E o PIB caiu

Deixa ele cair. Observo apenas que deve-se tomar cuidado com o pessimismo. Na apresentação de ontem vimos que a produção industrial já se recupera (tanto em MG, como no Brasil), o que mostra que as defasagens naturais das séries econômicas ainda surtirão efeitos, vale dizer, o PIB não cairá tanto quanto se esperava (e, em parte, nem caiu tanto quanto se esperava).

Outro ponto é que existem ciclos econômicos e parece que a crise veio próxima ao final de um ciclo de alta em alguns investimentos, o que significa que a recuperação (também como mostrado ontem) não alcançará os picos anteriores, relativos à fase de boom do ciclo.

Problemas?

Bem, não conte com um eterno ciclo de queda na Selic. Esta “festança” toda que tem sido feita na imprensa em torno de uma suposta “nova era” da economia brasileira não se sustenta diante de qualquer número das contas públicas. Ao contrário do que se poderia fazer, o governo continua desprezando a restrição orçamentária intertemporal, mudando até a regra da poupança para se endividar mais.

Irônico é que muitos economistas da outrora oposição (hoje, ferrenhos defensores do governo) repetiam o mantra do “problema da poupança que não permite investirmos mais”. Hoje, são os primeiros a defenderem a aplicação de um redutor no ganho da poupança para garantir a trajetória de endividamento do governo. Enquanto isto, no Chile…

Nepom em 08 de Junho

Segunda-feira, caro leitor, temos nossa última apresentação deste semestre, como já dissemos antes.

Pois bem, vou contar um segredo: desta vez haverá um conteúdo um tanto quanto distinto dos anteriores. Vale dizer, embora similar, há muita material trabalhado pelos membros do grupo. Se você estiver por perto, dê-nos o prazer de sua visita. Não quero antecipar para não estragar a surpresa, claro.

Teremos nossa tradicional previsão dos passos do Copom, motivo principal da própria existência do Nepom. Mas as mensagens que troquei com alguns dos analistas do grupo ontem e hoje são promissoras.

Reunião do Nepom

Outro dia eu falava aqui sobre a taxa natural de juros. Bem, Pedro achou outro trabalho, do Marcelo Portugal e do Paulo Chananeco, aqui. Em resumo, algo em torno de 10% parece ser a taxa natural de juros do Brasil.

Qual a relevância disto?

Bem, acho que a próxima reunião do Nepom (segunda-feira que vem, aparentemente na sala 507 e, certamente, a partir das 19:00 h) teremos mais sobre o tema.

Quero também lembrar aos amigos mais antigos que o aluno Pedro H. Sant’Anna, o co-fundador do Nepom, apresenta-se pela última vez já que, em breve, embarca para a Espanha, onde fará seu mestrado na Carlos III. Será uma perda para o Nepom e para a faculdade. Assim, esta última reunião tem um significado histórico em nossa curta história como grupo de trabalhos na faculdade.

Diga-se de passagem, esta apresentação também promete. A apresentação, pela prévia que vi ontem, será bem original e distinta das anteriores (bem, não tão distinta assim, mas haverá muitas novidades).

O leitor que resida próximo à Belo Horizonte já está, claro, convidado.

Baltic Dry Index

Gerado pela Baltic Exchange em Londres e atualizado diariamente, o BDI compila informações sobre custos de transporte marítimo que são extraídos por meio de uma pesquisa  neste mercado. Nesse caso, o BDI é referente a cargas secas, e na maioria das vezes commodities, tais com minério e grãos. A Baltic Exchange ainda tem outros indicadores relacionados a outros tipos de carga.

Bom, mas o interessante mesmo neste índice, é que ele pode funcionar como um leading indicator de atividade economica mundial. Considerando que o índice  é o preço de equilíbrio no mercado de transportes marítimo, basta pensar que  é um antecedente da atividade econômica uma vez que um aumento da demanda por esse serviço é  acompanhada por maior demanda por commodities e então possível aumento na produção industrial futura.

Ademais o indice está também atrelado ao preço do petróleo, parte significante dos custos.  Aqui, dá uma idéia mais clara do comportamento do índice.