Nepom no Estado de Minas

Esta semana me pediram, por mensagem eletrônica, respostas a algumas perguntas. A matéria, editada, foi ao ar (e às bancas) hoje. Aqui está o link. Entretanto, a última frase da matéria, que está entre aspas, não é, de forma alguma, o que eu disse. Vejamos o original (repare no trecho em negrito):

– Vc acha que essa mudança é realmente necessária e até mesmo oportuna para fazer alterações que já eram até mesmo precisas? Pq? Quais?

Se você quer favorecer o pequeno poupador, o mais adequado seria promover mudanças que diminuissem as taxas que os administradores de fundos cobram. Ao invés disso, opta-se por uma solução na qual aquele que escolheu uma aplicação de menor ganho, mas de custo reduzido é penalizado. Não creio que esta seja a melhor medida.

Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom não são eternas. Conforme as condições da economia se alterem, pode ser que as taxas de juros voltem a subir. Em um cenário como este, o pequeno poupador será mais penalizado do que seria sobre a regra atual.

Agora, compare com a frase que a jornalista Paola atribui a mim:

“Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom podem se estagnar e as taxas voltarem a subir”, critica.

Eu não disse que as quedas estagnam, mas sim que podem voltar a subir.

Vamos aproveitar para informar melhor o leitor sobre a economia. Apesar do bom trabalho da jornalista Paola (exceto no caso da última frase), vale a pena falar mais sobre a questão da poupança. Assim, segue abaixo todo o conteúdo da mensagem que enviei para a jornalista, em resposta às suas perguntas. Sem edição, sem correção, mas com mais informação do que foi publicado.

De: Paola Carvalho [mailto:xxxxx]
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009 20:01
Assunto: Entrevista Estado de Minas

Caros,

Estou fazendo matéria sobre essa polêmica em torno das mudanças na poupança. Gostaria de saber a sua opinião sobre:

– Pq o governo quer alterar as regras da poupança?

Existem duas explicações que tentam “adivinhar” as motivações do governo. Uma delas diz que o governo está preocupado com o pequeno poupador, a outra, que o governo não quer perder recursos para continuar se endividando. Historicamente, a poupança tem rendido menos do que os fundos de aplicação. Historicamente, também, o governo não tem seguido uma trajetória consistente de tentar diminuir seu gasto público. Muito pelo contrário, os últimos oito anos mostraram que se chega mesmo a ameaçar a sociedade – quem não se lembra da novela em torno da CPMF? – para garantir que o superávit primário seja sempre gerado muito mais por aumentos na arrecadação do que cortes nos gastos. Logo, parece-me que o discurso de “proteger o poupador” não ilustra bem as intenções do governo.

– Oq pode acontecer se as regras não forem alteradas?

Como o Banco Central tem atuado no sentido de diminuir os juros, os fundos de aplicação se tornam menos atrativos do que a poupança. Logo, há uma tendência de migração dos recursos dos primeiros para o segundo.

– Vc acha que essa mudança é realmente necessária e até mesmo oportuna para fazer alterações que já eram até mesmo precisas? Pq? Quais?

Se você quer favorecer o pequeno poupador, o mais adequado seria promover mudanças que diminuissem as taxas que os administradores de fundos cobram. Ao invés disso, opta-se por uma solução na qual aquele que escolheu uma aplicação de menor ganho, mas de custo reduzido é penalizado. Não creio que esta seja a melhor medida.

Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom não são eternas. Conforme as condições da economia se alterem, pode ser que as taxas de juros voltem a subir. Em um cenário como este, o pequeno poupador será mais penalizado do que seria sobre a regra atual.

– Em meio a essa crise, a poupança é um bom investimento? Qual o desempenho dela em relação a outras aplicações desde o agravamento da crise? Quais as perspectivas para 2009?

Perguntas de resposta difícil. Sou economista, não astrólogo. Vamos lá. Um bom investimento é sempre dependente das preferências e condições do investidor. Uma pessoa pode muito bem aplicar em fundos e poupar, dividindo seu patrimônio de forma balanceada. Já outros preferem, por motivos individuais, poupar mais e não desejam pagar as taxas de administração de alguns fundos. É uma decisão individual. O melhor, para o indivíduo, é procurar sobre as opções que existem, verificar seu bolso e pensar sobre seu próprio desejo de assumir mais ou menos risco.

Para 2009, as perspectivas são de baixo crescimento. Não se espere milagres na economia. Eles não existem. As condições para uma retomada do crescimento não dependem apenas do Brasil, mas da economia mundial como um todo. Neste sentido, não há motivos para otimismo. O cenário só não será pior porque o Banco Central tem tido a sensatez de buscar cumprir sua meta de inflação. Imagine uma economia em recessão e com inflação: certamente seria o pior dos mundos.

– Nesse momento, quais os cuidados o investidor tem que ter?

O investidor deve sempre olhar para seu fluxo de renda futura. Um investimento arrojado, digamos assim, no momento atual implica em um elevado retorno futuro? Quais os custos disto? A resposta depende de um cuidadoso cálculo dos custos e dos retornos esperados de cada opção. Não se deve confiar cegamente em conselhos de economistas, especialistas em finanças, administradores de fundos ou gerentes de bancos. Você tem suas metas de crescimento pessoal, eles têm as deles e nem sempre o que lhes parece atrativo também o é para você. Como já disse antes: reveja suas metas, calcule cuidadosamente seus custos e respeite seu perfil de investidor (arrojado, conservador, etc). Ou seja, respeite-se enquanto tomador de decisões e se informe bem.

– É vantagem resgatar o dinheiro de outras aplicações para depositar na poupança?

Cautela é sempre necessário. É melhor aguardar pelas novas regras. O governo seria extremamente estúpido se fizesse medidas como o famoso “calote” que vimos nos anos 90. Estude as novas regras antes de mais nada. Elas são novos parâmetros para você rever suas decisões de investimento. O mundo não acabará no dia seguinte. Calma e cautela em primeiro lugar.

É isto aí, gente. Nepom na imprensa, ajudando a informar.

Uma resposta em “Nepom no Estado de Minas

  1. amanhã sai no estado de minas “blogueiro confirma que concorda com a interpretação da josnalista do estrago de minas”😉

    de qq forma, se 90% do que foi publicado ajuda, é o importante. parabéns a todos!

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