Expectativas e a Lei de OKun

O estudo feito por Peter Tillmann analisa as previsões dos membros do FOMC para a Taxa de Desemprego e a Taxa de crescimento do PIB durante os anos 90. Essa década foi escolhida por ser um período de crescimento acelerado da produtividade.

 Na reunião, que ocorre em julho, do FOMC os membros prevêem a variação do crescimento do produto para o final do próximo ano, da taxa de desemprego, também para o final do próximo ano e para o final do ano corrente, ou seja o ano que acontece a reunião. Com esses dados Peter Tillmann formulou a seguinte regressão: 

Como a lei de Okun se da pela relação negativa da variação da taxa de desemprego e do PIB,o β1 será menor que zero. Quando o desemprego é constante temos a variação do produto igual à divisão: -β0/β1. Essa regressão nos mostra como cada formador de política vê essa relação entre produto e desemprego ao longo do tempo analisado. 

Após a análise do “paper” podemos afirmar que os membros do FOMC estavam cientes desse aumento de produtividade no dado momento e por isso mostraram previsões diferentes ao longo da década. Nota-se então que essa relação negativa enfraqueceu no final da década de 90, ou seja, já vendo uma queda na previsão futura da produtividade, os membros do FOMC mudaram suas previsões a respeito do crescimento do PIB e da taxa de desemprego.  Isso nos mostra que as previsões dos formuladores de política sobre a mudança da produtividade afeta, sim, as suas previsões para o crescimento real e a taxa de desemprego.

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Metas de inflação ou de preços?

No curso do prof. Carlos, no SEBH deste ano, veio à tona a discussão sobre o sistema de metas de preços. Eu não entendi bem como funciona, mas sempre há alguém que entende. Aqui está um texto interessante sobre o tema.

O poder dos juros

Um pessoal da PUC-RJ divulgou um estudo novo que, na verdade, fala sobre o poder da política monetária. Trechos:

Os economistas apuraram que um aumento inesperado de um ponto porcentual da Selic provoca uma queda imediata de R$ 1,24 milhão no valor médio diário de novos empréstimos. No caso dos juros cobrados nos financiamentos das grandes instituições, o efeito é uma elevação de 2,13 pontos porcentuais na taxa. Os pequenos bancos, por sua vez, simplesmente não respondem ao choque de juros.

Interessante seria ter acesso à mesma base de dados dos autores para estudar melhor estas elasticidades estimadas. De qualquer forma, já é algo para se pensar.

Resultados

Como dito anteriormente, o NEPOM não pôde apresentar-se na segunda-feira passada e para não prejudicar quem nos acompanha, decidimos postar aqui o resultado do modelo e seus respectivos cenários para alteração da taxa de juros que ocorrerá hoje (Quarta-feira).

Segundo a estimação do modelo a tendência é que o Copom opte pela manutenção da taxa de juros em 10,75 p.p. em todos os cenários.

Os resultados acima talvez sejam melhor entendidos se o leitor pensar nos pontos abaixo.

1 – A produção industrial de junho/2010 (último dado disponibilizado pelo IBGE) e março/2010 sofreu uma queda de 2,04%. O aumento na taxa de juros que neste período foi de 2 p.p. é um dos fatores que possibilitou este recuo na produção industrial do Brasil.

2 – Outro ponto a se destacar é a desaceleração da inflação (IPCA – Índice de Preços do Consumidor Amplo) sua a variação mensal foi de 0,01% do mês de junho para o mês de julho, enquanto a variação mensal de março para abril foi de 0,57%.

3- Por último, ao analisar o Índice de Confiança da Indústria (ICI) nota-se a desaceleração na confiança da indústria que em maio de 2010 era de 116,1 no mês de agosto de 2010 o ICI é de 112,9, uma queda de 2,76%, ou seja, ao olhar para seu passado (alta constante da taxa selic) e considerando suas expectativas para o futuro, a indústria brasileira está menos confiante.