Divulgando blogs de qualidade

Como alguns já sabem, estou no meu último dia de minicurso de R aqui na UFPel. Tenho que divulgar, portanto, dois ótimos blogs: Papo de Economista e o Economia Aberta, do pessoal do mestrado. Caso queira fazer um bom mestrado, esta é uma ótima opção. Eis a página do pessoal do Mestrado.

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Inflação Para Dummies

Acredito ser especialmente delicado blogar quando o assunto a ser tratato consiste em algo dito de domínio do público em geral… todo mundo se diz entendido e capaz “dar pitaco” quando o assunto é economia. Imagino que nenhum de nós diria não saber o que é inflação. Mas de fato o sabemos?

Aspirantes a economista, assim como eu, se deparam vez ou outra com algumas dificuldades que são decorrentes simplesmente de uma formação defasada no que tange a conceitos elementares ou alguns princípios fundamentais. Tal é a razão pela qual eu me senti motivada a procurar saber um pouco mais sobre inflação, que tem sido amplamente discutida nos mais variados veículos de comunicação, e decidi por deixar aqui registrado um breve esclarecimento referente a esse tema. Comecemos por perguntar:

O que é inflação?

 Do latim, inflatio (inflar, inchar). É um termo empregado em economia tradicionalmente para indicar um aumento de preços – mas não um aumento qualquer. Designamos por inflação uma elevação contínua e generalizada do nível de preços.

A exigência de haver continuidade nesse aumento decorre do fato de que uma alta esporádica de preços não é prejudicial ao funcionamento da economia – os mercados são eles mesmos capazes de ajustar a atividade econômica a esse novo patamar de preços. Em contrapartida, um aumento contínuo nos preços acaba por influenciar as expectativas dos agentes econômicos, podendo fazer com que os recursos não sejam alocados de maneira eficiente prejudicando, portanto, o crescimento econômico.

Uma das maneiras de verificarmos se a inflação foi resultado de uma elevação localizada nos preços ou se esse movimento foi generalizado é observar o índice de difusão, que mede a proporção de produtos dentre os componentes do IPCA cujos preços aumentaram. (Visto que o índice de difusão do mês de março beira os 70%, diga você mesmo se tomates são desculpa para essa alta da inflação).

O que causa inflação?

Em uma economia de mercado, os preços sempre variam por serem regidos pela interação entre a oferta e a procura. Se houver, por exemplo, uma forte tempestade nas principais áreas onde o milho é cultivado a produção seria comprometida fazendo com que houvesse uma elevação dos preços regida pela oferta. Por outro lado, caso fosse anunciada uma nova forma de tratamento anti rugas através do consumo diário do milho, a procura pelo cereal cresceria significativamente e proporcionaria, assim, um aumento no seu preço.

A inflação pode decorrer também de outros fatores, tais como a inflação passada e a expectativa dos agentes econômicos quanto a inflação futura. Pode ser, também, que crescimento do produto acima de um certo nível gere pressões inflacionárias. Entretanto, esses fatores só afetam a inflação no curto prazo. Uma elevação sustentada no nível de preços depende da quantidade de dinheiro na economia. Quando o Banco Central decide por elevar a taxa de juros, por exemplo, o crédito fica mais caro, aumentando o custo de oportunidade dos bancos em emprestar dinheiro, fazendo diminuir a quantidade de dinheiro em circulação na economia. Com esse custo mais elevado das compras a prazo, as pessoas consomem menos. Acrescentemos a isso o fato de os financiamentos se tornarem também mais caros, levando a uma queda de investimento em máquinas e equipamentos por parte das empresas. Essa diminuição da demanda faz com que a inflação tenda a baixar. Eis o motivo pelo qual a manutenção da taxa básica de juros, a taxa Selic, é uma das principais formas de se controlar a inflação.

Quais as consequências da inflação?

A principal consequência da inflação está na redução do poder de compra da moeda. Quando os preços se elevam, se faz necessário dispor de mais dinheiro para adquirir uma mesma cesta de bens. O dinheiro perde seu valor com o passar do tempo e é como se a inflação corroesse os salários.

Se a inflação ou as expectativas de inflação se elevam, as pessoas passam a preferir o consumo imediato em detrimento da poupança, o que pode ser negativo para o crescimento econômico no longo prazo.

É desejável que a inflação seja baixa e estável. Uma variação acentuada do nível de preços ao longo do tempo (inflação volátil) faz com que as empresas não tenham segurança quanto aos seus custos e receitas futuros. Inflação volátil, inflação elevada ou expectativa de inflação elevada significa aumento da incerteza e dos riscos, que dificultam o planejamento de longo prazo tanto das empresas quanto das pessoas, desencorajando-os a investir e poupar.

Uma inflação elevada pode desequilibrar a balança comercial de um país pelo fato de ela fazer com que os produtos nacionais fiquem mais caros provocando um aumento nas importações e queda nas exportações.

Constatamos aqui que a inflação é considerada um flagelo e deve ser então controlada para que não atinja níveis muito elevados e nem oscile demasiadamente depressa. A questão é que, na maioria das vezes, existe um trade-off entre inflação e crescimento econômico. A inflação pode cair via aumento dos juros (reduzindo consumo e investimento), diminuição dos gastos do governo, ou com uma maior abertura da economia (aliviando o excesso de demanda com as importações). Essas três opções freiam o crescimento no curto prazo.

 Suma

Inflação é um aumento contínuo no nível geral de preços da economia, causada por eventuais descompassos entre a oferta e a demanda agregada e que depende em última instância da quantidade de dinheiro em circulação. Inflação elevada e volátil é indesejada por reduzir o poder de compra do dinheiro e provocar aumento da incerteza. O processo inflacionário deve ser controlado, mas frequentemente é observado um trade-off entre inflação e crescimento.

 

Existem variados tipos de inflação, classificados em inflação de custo, demanda, inercial, entre outros; há  diversos índices de inflação e ainda diferentes abordagens por economistas heterodoxos e ortodoxos. Não pretendia me alongar demais – tentei fazer, portanto, com que o post não abrangesse nada além do elementar. Utilizem dos comentários caso eu tenha omitido alguma informação essencial ou cometido algum equívoco. Afinal, blogueiro não dispõe de corretor e, bom… aprendiz todos somos, but I’m still a dummy.

Ata da 174ª Reunião do COPOM

Na 173 reunião, na sua ata, o Copom declarou que:

“33. Nesse contexto, o Copom irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.”

Agora, na ata divulgada hoje (25/04), temos a seguinte mudança nesse paragráfo:

“34. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.”

Nessa reunião, finalmente, o Copom decidiu (de forma não unânime) pelo aumento de 0.25 p.p. na taxa básica de juros da economia. Pela primeira vez em algum tempo, o Banco Central admitiu que a inflação acumulada em 12 meses (6.59%) se encontra em um patamar elevado e reiterou, em relação a última ata, as distorções causadas pela inflação para os indivíduos.

Essa mudança de direção na posição do Banco Central sinaliza o início de um ciclo de aperto monetário, que deveria vigorar até o momento em que a inflação convergisse para o centro da meta (o que ainda não aconteceu no governo Dilma). Resta saber se as condições políticas o permitirão.

Econometric Game 2013

De 9 a 12 deste mês ocorreu, na Universidade de Amsterdã, o Econometric Game 2013, este ano com o tema “Os Efeitos da Política Fiscal no Crescimento Econômico”.

Diversas instituições de todo o mundo participam anualmente do evento. Todavia, a edição deste ano foi ainda mais especial, pois a equipe da Universidad Carlos III de Madrid, que teve como capitão o estudante de doutorado Pedro Sant’Anna (Isso mesmo! Um dos criadores do NEPOM!) foi a campeã!

Portanto, parabéns ao Pedro e sua equipe pelo esforço e pela vitória na competição, que dura três dias! (e eu achando que minhas provas de econometria de duas horas eram longas, hehe)

Taxa Selic aumenta em 0,25 ponto percentual

Após quatro reuniões mantendo a taxa de juros básica da economia estável, o banco central decidiu por seis votos a dois pela alta da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 7,25% ao ano para 7,5%. Essa medida mostra a preocupação do banco central com a persistência da inflação ao longo dos últimos meses, depois de ter estourado a banda superior da meta do governo de 4,5% no mês de março no acumulado dos últimos 12 meses.

A taxa de juros é um meio utilizado pelo banco central para manusear sua politica monetária, assim, o aumento desta faz com que a demanda por moeda das pessoas e a demanda por investimento pelo lado das empresas reduza, já que aumenta o custo de oportunidade destas em reter dinheiro. Portanto, ela é capaz de afetar o nível de atividade da economia e ajuda a aliviar a pressão sobre os preços, no combate a inflação.

Outra implicação é quanto a Dívida Pública Interna, pois o custo de manutenção desta aumenta, já que os títulos emitidos pelo Tesouro são remunerados de acordo a nova taxa Selic e o governo terá que pagar uma taxa de retorno maior.

Então, para o governo, o aumento da taxa de juros é uma preocupação tanto pelo aumento da dívida interna, como também pelo lado do crescimento do país que tem caminhado em um ritmo bastante lento.

Agora, se um aumento de apenas 0,25 ponto percentual vai ser capaz de afetar a inflação é outra questão, portanto a expectativa é que esse aumento ocorra em doses homeopáticas, mas que deve crescer ainda mais ao longo do ano, podendo atingir de 8,0% a 8,5%aa.. 

George E.P. Box (1919-2013)

Ainda que com algum atraso, este blog não poderia deixar de lamentar a morte de George E. P. Box, que faleceu em sua casa no último dia 28. Box tinha 93 anos.

O senhor de rosto simpático (como mostra a foto do link acima) foi e sempre será considerado um dos grandes estatísticos do século XX. Box fez contribuições importantes em diversas áreas. Na Economia (Econometria), é conhecido principalmente pela metodologia Box-Jenkins para a modelagem de séries temporais.

Box teve uma vida longa e produtiva, na qual colecionou prêmios, medalhas e nomeações à associações distintas, como a American Academy of Arts and Sciences (1974) e a Royal Society (1979). Recentemente, teve publicado o livro An Accidental Statistician: The Life and Memories of George E. P. Box, onde, numa tradução livre da descrição do livro: “Box apresenta insights pessoais e um relato em primeira mão das conquistas de sua carreira.”

Um fato curioso é que ele era casado com Joan Fischer, uma das filhas de Ronald Fischer, outro gigante da Estatística.