Os multiplicadores do gasto fiscal

Enquanto nossos economistas brasileiros não divulgam uma única estimativa de um multiplicador que justifique qualquer ação do governo em termos de gastos públicos, Barro tem novas estimativas para os EUA.

Vale a pena pensar no tema.

Preços do petróleo são importantes para a política monetária?

Claro que são. Disso não temos dúvida. Mas como a reação dos Bancos Centrais é alterada por variações nestes preços é algo interessante de se estudar. No último Economics Bulletin, um novo artigo trata exatamente disto. O artigo deveria ser lido por todos aqueles interessados no uso de Probits ordenados. No Nepom, usamos um modelo como este para prever as ações do Banco Central.

Fica aqui o convite à leitura.

Não existe almoço grátis

No Estado de Minas deste domingo, uma entrevista comigo e com o coordenador do Procon Assembléia sobre o tema.

Para o leitor interessado, recomendo a leitura deste livro. Mais ainda, pense no meu exemplo da pescaria. Se um sujeito pesca e te dá o peixe, o peixe não saiu de graça. Por que? O pescador aplicou parte de seu tempo na pescaria enquanto poderia estar em casa trabalhando em sua oficina.

Concluímos que existe um custo e, pela bondade do pescador, não houve pagamento. Isto significa que ele arcou com o custo sozinho. Por que é bom que as trocas sejam voluntárias e não impostas por alguém? Porque aqueles que quiserem vender o peixe podem fazê-lo. Aliás, aqueles que quiserem pescar serão livres para fazê-lo. Quando esta liberdade inexiste, pessoas são obrigadas a fazerem o que não querem com seu tempo (pense no exemplo mais cruel da história: a escravidão) e, certamente, não serão muito dedicadas em suas tarefas.

Não existe almoço grátis e, veja só, esta é a melhor forma de organização social de uma economia. Interessante, não?

Pacote de Obama, outros pacotes, efeitos e avaliações

Luiz André chamou a atenção aí embaixo para a necessidade de se estimar os multiplicadores do gasto público. Lá nos EUA, o pacote de Obama, festejado no momento imediatamente pós-eleitoral, não se mostra nada interessante. O principal atrativo, o emprego, não se recupera com gastos do governo.

No Brasil, numa “improvisada” tentativa de se colar no marketing político de Obama, promove-se um discurso que tenta justificar o que já foi feito (a posteriori) em termos de gastos públicos. Políticos são bem espertos – aqui e lá – mas continuo a insistir: um debate sério não começa com artigos de má qualidade tentando defender o indefensável.

Após anos de investimento no capital humano dos economistas brasileiros, espera-se que aqueles empregados nos postos-chave do setor público e/ou do setor privado mostrem um pouco mais de competência. Assim, ainda gostaria de ver uma proposta de política pública que contivesse os itens básicos de sempre:

a) estimativa de custo benefício (pode ser só o econômico).

b) multiplicadores de impacto (de certa forma, um subitem do item acima)

c) previsão de avaliação de impacto, bem como da metodologia a ser empregada na mesma.

Claro, para escapar da mesmice brasileira, os itens deveriam ter uma probabilidade de realização altíssima.

Um pouco mais de crise e gastos do governo…

Um breve comentário de Jeffrey Sachs sobre a crise, mais especificamente, sobre gastos governamentais e suas, digamos possíveis, consequências:

“Stimulus packages are controversial, because they increase budget deficits, and thus imply the need to cut spending or raise taxes sometime in the near future. The question is whether they successfully boost output and jobs in the short term, and, if so, whether they do enough to compensate for the inevitable budget problems down the road.

The true effectiveness of these packages is not clear. Suppose that the government gives a tax cut in order to increase consumers’ take-home pay. If consumers expect that their taxes will rise in the future, they may decide to save the tax cut rather than boost consumption. In that case, the stimulus will have little positive effect on household spending, but will worsen the budget deficit.”

Mais uma vez, mesmo considerando pequeno o efeito dos gastos, eis a necessidade de estudos acerca dos multiplicadores:

“In short, the US stimulus effects on spending have probably been positive but small, and without a decisive effect on the economy…”