Parece que agora vai! Mas…

É, pessoal, mesmo com o anúncio de uma taxa de crescimento do PIB abaixo das expectativas do mercado, o COPOM decidiu, unanimemente, por um aumento da taxa básica de juros em .50 pontos percentuais, acima dos .25 que muitos esperavam. Em sua nota à imprensa, o comitê mostrou acreditar que este aumento contribua para um declínio da inflação.

Ainda que atrasado, este aparente ciclo de aperto monetário caminha na direção de nos afastar de um processo de indexação, justificável numa economia em que a autoridade monetária se mostre, digamos, negligente quanto as altas consecutivas da taxa de inflação.

Todavia, quando olhamos para nossa economia e verificamos baixo crescimento e baixo desemprego caminhando ao lado de uma inflação alta, pensamos, e agora? Bom, a resposta do nosso governo é que a inflação é de base e o crescimento é de qualidade!. Queria presentear vocês com a definição destes conceitos, mas não os achei em nenhum livro de macro…

A questão é que as reformas e investimentos dos quais precisamos para nos afastar destes sufocos inflacionários que surgem sob qualquer descompasso entre demanda e oferta parecem estar longe da agenda do governo. O que parece estar lá é um conjunto piadas sem graça em forma de conceitos econômicos estranhos, preparados para serem disparados quando se percebe que as medidas errantes de curto prazo estão nos colocando numa sinuca de bico.

O que nos resta é esperar, e ver se pelo menos do lado monetário poderemos contar com medidas sérias.

Apresentação de Hoje – 28/05/13

Olá, pessoal! Cliquem aqui para acessar os slides da apresentação! Nosso modelo previu a manutenção da taxa Selic em 7,50% a.a. Contudo, num cenário otimista para a produção industrial, houve também concentração de probabilidade em uma mudança entre .25 e .50 pontos percentuais.

Tributos e meio ambiente

Nota

Não é novidade dizer que a carga tributária do Brasil é altíssima e que a nossa cadeia tributária é complexa e excessivamente detalhista. De fato sabemos, mas por sermos tão passivos quanto à isso parece que a situação pouco nos incomoda. Talvez a obrigatoriedade da inclusão da carga na nota fiscal desperte em nós, consumidores, uma consciência que parece estar adormecida até então e faça com que passemos a ser mais exigentes por uma redução nos tributos. Saber que os impostos sobre um bem chegam a ultrapassar os 100% nos deixa, no mínimo, inquietos.

Ilustro parte dessa problemática com a situação do mercado de carros elétricos no país. Os impostos que incidem sobre o preço final desse tipo de carro aqui no Brasil ultrapassam os 120%. Só de IPI são 55%, somados aos 35% de impostos sobre produtos importados, 13% de PIS/CONFINS e 12 a 18% de ICMS. Certamente não seria possível vender um carro elétrico por um preço pouco distante daquele praticado nos demais países: o preço médio no Brasil chega a R$200 mil reais. Eis o motivo pelo qual os carros elétricos quase não circulam por aqui. São apenas 70 carros emplacados.

Essa realidade é um pouco diferente nos países tidos por desenvolvidos. Enquanto o Brasil não conta com nehuma linha de montagem, o mercado de carros elétricos tem revelado uma rápida expansão nesses outros países. São mais de 4 milhões de veículos em circulação (os híbridos são maioria). Países como o Japão, cujo governo incentiva a compra de carros elétricos, apresenta políticas públicas capazes de reduzir o preço ao consumidor em mais de 20%.  Essa ampliação do setor tem claramente consequências positivas, visto que carros elétricos são mais econômicos, silenciosos e, principalmente, contribuem para a diminuição da poluição. Essas consequências tendem a ser ainda mais significativas por ser possível que daqui cerca de 15 anos metade dos carros em circulação nas principais cidades europeias sejam elétricos.

É preciso que o Brasil adote políticas públicas que favoreçam a compra de carros elétricos, e invista mais em inovação tecnológica. Obviamente, uma tributação mais leve e incentivos à pesquisa e desenvolvimento é positva não somente ao setor de veículos elétricos, mas para o desenvolvimento do país como um todo. Claro, não esperamos que em 15 anos metade dos carros no Brasil sejam elétricos, mas que esse tempo seja suficiente para que nosso governo contribua mais com o meio ambiente e que nós contribuamos menos com impostos.

(Texto baseado no programa Cidades e Soluções).

Quem são os responsáveis pela decisão da taxa Selic?

O Brasil é um país que adota o Sistema de Metas para inflação, este modelo constitui basicamente em perseguir uma meta para a variação do índice de preços pré-estabelecida e anunciada publicamente pelo Conselho Monetário Nacional. A meta para 2013 é de 4,5%, e para alcançar esse objetivo o Banco Central dispõe de alguns instrumentos, como a controle da taxa de juros de curto prazo, a taxa Selic.

 O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão responsável pela elaboração da política monetária do Banco Central do Brasil (BCB) e por estabelecer a meta da taxa de juros básica da economia,Taxa Selic aumenta em 0,25 ponto percentual  . Portanto, existe uma equipe de economistas por traz dessa decisão. Quem são os responsáveis por atingir tais objetivos?

O Copom é composto pelos seguintes membros, que tem poder de voto nas reuniões que acontecem de 45 em 45 dias para decisão da taxa Selic e, portanto participam dos dois dias da reunião:

Presidente do BCB, Alexandre Tombini, Ph.D. em Economia, Universidade de Illinois, USA, está no BC desde 1988, criou o Departamento de Pesquisas e assumiu a presidência em 2011 no governo Lula;

Diretor de Administração – Dirad, Altamir Lopes, bacharel em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), chefiou por dezesseis anos o Departamento de Pesquisa Econômica (Depec) e está na diretoria desde março de 2012, é responsável por toda a divulgação de dados econômicos;

Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos – Direx, Diretor de Regulação do Sistema Financeiro – Dinor, Luiz Awazu Pereira da Silva, Ph.D. em Economia, Université de Paris-I Sorbonne, é o único responsável por duas diretorias, ex-diretor do Banco Mundial, tem passagens pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento e está no banco central desde 2010;

Diretor de Fiscalização – Difis, Anthero Meirelles, Doutor em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais, está no BC desde 1994, é também professor titular da cadeira de Estratégia Empresarial em mestrado acadêmico em Belo Horizonte, e assumiu a diretoria em 2011.

Diretor de Política Econômica – Dipec, Carlos Hamilton Araújo, doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, está no BC desde 1992, já passou pelo Tesouro Nacional e assumiu a diretoria em 2010.

Diretor de Política Monetária – Dipom, Aldo Mendes, Mestre em Economia pela UNB, fez carreira no BC onde chegou a vice-presidência de Finanças;

Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural – Diorf, Pós-graduado em Gestão, Universidade de Brasília, passou por vários departamentos antes de assumir o posto em 2011.

Além destes, participam no primeiro dia da reunião outros sete chefes de outros departamentos do BC, chefes de gabinete, assessores e consultores da Diretoria Colegiada, consultor e chefe adjunto do Depep, além do Assessor de Imprensa do Banco Central. No primeiro dia, os chefes de departamentos fazem suas apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e financeira. A participação no segundo dia de reunião é limitada aos membros do Copom e ao Chefe do Depep, neste dia é decidida a taxa de juros e seus membros fazem recomendações acerca da politica monetária.

As informações acerca dos membros do Copom são divulgadas pelo BC.

IPCA de abril

O indicador de inflação oficial do governo, o IPCA acumulado em 12 meses, totalizou 6.49%, voltando ao intervalo da meta de inflação estabelecida. Entretanto, ainda não vimos convergência, seja linear ou não, da variação do índice para o centro da meta. 

Novamente o valor para o mês, 0.55%, foi acima do previsto no relatório Focus, 0.48%. Isso se deve a uma menor descompressão do principal grupo de itens do IPCA, Alimentação e Bebidas, sobre o qual o efeito das desonerações tributárias foi sobreestimado além da não existência de um choque de oferta como ocorreu no mesmo mês do ano passado.

Em termos de inflação por setores, o de serviços mostra algum declínio na comparação com o nível do final de 2011, tendo acumulado 8.1% em 12 meses para o mês de abril. A desaceleração do rendimento médio real, assim como da atividade econômica pode ser um dos fatores que expliquem a redução no nível de inflação do setor.

O controverso e polêmico R²

Aos interessados, amantes e entusiastas da econometria: vale muito à pena ler este texto do Dave Giles’ Blog! Dica original de nosso amigo Pedro Sant’Anna.

O bom é que essa leitura me fez recordar de outro assunto interessante, do qual tentarei falar nos próximos dias. Aguardem.