Resultados do Modelo

Na primeira reunião do COPOM do governo Dilma, a selic tem um aumento de 0,5p.p. e inicia o ano de 2011 com uma taxa de 11,25%a.a., fato que não pega o mercado, e nós de surpresa, pois fazendo uma análise básica de economia é possível comentar nos motivos do qual o conselho se pautou para aumentar a taxa.

Primeiro, nota-se uma aceleração inflacionária (IPCA) de 0,09% desde a última reunião, na última sexta-feira o IPCA estava em 5,47%a.a. 0,97% acima da meta do país.

Segundo, a série de produção industrial dessazonalizada calculado pelo IBGE apesar de ter uma queda de aproximadamente 0,12% no mês de outubro para novembro, teve uma variação anual positiva de 4,09% e ainda se mantém acima do nível de produção natural (método calculado através do Filtro HP).

Nota-se no mercado também um aumento na confiança do industrial (ICI – FGV), uma variação mensal de novembro para dezembro de 1.6% indicando um possível crescimento no futuro da produção industrial.

Usando estes dados no nosso modelo chegou-se na seguinte resposta:



O modelo indicou que a série permaneceria inalterada, fato que não ocorreu. Mas ao fazer previsões na série de produção industrial e imputá-los em nosso modelo é possível perceber que no cenário otimista, onde a produção industrial chega a 131.58, o modelo indica uma maior probabilidade para o aumento de 0,5p.p.

Perspectivas

Excelente a entrevista de Affonso C. Pastore no Estadão de hoje. Confira aqui. Destaco o seguinte trecho:

As medidas do BC vão ajudar a conter a tendência de valorização do real?

A nova medida do BC reduz drasticamente a posição vendida dos bancos em dólar. Mas o maior efeito se dará no cupom cambial (juro em dólar dentro do Brasil). É equivalente a uma intervenção no mercado futuro, mas o BC opta por não seguir este caminho, e sim por medidas prudenciais. Dado seu pequeno efeito sobre a taxa no mercado à vista, isso é apenas o topo do iceberg. O governo continua desconfortável com a valorização do real, e provavelmente virão outras medidas.

Por que o real vem se valorizando?

Como no Brasil as poupanças domésticas são baixas, a alta dos investimentos requer a absorção de poupanças externas, o que se faz pelo aumento das importações. Para que essas se elevem, o câmbio tem de se valorizar (barateando as importações). O dilema que enfrentamos é simples: na ausência de poupanças domésticas suficientes, o Brasil terá de conviver com uma moeda forte para elevar os investimentos. Ou descobrimos uma forma de conviver com um real mais forte (elevando a eficiência da economia com reformas) ou temos de elevar a poupança doméstica para permitir um câmbio de equilíbrio mais desvalorizado.

Perceba, leitor, o beco sem saída que a administração da Silva deixou à nova presidenta. Bem, há uma saída, mas ela ou é dolorosa para uns, ou o é para todos. Obviamente, os “uns” (funcionários públicos) não serão tão patriotas assim na hora de apertar os cintos e a corda romperá, como de costume, do lado dos eleitores.

Mas vejamos o que acontecerá ao longo de 2011.

p.s. também é bacana fazer como o prof. Pastore e ler o Relatório Trimestral de Inflação. O último está aqui e note que a página do BCB finalmente foi atualizada e, aparentemente, parece mais user-friendly. Ah sim, o BCB, de olho no futuro, agora está no Twitter.