Divulgada a Taxa Selic

Nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2011, o Banco Central divulgou sua última decisão com relação à taxa Selic. Houve uma baixa de 0,5 p.p. na taxa básica. Para os que estavam presentes na última reunião do Nepom, e para aqueles que de certa forma acompanham suas atividades, sabe que a previsão do modelo fora a manutenção da taxa básica em 12,5 % a.a.
A pergunta então fica: o modelo está errado? Sua capacidade de previsão é baixa?
É bem verdade que o modelo econométrico está sempre está sempre sujeito a alterações, buscando sempre melhorar seu poder de previsão e especificações. Mas vou chamar atenção para outro aspecto, que talvez ajude a elucidar as relações entre o modelo e as decisões do Copom.
Um termo que não raramente é esquecido, ou subavaliado, no modelo é o próprio termo do erro. Talvez, em especial neste caso específico, a melhor denominação seria resíduo. São todas as coisas que explicam as decisões acerca da taxa de juros, e que não estão contempladas nas variáveis explicativas. Pressões políticas, variáveis de difícil mensuração, aspectos qualitativos, etc. Neste sentido, o resíduo nos mostra de certa forma uma medida da subjetividade das decisões do Copom, o que na deixa de ser uma medida interessante.
Paralelamente a isto, foi divulgado ontem um reajuste de 13,6% no salário mínimo para 2012. Isto nos remete a dois aspectos importantes; primeiramente à desconfiança do índice de inflação do governo, que indica uma inflação de pouco mais de 6% a.a. O segundo aspecto é o claro contrasenso das políticas do governo.
Vivemos claramente um processo inflacionário de demanda , onde a capacidade instalada e a produção industrial são incapazes de suprir a demanda latente . Ainda que este reajuste no salário mínimo seja somente para corrigir a perda de valor aquisitivo devido à inflação, , o consumidor médio não o percebe, seja por falta de consciência da distinção de salário real e nominal, seja pela abundância de crédito disponível na economia. È indubitável que haverá aumento na pressão de demanda até o fim do ano, ainda que o reajuste somente entre em vigor no ano que vem, o que pressionará ainda mais a inflação, forçando o Banco Central a aumentar os juros.
Sabendo de tudo isso, podemos nos perguntar de onde vem então estas decisões do governo, que vão claramente no sentido contrário daquilo que diz pretender para a economia. A resposta é simples: este é o preço do voto em um governo populista nas urnas.

*Texto escrito por Jéssica Dutra, integrante do Nepom.

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