Ata do Copom

O Copom recomenda cautela. Creio que esta é uma importante lição para os que estudam política monetária. Cautela é essencial. Mais ainda, eu diria, quando você sabe que existem problemas nos dados que usamos para a construção de cenários.

Entrevista com Ilan Goldfajn

Excelente entrevista com o Ilan, ex-Banco Central, no Estadão. Note, leitor, a importância da taxa de juros natural, um conceito antigo (Wicksell que o diga) e que andava sumido do debate porque, claro, as taxas de juros andavam lá pelos dois dígitos.

Cuidado para não fazer como muito leitor apressado que confunde taxa de juros natural com a taxa de juros. O “natural” aqui não tem nenhuma conotação “biológica”… Este trecho de artigo do FED de Dallas ajuda a clarear as idéias:

The money, or market, rate of interest is the observed rate at which banks carry on credit transactions. The natural rate is a bit more complicated. Wicksell variously defined it as the rate that is neutral for commodity prices and the rate at which the supply and demand for capital are in equilibrium in an economy not using money at all. The tie-in between Wicksell and the Austrians is straightforward: In the Austrian business cycle theory, a boom emerges when the natural rate of interest is higher than the market rate, which is subject to manipulations by humans using sophisticated financial institutions and credit instruments that drive the market rate below the natural, equilibrium rate.

This is Wicksell’s “cumulative process” model of business cycles. When the loan (market) rate of interest is below the natural rate, the demand for loans by entrepreneurs exceeds the quantity of savings in the economy. Banks expand credit by creating checking accounts (demand deposits) rather than by supplying savings, and an economic expansion occurs that must, other things being equal, drive up prices. Although Wicksell’s process does not demand a monetary change to begin, it is perfectly consistent with—and this is what the Austrians later emphasized— a lowering of the market interest rate through central bank monetary injections.

Ah sim, nós já falamos da taxa de juros natural – e de como mensurá-la – neste blog. Aqui e aqui.

Dez mitos sobre a crise subprime

Mais um texto para a reflexão sobre as causas da crise mundial.

p.s. notou o leitor que a intuição do Renato se mostrou correta? O Copom baixou a Selic em 0.5 p.p…

Duas rápidas observações sobre as análises de conjuntura

Analistas de mercado, muitas vezes, ignoram dois importantes problemas: (i) o significado dos dados que utilizam e (ii) a influência da (má e boa) política sobre a economia. Sobre estes dois tópicos, veja que interessante esta discussão sobre o produto potencial e esta outra sobre o nosso Copom.

Não custa ser humilde e cuidadoso em qualquer proposta de ação econômica. Creio que esta é uma lição importante que todos deveriam aprender.

Expectativas do Mercado para o Copom

O membros do Nepom estão em recesso – merecido, vai – mas gostaria de postar aqui apenas alguns números para que os leitores acompanhem o que o mercado espera para a próxima decisão do Copom (reunião nos dias 21 e 22 de Julho/09).

Recordando: a última reunião (do Copom) ocorreu nos dias 9 e 10 de Junho.

Relatório Focus

No relatório do dia 12/06, a mediana (agregado) indicava expectativa de Selic em 9% a.a. no mês de Julho, ou seja, corte de 0,25 pp. Na semana seguinte a expectativa caiu para 8,75% (ou corte de 0,50 pp) e se manteve até a última pesquisa, do dia 10/07.

A mediana (top 5) acompanhou movimento bastante semelhante, enquanto a média (top 5) também indica expectativa de um corte de 0,50 pp na próxima reunião do Copom.

Mercado de Derivativos

Foi analisada a série da taxa Swap DI com prazo de 30 dias, a partir de 23/06/09. Isto porque as taxas deste dia em diante já incorporam a decisão do BC na próxima reunião (dia 22/07). O gráfico abaixo sintetiza as informações:

Podemos observar que as expectativas do mercado de futuros também seguem o mesmo movimento observado no relatório focus. O gráfico começa exatamente em 9% a.a. e já se aproxima da taxa de 8,75%.

Explicação

Dificilmente uma coincidência: as expectativas do relatório focus para a taxa de crescimento da produção industrial vem se deteriorando no mesmo período:

Dado que o Banco Central, a meu ver, parece estar atribuindo menos peso (do que antes) à perspectiva inflacionária e ao recente crescimento dos déficits fiscais públicos, espero um corte em linha com as expectativas do mercado, de 0,50 pp.

Obs.: esta previsão não necessariamente reflete a opinião do Nepom.

A crise é política, não econômica

Jeffrey Friedman chega a esta conclusão, ao resumir as contribuições dos autores deste número especial da Critical Review que inclui Katarina Juselius, Vernon Smith, John Taylor, David Colander, Daron Acemoglu e Joseph Stiglitz, dentre outros.