BC decide elevar Selic em 0,75 p.p.

Nota publicada pelo BC:

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% a.a., sem viés.

Isto significa, obviamente, uma elevação de 0,75 p.p. na taxa. A maioria dos membros do Nepom havia previsto, na segunda-feira, uma elevação de 0,50 p.p.

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Problemas no mercado de crédito para PJ

Em nossas duas últimas apresentações, mostramos que, após a crise internacional, o nível de crédito concedido a PJ, no Brasil, praticamente se estabilizou e não voltou a expandir-se, ao contrário do crédito a PF, que manteve ritmo normal de crescimento.

Isto pode se tornar – ou já ter se tornado – um problema, pois dificulta que a oferta de bens e serviços cresça na economia, acompanhando a expansão do consumo, que é puxado pela relativa estabilidade de preços, pelo aumento da renda real e pelo crédito farto.

Hoje o Estadão publicou a reportagem “Acesso ao crédito ainda é considerado difícil para indústria“, com o resultado da sondagem realizada pela CNI, chegando à mesma constatação do Nepom. No entanto, segundo o jornal, a CNI “não consegue identificar o motivo da dificuldade das empresas no acesso ao crédito“.

Em nossa última apresentação, mais especificamente, ocorrida dois dias atrás, apresentamos um dos fatores que possivelmente estão limitando a expansão do crédito à PJ: a persistência de altas taxas de inadimplência. Observe o leitor, no gráfico abaixo, como o nível de inadimplência das PF praticamente retomou o patamar pré-crise, enquanto o quadro para PJ continua preocupante:

Fonte: BACEN

Analisando de forma desagregada, observamos que as linhas de produtos financeiros para capital de giro e aquisição de bens são as que apresentam maior persistência na manutenção da inadimplência em elevados patamares. Confira nos gráficos abaixo:

Fonte: BACEN

Fonte: BACEN

A situação é interessante, pois estamos, incontestavelmente, diante de um forte aquecimento da demanda e expansão do consumo interno, o que, a princípio, teria impacto positivo no caixa das empresas. Mas, ao que parece, as fileiras da inadimplência começaram a engrossar no 1º semestre de 2009, e estas empresas não estão conseguindo melhorar sua saúde financeira.

Diante deste quadro, que contamina a percepção de risco dos banqueiros e prejudica a expansão do crédito à produção, podemos questionar: cabe ao governo ou a alguma instituição reguladora a incumbência de interferir no mercado? Ou podemos esperar que o mercado retorne por si só à normalidade? Quais seriam as possíveis medidas a serem adotadas pelo poder público? Qual o custo destas medidas?

Além disso: por que as empresas não conseguem melhorar a saúde financeira, mesmo com a forte demanda interna? Será que a maioria destas empresas inadimplentes não têm o desempenho ligado ao mercado interno, mas ao externo? Talvez desta simples pergunta surge uma possível frente de trabalho para a CNI…

Fica aberta a troca de idéias, para quem se interessar!… O campo de comentários segue logo abaixo:

Nepom na imprensa

Uma jornalista me ligou ontem porque ficou sabendo do Nepom por este blog. A conversa virou um artigo na edição de hoje do “Brasil Econômico”. Infelizmente, parece-me, só para assinantes.

Entretanto, devo dizer, foi a melhor matéria já escrita. Por que? Porque ao invés de se preocupar apenas com nossas previsões, a jornalista nos perguntou sobre o funcionamento do grupo (uso o plural porque alguns alunos foram, também, entrevistados). Este era um ponto importante que eu sempre procurava destacar.

Paradoxalmente, um jornal nacional foi o primeiro a fazer a excelente matéria, em detrimento dos locais. Agradeço à jornalista pela oportunidade de expor um pouco do que eu penso sobre o Nepom, uma feliz iniciativa de dois sujeitos interessados em mostrar aos alunos que Economia não é algo simples, mas também não é um bicho-papão.

Temos perspectivas animadoras para este grupo em 2010 e 2011. Vejamos se algumas mudanças se concretizam.

Apresentação do Nepom – 26/4/2010

Já estão disponíveis para download os slides da última apresentação do Nepom, realizada ontem à noite nas dependências do Ibmec/MG, neste link.

A previsão do modelo econométrico do grupo é de manutenção da taxa Selic em 8,75% a.a. Na votação entre os membros do Nepom, houve 5 votos a favor de um aumento de 0,50 p.p. na taxa, contra um voto a favor de manutenção da taxa.

Qualquer dúvida, comentário ou sugestão, fique à vontade para utilizar o campo de comentários nesta página.

Próxima reunião

A próxima reunião do NEPOM se aproxima. Ah sim, eis uma dica para quem gosta de acompanhar as decisões de alguns dos bancos centrais. [hat tip: econometricum]