O que causou a crise?

Nossos leitores sabem que o Nepom tem acompanhado a crise com alguma atenção. Tenho procurado sistematizar, aqui, as principais contribuições para nosso entendimento das causas da mesma. Eis mais um texto, interessante, cuja pergunta é certeira:

The question is whether someone could rationally have
been expected to win a bet against these products, given the
information available before 2007. We know with hindsight
of course that they would have won this bet. But could that
have been expected statistically? Or to put the question
another way: was the behaviour of the US housing market a
‘bubble’?

The question is whether someone could rationally have been expected to win a bet against these products, given the information available before 2007. We know with hindsight of course that they would have won this bet. But could that have been expected statistically? Or to put the question another way: was the behaviour of the US housing market a ‘bubble’?

Aos meus alunos de Econometria II, eis um trecho bastante interessante e que será compreendido tão logo avancemos para os modelos ARMA e para a discussão sobre a estacionaridade das séries econômicas:

If real house prices were non-stationary — a variable ‘integrated of order 1’ or I(1) for short — then their conditional forecast is close to the current value and their conditional variance say ten quarters ahead equals ten times the one-period variance, which was not very great. This calculation of systematic risk could be quite modest, as compared with one based on the possible fall in a cyclical house price close to a cyclical peak, when a recession has a large probability.

O significado de uma série com tendência estocástica (ou I(1)), assim, é claro. O restante do texto prossegue com uma esclarecedora crítica sobre a interferência de políticos (e economistas pouco letrados, eu acrescentaria) sobre algo que realmente não entendem. Eis aqui uma longa, mas necessária citação:

For public opinion to impose this discipline on politicians it needs to be both well educated in the issues at stake and well informed about the facts. In the case of the banking and financial system neither is the case. The system is poorly understood (even upmarket newspapers can describe financial market participants as ‘greedy’ and short-selling as ‘evil’) and as for information it is by law restricted to the regulators themselves. As Michael Beenstock (ibid) has argued, it is important that regulators release this information to the public so that restraint on participants from public opinion can be operative. This restraint will work directly on the share prices of those taking excessive risks and indirectly through the political process.

So while there can be no ‘cure’ in the sense of preventing bank crises, there can be some reduction of the taxpayer cost when crises occur through regulation of risk-taking and through the release of information about the risktakers.

Note que não é só no Brasil que jornalistas pouco conhecedores da teoria econômica interpretam o sistema financeiro de forma negativa. Ou nunca entenderam realmente a citação de Adam Smith sobre o egoísmo, ou nunca a leram. A discussão sobre a democracia também é interessante.

O texto prossegue com uma crítica aos apressados detratores dos modelos macroeconômicos (já reparou, leitor, como em épocas de crise, curandeiros e místicos sempre ressurgem com discursos apocalipticos e soluções duvidosas?) e faz um didático e inteligente exercício econométrico com os dados, em busca de maior esclarecimento sobre as causas da crise.

Leia o texto todo. Ele vale a leitura.

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