CLI (COMPOSITE LEADING INDICATORS)

Há alguns dias eu estava ‘passeando’ no site da OCDE e me deparei com a notícia de que os CLIs de dezembro tinham sido divulgados. Mas foi aí que surgiu a pergunta: “Que diabos são esses Leading Indicators? “. Foi então que eu resolvi pesquisar um pouco mais sobre esses indicadores.

Os Leading Indicators conhecidos como ‘Indicadores Antecedentes’ em português, são basicamente índices que, geralmente, apontam, em antecedência (daí o nome), o curso da economia. Esses indicadores antecipam os pontos de viragem da economia, com alguns períodos de antecedência. Um bom exemplo disso é retorno das Bolsas de Valores, que geralmente, começa a cair antes que a economia como um todo caia.

Em especial, os CLIs (Composite Leading Indicators), indicadores compostos antecedentes, são o resultado da agregação de diversas variáveis que manifestam ter um comportamento avançado face ao ciclo econômico. Ou melhor face ao ciclo da produção industrial, que é a Proxy usada pela OECD para avaliar a atividade econômica. O ciclo, usando a definição da OCDE , refere-se a desvios em relação a tendência de longo prazo.

Os CLIs são divulgados mensalmente para os países membros da OCDE, e apartir da próxima apresentação (28/02/2011) do NEPOM, serão incorporados na análise do Ambiente Externo.

Para os que querem mais informações sobre esses indicadores da OCDE, aqui tem a descrição completa dos índices e a metodologia utilizada para seu cálculo.

Brincando com a econometria: o preço dos imóveis

Caro leitor, vou tentar mostrar aqui alguns resultados bastante preliminares (não se tente usá-los para tomada de decisão porque a equipe do Nepom não trabalhou nisto ainda…é um “brainstorm”, ok?)

Obtive, junto ao website do IPEAD-BH, a série do índice de preço de venda dos imoveis em BH desde jul/2006 até dez/2010. A partir daí, usei o R para estimar o melhor modelo e, na falta de tempo, mas em prol da didática (e do tema, que é interessante), cheguei à seguinte especificação:  (1-L)yt = 0.0116. Em outras palavras: yt – yt-1 = 0.0116 ou deltayt = 0.0116. Simplificadamente, é um ARIMA (0,1,0) e a série tem uma tendência brutal. Ah sim, yt está em escala logaritmica (ou seja, ln, sempre é ln em economia).

Bom, como isso aí é uma equação em diferenças, tentei encontrar a solução particular (= equilíbrio de longo prazo) da mesma. Eis o processo:  yp = kt. Aplicando: kt – k(t-1) = 0.0116 => k = 0.0116. (Note que a solução particular yp = k não funciona neste caso e, bem, Chiang explica isto melhor do que eu…).
Logo, yp = kt significa yp = 0.0116t no qual, obviamente, t é o tempo. Ou seja, a solução particular é uma tendência determinista e o equilíbrio é móvel (a média dele aumenta linearmente), o que nos deixa com a pergunta ainda em aberto sobre o que ocorrerá no longo prazo, a não ser que você se satisfaça com um mero: “os preços vão continuar subindo em média 0.0116t.
Para ilustrar um pouco mais, vamos voltar ao modelo. Por meio do R, obtive algumas previsões para 2011.
Jan           Feb           Mar      Apr           May      Jun          Jul      Aug
2011 503.5329 510.4589 517.9534 522.7210 530.3183 537.7396 541.8212 553.1786
Sep      Oct
2011 559.5038 567.1861
Preciso colocar os garotos do Nepom para trabalhar nisso. Mas suponha que este seja o melhor modelo estimável para esta amostra. Neste caso, teríamos sorrisos e desespero. Obviamente, os sorrisos estariam estampados nos rostos dos que planejam vender seus imóveis. Já o desespero…
p.s.1 Note que o bacana seria usar o logo do preço relativo: preço de venda/IPC-BH para obter um crescimento real.
p.s.2 Eu sei, eu sei, você quer um VAR. Bem, fique à vontade. Eu não estou com tanto tempo assim.
p.s.3. Bem, hoje eu tive uma conversa com o Homo Econometricum sobre alguns comportamentos bizarros.

Oriente Médio e você

Tenho ouvido muito papo sobre o tal “impacto” das manifestações no Oriente Médio (Egito e afins) sobre a economia mineira. Qualquer resposta séria sobre isso envolve uma estimativa econométrica bem feita (com controles e tudo o mais).

Pois bem, se eu fosse aluno de Economia, iria me propor um exercício simples: estimar o impacto desta “crise” sobre a economia da minha cidade (ou estado, ou país). Engraçado como nenhum membro do Nepom pensou em fazer isso ainda.

De qualquer forma, fica a dica para o leitor. Quem quiser estimar e nos enviar o resultado (ou nos enviar um link para algum post estatisticamente sério sobre o tema), fique a vontade. Será um prazer comentar.

Inflação

Eis um tema que voltou ao noticiário por conta, exclusivamente, das ações do governo (embora alguns ainda se iludam com explicações que responsabilizam o chuchu, as mensalidades escolares e outros preços pela inflação).

O fato é que a inflação estável não é uma “dádiva divina” contra a qual não é preciso tomar ações consistentes ou duradouras. Exemplos terríveis da história estão, por exemplo, aqui. Claro, o leitor mais atento encontrará na página de Gustavo Franco alguns arquivos sob o título: Aspects of the Economics of Hyperinflations: Theoretical Issues and Historical Studies of Four European Hyperinflations of the 1920s.

O leitor deve, sim, temer pela inflação. Se há uma consistência econômica na ação do governo (exceto, claro, nas ações heróicas do Banco Central), é o relaxamento no combate à inflação. Seja por motivos eleitoreiros (ciclos político-econômicos), seja por quaisquer outros motivos (verdadeiros e/ou alegados), os sinais no horizonte não são tão bons quanto os que tivemos até 2006.

Entrevista com o co-fundador do Nepom: conheça o famigerado Pedro H.C.G. Sant´Anna

Nossa primeira entrevista neste blog é com o co-criador do Nepom, meu ex-aluno e amigo (ex-aluno e amigo? Sim, até que tenho alguns…), Pedro, dono do blog Homo Econometricum. Pedro foi meu segundo monitor de microeconomia no Ibmec e, devo dizer, não é apenas um sujeito muito sério, profissional, mas também uma pessoa muito bacana.

Bem, vamos deixar que ele mesmo se apresente e fale um pouco do Nepom.

1. Pedro, por que a idéia do Nepom?

Primeiramente, queria falar que é muito bom estar novamente participando do Blog do Nepom. Vamos lá. A idéia do Nepom surgiu conversando com o Professor Shikida. O que nos incomodava era o seguinte: Para os alunos de administração em geral, temos a Empresa Junior (Ibmex), para os interessados em mercado de capitais, temos um laboratorio de mercado de capitais. Por que não temos nenhuma atividade extra-curricular, dentro da faculdade, para os interessados em Macroeconomia?  Com o objetivo de analisar a conjuntura econômica nacional e internacional por meio do uso de métodos quantitativos,  surgia o Nepom.

2. Teoria, Métodos Quantitativos e História Econômica: participar do Nepom complementou seu conhecimento destas áreas?

Sem sombra de dúvidas. Ainda lembro que um dos primeiros trabalhos que fiz no Nepom foi desenvolver um modelo para prever a decisão do Banco Central de alterar a taxa Selic. Para selecionar quais variáveis entrariam no modelo, tive que ler diversos trabalhos acadêmicos sobre a Regra de Taylor, e sobre Metas de Inflação – ou seja, para enfrentar um problema prático, tive que consolidar ainda mais o meu conhecimento teórico.

Sobre História Econômica, a analogia é a mesma: temos que entender o ambiente politico-econômico em que vivemos para fazer uma análise bem fundamentada. O comportamento da economia não é necessariamente o mesmo ao longo do tempo, e a história econômica nos ajuda a entender o porquê. Exemplos são sempre bons para ilustrar, então vamos lá – Os mecanismos de transmissão de inflação foram os mesmos no decorrer da década de 90 e 2000? O peso que o Banco Central dá para o desemprego e inflação são os mesmos desde a implementação do Plano Real? Esse tipo de questionamento sempre acontecia no Nepom.

Em relação aos métodos quantitativos, toda a análise do Nepom se baseava em modelos econométricos, pois afinal, o que nos diferencia de um “palpiteiro” qualquer é a nossa capacidade de explicar os determinantes das alterações da Selic, e isso só é possível com um modelo bem fundamentado. Ao desenvolver tal modelo econométrico, tive a oportunidade de aprofundar meu conhecimento sobre modelos de escolha discreta, o que acabou despertando um interesse maior nesta área (“Forecasting” com “discrete choice models”).

3. Se você voltasse ao Nepom hoje, o que mudaria em sua rotina de trabalho?

Sei que o fato do Nepom não ser remunerado atrapalha um pouco ( os incentivos de estudar sao menores!), mas acho que tentaria ler mais “papers” e tentar reunir mais vezes com os demais membros. Acho que isso possibilitaria estender nossas análises e melhorar nossos modelos.

4. Como você vê a diversidade entre os membros do Nepom?

Acho que a mescla entre alunos no inicio do curso e alguns no fim é essencial para a continuidade e sucesso do Nepom. Alunos no fim curso já possuem uma bagagem terórica mais sólida, o que ajuda bastante nas análises e em especial na parte quantitativa (modelos econométricos).

Já a presença de alunos “calouros” nos obriga a utilizar uma linguagem mais fácil para explicar os conceitos que utilizamos em nossas análises – nem todo mundo entende “economês”. Além de tudo, não podemos esquecer que alunos formam, e cabe aos alunos “calouros” darem a continuidade ao Nepom.

5. Enfim, suas palavras finais para nosso blog.

Aos novos membros do Nepom, nunca parem de questionar – como Voltaire mesmo já disse “Judge a man by his questions, rather than by his answers”. Isso é o que mais aprendi no Nepom. Finalmente,  agradeço a oportunidade de participar novamente deste blog, e no Nepom, que me ajudou muito a decidir a minha área de pesquisa para o mestrado e possivelmente Ph.D.

Obrigado

Criador e criatura. Não se sabe bem quem é quem, mas o sorriso de economista de ambos é genuíno.

Credibilidade: um tópico muito importante e nem sempre levado a sério

Gustavo Loyola chama a atenção para um ponto muito importante do sistema de metas: a credibilidade do Banco Central. Mas note que a credibilidade é um ponto mais geral do que apenas um tópico de política econômica exclusivamente monetária.

Basta pensar no que tem dito o Mansueto sobre os sucessivos anúncios de cortes de gastos do governo.