtual e fiquem com a foto do verdadeiro MONIAC!

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Extra: Nepom vai à banca de jornal

O coordenador do Nepom iniciou um curso online, sem inscrições, provas, chamada, trabalhos, etc. Trata-se da Economia Política dos Gibis. Caso você tenha interesse em assistir as aulas, basta acompanhar o canal no YouTube. A primeira delas foi ao ar hoje. A próxima deverá ir ao ar amanhã ou na semana que vem. Ao todo serão onze aulas.

Quer saber o que as revistas em quadrinhos têm a ver com a economia, com o desenvolvimento econômico e com sua vida? E quer saber isto de forma fácil e divertida? Então, provavelmente, estas aulas são para você.

Fica aí meu convite.