Problemas no mercado de crédito para PJ

Em nossas duas últimas apresentações, mostramos que, após a crise internacional, o nível de crédito concedido a PJ, no Brasil, praticamente se estabilizou e não voltou a expandir-se, ao contrário do crédito a PF, que manteve ritmo normal de crescimento.

Isto pode se tornar – ou já ter se tornado – um problema, pois dificulta que a oferta de bens e serviços cresça na economia, acompanhando a expansão do consumo, que é puxado pela relativa estabilidade de preços, pelo aumento da renda real e pelo crédito farto.

Hoje o Estadão publicou a reportagem “Acesso ao crédito ainda é considerado difícil para indústria“, com o resultado da sondagem realizada pela CNI, chegando à mesma constatação do Nepom. No entanto, segundo o jornal, a CNI “não consegue identificar o motivo da dificuldade das empresas no acesso ao crédito“.

Em nossa última apresentação, mais especificamente, ocorrida dois dias atrás, apresentamos um dos fatores que possivelmente estão limitando a expansão do crédito à PJ: a persistência de altas taxas de inadimplência. Observe o leitor, no gráfico abaixo, como o nível de inadimplência das PF praticamente retomou o patamar pré-crise, enquanto o quadro para PJ continua preocupante:

Fonte: BACEN

Analisando de forma desagregada, observamos que as linhas de produtos financeiros para capital de giro e aquisição de bens são as que apresentam maior persistência na manutenção da inadimplência em elevados patamares. Confira nos gráficos abaixo:

Fonte: BACEN

Fonte: BACEN

A situação é interessante, pois estamos, incontestavelmente, diante de um forte aquecimento da demanda e expansão do consumo interno, o que, a princípio, teria impacto positivo no caixa das empresas. Mas, ao que parece, as fileiras da inadimplência começaram a engrossar no 1º semestre de 2009, e estas empresas não estão conseguindo melhorar sua saúde financeira.

Diante deste quadro, que contamina a percepção de risco dos banqueiros e prejudica a expansão do crédito à produção, podemos questionar: cabe ao governo ou a alguma instituição reguladora a incumbência de interferir no mercado? Ou podemos esperar que o mercado retorne por si só à normalidade? Quais seriam as possíveis medidas a serem adotadas pelo poder público? Qual o custo destas medidas?

Além disso: por que as empresas não conseguem melhorar a saúde financeira, mesmo com a forte demanda interna? Será que a maioria destas empresas inadimplentes não têm o desempenho ligado ao mercado interno, mas ao externo? Talvez desta simples pergunta surge uma possível frente de trabalho para a CNI…

Fica aberta a troca de idéias, para quem se interessar!… O campo de comentários segue logo abaixo:

Uma resposta em “Problemas no mercado de crédito para PJ

  1. Muito interessante o debate.

    Provavelmente as atuais receitas destas empresas estão atreladas às quitações de dívidas feitas em períodos passados. Apesar da ascendente taxa de produção industrial, os empresários ainda não atingiram um nível tal capaz de quitar todas as dívidas. Desta forma deixam de honrar as dívidas oriundas de financiamentos, etc.

    Mas tenho uma dúvida. Será que o aumento da inadimplência não se deve a um excesso de oferta de crédito?

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