Desvalorização cambial e inflação

Desde 1999, o Brasil adota o regime de câmbio flutuante. Neste regime, a livre oferta e demanda de títulos no mercado determinam o preço do dólar, porém, no caso brasileiro o governo costuma interferir nesse mercado e faz algumas operações cambiais para ajudar a reduzir a volatilidade cambial e a vulnerabilidade externa.

Há mais de dois meses o dólar está em patamares acima de R$2,10, ultrapassando a última suposta banda informal de R$2,00 a R$2,10 estipulada pelo mercado. O câmbio desvalorizado pode incentivar as exportações à medida que aumenta em reais o preço dos produtos exportados, dificulta as importações e aumenta também o passivo tanto do setor público quanto privado em moeda estrangeira. Para as empresas exportadoras brasileiras, essa depreciação pode ser boa, mas também dependemos em grande parte da importação de máquinas e equipamentos, o que mostra a importância da importação, principalmente para a indústria e como a desvalorização pode afetar os preços, com os produtos finais mesmo que produzidos internamente, ficando mais caros.

Apesar do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) do mês de julho ter reduzido em comparação a julho, de 0,26% para 0,03%, a desvalorização cambial ainda pode pressionar a inflação e analistas afirmam que os efeitos do câmbio ainda não foram incorporados aos preços. Segundo o ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, a taxa de repasse do câmbio para o IPCA, o chamado pass-through, está acima de 5% numa estimativa “otimista”, ou seja, para cada aumento de 1,0 pp. de alta ou baixa do dólar no câmbio interno, a inflação aumenta ou diminui em 0,05 pp. ao longo de um tempo. (Nós iremos fazer a previsão desse efeito e divulgamos em breve no blog). Esse, ainda destacou que o governo deve utilizar da política fiscal e monetária para ajudar a conter a depreciação cambial. E ainda destacou que o governo deve utilizar da política fiscal e monetária para ajudar a conter a depreciação cambial.

O governo tenta reverter essa situação com medidas como, por exemplo, a retirada do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), para atrair recursos externos para renda fixa local, alteração da taxa básica de juros, Selic, para ajudar na retração dos preços, políticas cambiais como os leilões de swap cambial, apesar dessa medida não estar mais se mostrando tão eficaz como uma medida de curto prazo e ainda conta com a estabilização da política monetária nos Estados Unidos para ajudar a conter a desvalorização do câmbio.

Desvalorização cambial e inflação são duas palavras que não combinam e que para o governo brasileiro está representando uma pedra no sapato quando diz respeito à tentativa do controle da inflação. 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s