Bacen, Mostra Tua Cara

No último dia 19 o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a Taxa Selic para 11,5% a.a, a redução de 0,5 p.p foi de encontro às expectativas do mercado, mas ainda gera dúvidas em relação ao posicionamento do Banco Central diante do controle da inflação que no acumulado no ano já alcança 7,31 % superando o teto da meta. Na última decisão o Banco Central reafirmou sua preocupação em proteger a economia de choques decorrentes da crise externa que pode se agravar em decorrência da piora no quadro europeu e a desaceleração na economia chinesa.
De acordo com as instituições top 5 a expectativa para o IPCA em 2011 é de 6,55 % enquanto para o mercado a expectativa é de 6,50 % o que seria igual a meta alta, mesmo ainda distante do centro da meta e com chance de superá-la o Banco Central tem evidenciado nas duas últimas reuniões estar menos preocupado com a inflação em detrimento do produto. Sem dúvida, ainda é cedo para falarmos de um abandono do sistema de metas, até mesmo porque não temos observações suficientes e existe a chance de fecharmos sobre a meta alta em 2012, no entanto, devemos considerar que se atingir a meta fosse à prioridade esperaríamos políticas mais restritivas para trazer a inflação mais rapidamente ao centro da meta.
Ainda não podemos afirmar que o Banco Central realmente mudou sua forma de conduzir a política monetária, e mais do que isso, ainda não conseguimos precisar se tal mudança possui caráter temporário ou duradouro, de qualquer maneira se tiver um caráter temporário pode acabar ajudando no alcance do superávit primário para esse ano por parte do governo e protegendo a atividade econômica das oscilações externas às custas de uma inflação maior, caso contrário, se tiver um caráter mais duradouro já passa a ser mais preocupante por unir objetivos que não se sustentam no longo prazo, inflação e crescimento.
Todavia, existe uma segunda alternativa que considero menos provável, é possível que o Banco Central esteja apostando em um caminho diferente e realmente está se antecipando aos efeitos da crise externa sem de fato deixar a inflação em segundo plano, nesse sentido o Banco Central pode estar esperando que os impactos da crise externa se consolidem de maneira bastante intensa no Brasil de maneira que a desaceleração da economia decorrente da crise seria suficiente para trazer a inflação para o centro da meta mesmo com a taxa de juros em um nível mais baixo. No entanto, se o Banco Central estiver se preparando para uma tempestade e vier uma chuva fina sem dúvidas terá de ser bem mais restritivo em 2012 do que foi em 2011 para que a inflação convirja para o centro da meta.
De qualquer forma, se você acredita nessa última hipótese, então prepare seu guarda chuva.

Camila Silva
Analista de Atividade Econômica e Ambiente Externo do Nepom.

Uma resposta em “Bacen, Mostra Tua Cara

  1. Sugestão de post pro Nepom: o que a discussão sobre metas para o PIB nominal tem a ver com o comportamento recente do BC?

    Isso muda alguma coisa com a afirmação de que a política monetária é mesmo neutra no longo prazo?

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