“A produtividade não é tudo…

…mas no longo prazo é quase tudo.” (Paul Krugman)

Uma economia pode crescer pelo aumento do emprego de mão de obra no processo produtivo, investimento em capital físico ou pelo uso mais eficiente desses fatores. É justamente esse último ponto uma das maiores preocupações no Brasil atualmente: a Produtividade Total dos Fatores (PTF), uma medida de eficiência que mostra como capital e trabalho se transformam em produção, não cresceu durante os últimos 21 anos.

Essa falta do avanço de produtividade e, consequentemente, competitividade, pode ser explicada por diversos fatores como infraestrutura precária, falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento, sistema tributário complexo, burocracia excessiva, protecionismo, baixo nível educacional, entre outros. Optei por enfatizar o cenário da educação no Brasil que tão negativamente contribui para a baixa produtividade do trabalho e é, obviamente, um dos principais motores do desenvolvimento de qualquer país.

A educação básica foi, por muito tempo, deixada de lado pelos formuladores de políticas, mas é passado o tempo em que a industrialização era prioridade para o desenvolvimento econômico. Também o crescimento não mais se baseia na acumulação de capital e trabalho: é necessário trabalhadores qualificados… eis uma das principais carências do Brasil. Embora o setor tenha apresentado melhorias significativas ao longo da última década, ainda é motivo de atraso para o país. A quase universalização do acesso ao ensino fundamental, a partir da década de 1990, e a grande expansão do ensino médio não foram nem de longe suficientes para tornar o cenário educacional no país satisfatório visto que a qualidade do ensino é até hoje muito baixa.

Para ilustrar essa avanço na educação (não suficiente) para um desenvolvimento mais sustentado no Brasil, trago um breve conteúdo do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o IPEA e FJP, que avaliou todos os 5.565 municípios brasileiros. O IDHM 2013 (Índice de desenvolvimento Municipal), que abrange as três dimensões longevidade, renda e educação, avançou 47,5% de 1991 a 2012, saindo de um nível considerado muito baixo para um nível alto. A educação é o único setor avaliado que não atingiu o nível muito alto mesmo tento sido o que mais evoluiu no período (128%). O baixo nível educacional continua sendo um forte entrave ao desenvolvimento, o que condiz com o praticamente inexistente avanço na produtividade nesses últimos 21 anos.

Não poderia o Brasil ter um crescimento não tão medíocre sem que apresentasse um aumento na produtividade do trabalho nos próximos anos? Concordando com o que fora dito na carta do IBRE desse mês… eu diria que não. O crescimento está estritamente ligado a questões demográficas e de mercado de trabalho, e o contexto no qual o Brasil está inserido no momento indica que ambos os quesitos não demonstram potencial de contribuição para acelerar o crescimento do país. O bônus demográfico, período em que a expansão da força de trabalho é mais rápida que a da população, promovendo um aumento de produtividade, está próximo do fim. E o mercado de trabalho, mantido bem aquecido nos anos precedentes, não pode continuar impulsionando a economia caso a produtividade dos trabalhadores não cresça, já que a taxa de desemprego já está baixa.

A agenda de reformas deveria ser um tanto extensa e é preciso que mire o longo prazo… mas é real e infeliz a motivação que as autoridades têm, antes das eleições, em contentar uma maioria não muito (in)formada com mudanças pontuais (nos mais variados setores) almejando nada mais que votos.

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